Mr. Mercedes – Stephen King

Mr. Mercedes é o primeiro livro da trilogia Bill Hodges do autor Stephen King e foi lançado pela editora Suma de Letras em 2016.

Sobre o livro

Em abril de 2009 uma fila formou-se no estacionamento do City Center. Inúmeras pessoas estavam em busca de empregos que seriam ofertados em meio a uma crise. Por isso, não é de espantar que o local esteja bem cheio. Debaixo de uma névoa que se formou, às 5:20 da manhã os presentes observam a figura de um sedã grande e cinza, um Mercedes. O carro avança para cima deles e acaba matando oito pessoas e ferindo muitas outras. O assassino foge e abandona o carro próximo ao local juntamente com uma máscara de palhaço que foi usada no momento do crime, mas que não ficou com nenhuma impressão digital ou DNA.

Quando esse crime aconteceu, o responsável por encontrar o assassino era o brilhante policial Bill Hodges, mas ele nunca conseguiu capturá-lo. Agora, aposentado, tudo o que sobrou para ele foi o seu casamento destruído, pensamentos suicidas e esse crime não resolvido o assombrando. Para sua surpresa ele recebe uma carta de alguém que diz ser o assassino do Mercedes. Contando detalhes sobre o crime e incentivando o policial a entrar em um site de relacionamentos “Under Debbie’s Blue Umbrella” para que eles possam se corresponder. Poderia ser um trote de uma pessoa mal intencionada, mas Bill sabe que se trata dele por ter um emoticon de óculos escuros sorrindo na carta, o mesmo emoticon que foi deixado pelo assassino grudado em cima do símbolo do Mercedes após a sua fuga.

“Ainda revivo os ruídos daquele dia, o som dos ossos sendo esmagados e a forma como o carro sacudiu nos amortecedores quando passou por cima dos corpos. Se quiser poder e controle, é só pegar um Mercedes de 12 cilindros! Quando li no jornal que um bebê estava entre as vítimas, fiquei extasiado!! Arrancar uma vida tão jovem! Pense só em tudo que ela perdeu, hein?”

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Assim, conhecemos Brady Hartsfield, o nosso assassino. Ele quer destruir Bill e fazer com que ele tire a sua vida, mas o que ele não esperava era que tudo isso apenas fosse dar mais motivos para o policial aposentado seguir em frente e continuar nessa busca incessante por justiça. Aparentemente, Brady parece um cara normal, na casa dos 30 anos, que possui dois empregos, um em uma empresa de eletrônicos e outro como vendedor de sorvete, e que ainda mora com a mãe com quem possui um relacionamento um tanto quanto peculiar.

Bill parte nessa caçada por conta própria com ajudantes fora do comum. Seu vizinho Jerome, um gênio de 17 anos e Holly, uma mulher que possui vários problemas mentais e de ansiedade e que possui ligação com alguma pessoa que teve grande importância no caso do assassino do Mercedes. Isso vira um jogo onde um é o pescador que fica jogando a isca e o outro é o peixe. Mas a pergunta que fica é: quem é quem?


Minha opinião:

Se você espera um livro cheio de monstros e criaturas terríveis que está acostumado a ver nas histórias do King, para por aqui, pois o monstro desse livro é um humano bem real: Brady Hartsfield. Um assassino meticuloso e muito inteligente. O livro alterna entre o ponto de vista de Bill e Brady. No começo pensei que isso tiraria a graça do livro, mostrar quem é o assassino assim de cara, mas me enganei. Isso que deu toda a magia da história. Sabermos desde o começo e entrarmos na mente dele, quais os seus segredos, o que o motivou a isso e todo o passado que ele tenta esconder até de si mesmo. Ele é doentio. E ao adentrarmos nos seus pensamentos mais profundos percebemos que ele nunca foi uma pessoa normal e o relacionamento com a sua mãe é, no mínimo, muito estranho.

Brady é muito inteligente e astuto, ele executa o crime (quase) perfeito. Seu dia a dia, seus hábitos e seus pensamentos são narrados e nos perguntamos se existem monstros como ele por aí. O livro nos faz questionar como nos enganamos com as pessoas, elas podem parecer normais aos nossos olhos, mas ao mesmo tempo podem esconder pensamentos hediondos dentro de si. Ele é um legítimo psicopata. O ódio que ele possui é direcionado a todas as pessoas, incluindo a sua mãe, mas ele disfarça tudo isso muito bem. Brady sabe exatamente o que falar e como agir para convencer as pessoas e conseguir o que ele quer. Ele passa despercebido e isso é o que mais o deixa extasiado. Ser invisível para continuar arquitetando seus planos horripilantes.

