Neve e Cinzas – Sara Raasch

Neve e Cinzas é da autora Sara Raasch e foi lançado no Brasil em 2016 pela editora Harper Collins.

Sobre o Livro

Primoria é dividida em 8 reinos, 4 ritmo e 4 estação. Cada um dos governantes desse reino possui um amuleto mágico, o Condutor, que é ligado a sua linhagem e gênero, e o usa para proporcionar a prosperidade do seu reinado e povo. Porém, os reinos Estação vivem um momento difícil. Angra, o governante de Primavera oprime a todos e, há 16 anos travou uma guerra com o Inverno, que dizimou e escravizou praticamente todo esse povo.

Dessa guerra escaparam da escravidão 25 invernianos, que agora já são bem menos que isso. Tentando sobreviver às sombras para que não sejam identificados, eles planejam aos poucos recuperar o medalhão de Inverno que está com Angra. Partido em dois, e sempre com suas partes em locais diferentes, é muito difícil por as mãos novamente no amuleto. Encontrar esse objeto é importante para que Inverno se reerga, porque o Príncipe Herdeiro, apenas um bebê na época, é um dos que sobreviveram e, sua única chance de ter alguma vantagem sobre o ditador primaveril é tendo o amuleto de sua linhagem em mãos. Porém, nem assim isso pode ser suficiente, já que a linhagem de inverno é feminina e Mather pode nunca conseguir invocar a magia mesmo tendo o amuleto inteiro e o sangue real.

“Uma tempestade de neve viva, um lembrete vibrante e branco de que não escravizaram todos os invernianos. Alguns de nós ainda estão vivos. Alguns de nós ainda estão livres. E alguns de nós estão a meio medalhão de retomar o reino.”

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Entre os outros sobreviventes está Sir William, que comandava o exército inverniano e ficou no comando dos fugitivos, Dendera, Alysson, Finn, Green, Henn e Meira, a única outra jovem do grupo. Ela cresceu com Mather sabendo que eles teriam um futuro de luta pela frente e que ele sendo o Príncipe e ela uma ninguém, jamais poderiam viver um romance. Porém, isso não impediu que o sentimento se desenvolvesse.

Enquanto os outros saem para buscar pistas, combater a Primavera e tentar achar soluções para liberar o povo inverniano, ela é mantida no acampamento, com atividades corriqueiras. Entretanto, um dia não há opção, e Meira será liberada em sua primeira missão que será justamente de tentar resgatar uma metade do medalhão, que foi finalmente localizado.


Minha Opinião

Eu estava super curiosa com o livro em função da capa chamar muito a atenção e de estar super bem falado lá fora, porém minha experiência com Neve e Cinzas foi extremamente conflitante e enquanto amei certas coisas outras foram muito clichês ou previsíveis, prejudicando um pouco o resultado final.

A coisa mais legal do livro é com toda a certeza o mundo e a organização política e mágica determinada. Gosto bastante das divisões de reinos, principalmente dos Reinos Estação que é onde o foco desse primeiro livro está. As quatro estações ficam ao sul desse continente e cada um dos reinos possui as características da estação que representa, não só no clima, mas também alterando a estrutura física de seu povo. Por exemplo, os invernianos possuem a pele muito clara e o cabelo branco, portanto podem ser identificados somente com um olhar e o território é frio e com gelo, me lembrando um pouco o cenário de Frozen ou de Winterfel da série As Crônicas de Gelo e Fogo.

Além dessas características, também é possível perceber que há uma pequena rixa com os Reinos Ritmo e que eles não conversam muito entre si, ficando cada um no seu canto. Isso faz com que Outono e Verão fiquem também a mercê de um possível ataque de Primavera se o momento chegar, já que nenhum dos dois reinos possui estabilidade ou poderio para ir contra o Rei Angra. E, sendo assim, nenhum deles tem verdadeiramente o poder para ajudar Inverno e seu povo a se reerguer.

