Mulher Maravilha: Sementes da Guerra – Leigh Bardugo

Mulher Maravilha: Sementes da Guerra foi escrito pela autora Leigh Bardugo, e é o primeiro livro da série Lendas da DC. O lançamento é de 2017 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

Diana é uma princesa amazona que vive em Temiscira, uma ilha escondida do mundo onde as guerreiras vivem em paz. Porém, ao contrário de todas as outras mulheres, que chegaram ali após seu esforço em luta, Diana foi feita por Hipólita, a Rainha. Isso faz com que a jovem se sinta insegura e também receba a implicância de várias das outras amazonas.

No dia em que uma competição está acontecendo e ela tem a oportunidade de provar seu valor, a princesa vê uma explosão ao longe e junto com ela um barco naufragando. Sentindo algo de errado, ela vai até o local e encontra uma sobrevivente: Alia Keralis. Rompendo as regras de Temiscira, ela leva a garota até a ilha para que ela se recupere até que Diana ache uma forma de tirá-la dali. Porém, as engrenagens já começam a girar e as consequências por seu ato é imediata. A ilha e as amazonas começam a padecer.

“Todos os livros antigos contavam histórias sobre pessoas que cometeram o erro de olhar pra trás. Ao deixar cidades em chamas. Ao sair do inferno. Apesar disso, Diana olhou para o navio que naufragava nas grandes ondas, todo inclinado, feito a asa quebrada de um pássaro.”

Ao questionar Alia, ela percebe que pode haver mais por trás da explosão do que apenas um acidente, o que adiciona mais risco ao retorno da garota. E, ao ir em busca de conselhos com o oráculo, é confrontada com algo muito maior e sombrio. Algo que parecia muito distante da vida serena e pacata que ela e as amazonas viviam. Entretanto, esse é exatamente o desafio que Diana precisa para se provar, mas para tal, terá de enfrentar o mundo real, além de lidar com as sementes da guerra, que assolam o mundo há milhares de anos e precisam ser detidas.


Minha Opinião

A série Lendas da DC apresenta a proposta de contar histórias diferentes tendo personagens marcantes como protagonistas. Cada um dos livros abordará um herói e será escrito por uma autora diferente. O primeiro, com a Mulher Maravilha, ficou a cargo de Leigh Bardugo, mesma autora da Trilogia Grisha (Sombra e Ossos, Sol e Tormenta, Ruína e Ascensão), e da duologia Six of Crows e Crooked Kingdom. O segundo livro, com a história do Batman, fica a cargo de Marie Lu da Trilogia Legend e da série Jovens de Elite. Já a Mulher-Gato será recriada por Sarah J. Maas, da série Trono de Vidro e Corte de Espinhos e Rosas, enquanto o Superman fica a cargo de Matt De La Peña.

O que me atraiu a ler esses livros foi o fato de três deles serem escritos por autoras que eu gosto e que acompanho o trabalho. Digo isso porque mesmo tendo alguns livros que trazem essa novelização dos super heróis, sempre fico um pouco de pé atrás de ler e encontrar algo que o descaracterize completamente pra mim. E, acho que para Leigh Bardugo, excepcionalmente por causa do lançamento do filme, essa era uma tarefa bem difícil.

O que vamos encontrar aqui é uma Diana adolescente. E, como qualquer adolescente, ela faz, pensa e sente coisas de alguém na sua idade. No começo, quando a vimos na ilha, ela é muito parecida com a imagem que temos de Diana, porém, quando levada ao mundo real, vemos um distanciamento da personalidade tradicional para flexionar a personagem a se encaixar no papel que ela deve cumprir aqui.

“Não estou com medo. Sou uma amazona e não tenho nada a temer.”

Eu, sinceramente, não consegui lidar muito bem com isso e, apesar de ter andado bem rápido entre as páginas, fiquei completamente desprendida dessa versão da heroína. Tudo aquilo que não faz parte de sua realidade como escolher o vestido do baile, se preocupar com garotos, lidar com “amigas”, acaba por saltar ao foco em vários momentos e a postura da personagem não é a que eu estou acostumada a ver.

E, sim, tenho plena consciência que esse é um problema completamente meu e não necessariamente do livro. A proposta da série parece ser trazer versões mais “teen” desses heróis que já são apresentado em postura mais séria e adulta. Porém como não é um encaixe de universo e mais um situação “paralela”, não funcionou pra mim. Ou seja, a personagem aqui não existe no mesmo mundo que a Diana do cinema, não é uma história que poderia ter acontecido antes e sim uma nova versão, um novo start.