“Toda religião mente. Todo preceito moral é uma ilusão. Até as estrelas são miragem. A verdade é a escuridão, e a única coisa que importa é fazer uma declaração antes de se entrar nela. Rasgar a pele do mundo e deixar uma cicatriz. É disso que se trata a história, afinal: cicatrizes.”

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Conforme a história avança observamos a transformação de Bill: ele deixa de ser aquele homem solitário com pensamentos suicidas e volta a ser o astuto policial que resolveu tantos casos. As partes que são narradas por ele nos mostram um cara solitário que nunca desistiu de um caso e que sempre foi exemplar em tudo aquilo que fez, por isso, é uma questão de honra prender esse psicopata. Ele sabe exatamente o que dizer para irritar o assassino. E se Brady se acha muito esperto, Bill vai provar que também é.

As referências presentes na capa ficaram perfeitas. Tanto pelo guarda-chuva azul, do site utilizado para a comunicação entre eles, quanto o carrinho de sorvetes que é usado por Brady. Além, é claro, do emoticon amarelo estrategicamente posicionado nos dois itens. Tanto na capa, quanto na contra capa. King é genial até na hora de lidar com as referências, pois ele consegue citar no texto outras obras dele que foram sucesso. Como IT e Christine.

Existem boatos de que o livro vai virar série com primeira temporada de 10 episódios pela Audience Network. O elenco seria composto por Brendan Gleeson, conhecido como o Olho-Tonto Moody dos filmes de Harry Potter, que deve interpretar o policial aposentado Bill Hodges, enquanto Anton Yelchin (Star Trek) fará o assassino Brady. Se isso realmente se confirmar, acredito que será um grande sucesso pois a escolha dos personagens não poderia ser melhor. Além, é claro, do livro ter todos os ingredientes para prender as pessoas do início ao fim.

O bom humor de King está presente como em todos os seus livros e deixa a narrativa um pouco mais leve. Passamos por momentos bem difíceis que não queremos acreditar que sejam verdade, (vale aquela dica de nunca se apegar a um personagem do King que eu já dei antes, ok?) e momentos de pura tensão que fazem com que a história avance rapidamente. É um livro razoavelmente grande, mas que pode ser lido em dois dias de tanto que ele prende o leitor que fica ávido pelo final, pois a todo momento pensamos que essa corrida contra o tempo não dará certo. E como podemos esperar tudo do mestre do terror, nunca podemos duvidar do que pode acontecer. Já estou ansiosa pelo segundo livro da trilogia, Achados e Perdidos, que promete ser tão maravilhoso quanto esse. Não deixe de ler!

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MR. MERCEDES

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação: 2016

Nas frigidas madrugadas, em uma angustiante cidade do Centro-Oeste, centenas de pessoas desempregadas estão na fila para uma vaga numa feira de empregos. Sem qualquer aviso um motorista solitário irrompe no meio da multidão em um Mercedes roubado, atropelando os inocentes, dando ré e voltando a atropelá-los. Oito pessoas são mortas, quinze feridos. Em outra parte da cidade, meses mais tarde, um policial aposentado chamado Bill Hodges é ainda assombrado por um crime sem solução. Quando ele recebe uma carta enlouquecida de alguém que se auto-identifica como privilegiado e ameaça um ataque ainda mais diabólico, Hodges acorda de sua deprimente e vaga aposentadoria, empenhado em evitar outra tragédia. Brady Hartfield vive com sua mãe alcoólatra na casa onde ele nasceu. Ele adorou a sensação de morte sob as rodas da Mercedes, e ele quer aquela corrida de novo. Apenas Bill Hodges, com um par de aliados altamente improváveis, pode prender o assassino antes que ele ataque novamente. E eles não têm tempo a perder, porque na próxima missão de Brady, se for bem sucedido, vai matar ou mutilar milhares.
Mr. Mercedes é uma guerra entre o bem e o mau, do mestre do suspense, cuja visão sobre a mente deste obcecado assassino insano é arrepiante e inesquecível.

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.