Mas é claro que tem algumas partes engraçadas que rendem bons momentos dessa entrada de Diana no mundo contemporâneo, como já era de se esperar. Ela é uma amazona, viver numa ilha a vida toda, ela não conhece nada do “mundo real”, então tudo será uma novidade. E, nesses casos é onde mais vi a essência da Mulher Maravilha que eu conheço: na postura frente a descobrir essa nova realidade. Confrontativa, deslocada, mas segura.

“Não podemos evitar a forma como nascemos ou o que somos. Mas podemos escolher o rumo de nossas vidas.”

A trama também vai brincar com alguns mitos que são velhos conhecidos nossos, como por exemplo Helena de Troia e os acontecimentos narrados em volta disso. O vilão é incerto até o fim do livro, quando temos algumas reviravolta para apresentar a real faceta dos personagens. Eu não fiquei muito surpresa, porque estava achando o ar da coisa já um pouco estranho, mas acho que pode sim pegar algumas pessoas desavisadas.

Alia é negra e a autora trabalha isso levemente no livro. Aqui, temos uma personagem que é rica, então o preconceito enfrentado é um pouco diferente. Mesmo assim, achei interessante não ter colocado uma personagem branca tradicional ou ter feito de Alia uma jovem pobre ou marginalizada. É importante que, por mais que às vezes essa seja a maioria da realidade, ela não é total e precisamos nos desprender do preconceito apresentando outras versões onde as pessoas também se encaixam.

A edição está bem caprichada e a editora manteve a capa original, o que deve acontecer também com os outros livros. Minha inclinação, porém, a seguir lendo as histórias dessa série fica um pouco balançada por causa dessa primeira experiência, mas provavelmente, em função das autoras, vou ler pelo menos o de Marie Lu e o de Sarah J. Maas. Apesar que não consegui ver muito da voz de Leigh Bardugo aqui e a escrita me pareceu bem genérica.

Eu achei a história bem rápida de ler, mas além de fugir um pouco da personalidade que eu gostaria de ver, o tom juvenil me afasta do livro. Acredito que se você não tem esse impedimento ou gosta de livros com tom adolescente, pode sim aproveitar bastante o livro e curtir a história como um todo. Se você já leu, me conta aqui em baixo o que você sentiu sobre a leitura e como vê essa Diana bem mais jovem ;)

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MULHER MARAVILHA: SEMENTES DA GUERRA

Autor: Leigh Bardugo

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2017

Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana.
Filha da deusa Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal.
No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos. Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo. Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Karina Rocha

    Vi o filme da Mulher Maravilha recentemente,achei bem legal, foi lançado mais ou menos junto com esse livro, gostaria de lê-lo, mas como você abordou aqui na resenha, que o livro fala do lado mais adolescente da Diana, não sei se quero ler mais..rs..mas acho que por curiosidade, vou acabar lendo um dia!!

  • Thaynara Ribeiro

    Eu até curti o filme mas teve alguns momentos em que algumas mudanças na mitologia me incomodou um pouco. Fico com o pé atrás por ser mais adolescente o que me trava um pouco, mas amo super herois. Essas futilidades que a Diana se preocupa nessa fase adolescente acho que vai me incomodar um tantinho

  • Gabriela Souza

    Oi, Tami! Não sabia que essas histórias estavam sendo escritas em outra versão por autores diferentes. Desde já quero ler Mulher-Gato pq AMO a Sarah J. Mass. Achei a proposta dessa versão da Mulher Maravilha bem legal, e talvez eu não me incomode com o fato de ter um tom mais adolescente. Beijoss

  • Nathi

    Vendo seu vídeo-resenha, creio que não é uma leitura que eu deva fazer. Uma das razões é o aspecto juvenil que você mencionou, das futilidades que a Diana passa no decorrer da leitura, realmente não curti esse aspecto. E, além disso, eu também me apego muito às histórias originais dos Super-Heróis, não consigo me desprender. Obrigada pelos esclarecimentos <3

  • Natália Costa

    Não sei se gostaria completamente, pois essa parte adolescente vai totalmente contra o que conhecemos né? É complicado, te entendo. Também não sei se eu conseguiria me desprender da imagem que já possuo e do que já sei. Mas talvez seja legal. Não descarto de tudo! ^^

  • Kristine Albuquerque

    Logo que soube do lançamento desse livro, já quis ler – e realmente não sabia que seria uma séria. Te entendo perfeitamente, também me apego demais às histórias originais. Apesar disso, acredito que não me incomodaria tanto assim esse aspecto juvenil da Diana, e vou dar a oportunidade ao livro. Gostei demais do teu vídeo-resenha. Abraço! =)

  • Thais M. Costa

    Gosto muito da mulher maravilha, mas nao sei se esse tom juvenil iria me agradar tbm rs. A edicao esta linda . Vi o filme desse ano e gostei, so queria mais ação