O fato de os Condutores serem ligados não só às linhagens de sangue mas também de gênero me deixou encantada. Além da divisão de quatro e quatro quanto aos reinos, isso também acontece com relação aos gêneros. Temos quatro reinos com condutores de linhagem feminina e quatro reinos com condutores de linhagem masculina, o que impõe um obstáculo a mais na linha de sucessão, já que aparentemente o que importa é o filho que nascer com o gênero certo primeiro.

Esse fator gera um dos conflitos interessantes do livro que é sobre o Príncipe Herdeiro Mather. Mesmo que ele recupere as duas partes do amuleto do Inverno, que pertencia a Rainha e sua mãe Hannah Dynam, será que isso realmente vai ajuda-lo a libertar seu povo? Não há nenhuma evidencia de que ele poderá controlar o poder do Condutor, pois ele não possui todos os requisitos, ele é um homem em uma linhagem de poder feminina. Mas, apensas de tudo, ele treina e se esforça muito para estar a altura do título e da esperança que as pessoas tem nele.

“Quanto tempo levou para que parassem de esperar que os libertássemos? Quanto tempo levou até que a tortura de Angra tirasse das mentes deles a esperança de uma fuga? Quanto tempo levarei para sentir o mesmo?”

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O povo de Inverno foi escravizado e vive em condições horríveis na mão do Rei da Primavera. Ele os pôs para fazer trabalho escravo e os mantém em constante exaustão, dos mais velhos às crianças. Porém ainda há uma chama entre eles. Eles sabem que o herdeiro do trono está vivo e que em algum momento ele pode aparecer e os resgatar.

Porém, Mather não é o protagonista da história e sim Meira, a garota órfã que cresceu entre os sobreviventes e que mesmo nunca tendo visto sua terra, nunca tendo posto os pés em Inverno, sabe da importância de encontrar as duas partes do amuleto e retomar o que é dos invernianos por direito. Meira tenta se manter útil, mas é sempre deixada de lado e isso a irrita profundamente. Porém, ela terá o seu papel na história e, quando revelado o que ela terá que fazer, não fica exatamente satisfeita.

“Tenho sido tão egoísta, não tenho? Egoísta e limitada e errada, porque queria ser importante para Inverno, mas do meu jeito.”

Essa é sem dúvida a personagem com quem mais eu tenho conflito e, ela ser a principal não ajuda. Primeiro ela consegue ter um sentimento de “mimada” em um mundo onde ela é oprimida. Ela quer ajudar a sua terra, mas só fazendo as coisas que ela quer, que lhe deem glória. Se significar sacrifício é hora de fazer o drama e por o beicinho pra frente, sem realmente parar, pensar, e tentar encontrar uma forma de raciocinar a situação. Esse fato, aliada a situação mais clichê IMPOSSÍVEL que é de ela se apaixonar pelo Príncipe que ela jamais poderá ter porque ele casará por aliança, fez com que eu ficasse extremamente desgostosa da garota.

É claro que ela melhora com o decorrer do livro, mas ainda assim deixa bastante a desejar em termos de carisma. O que ela pensa, como a quote elencada a cima, muitas das vezes não condiz com o que ela faz e, por mais que constate que as vezes é um pouco egoísta demais, segue agindo da mesma forma. Seu crescimento acontece bem ao fim do livro, quando parece que ela “se toca” do que está acontecendo, mas não tenho certeza se a maturidade irá se firmar no segundo livro ou se ela perderá novamente a linha correta de agir.

Mas essas coisas não são inéditas de livros de fantasia, temos a mesma coisa acontecendo nos dois primeiros volumes de A Queda dos Reinos, por exemplo. O que realmente me desanimou foi ter sacado a história antes de alcançar a página 100. Eu vi muitas resenhas de gente que achou o livro muito bom e que se surpreendeu super com o desfecho. Adorei ler que eram pessoas que estavam começando na fantasia pois sustenta exatamente a minha linha de pensamento. O que acontece no fim desse livro não é inédito de Sara Raasch, mas também não está escancarado para qualquer um ver, o problema é que eu leio muito do gênero e, como qualquer gênero, tem seus próprios clichês e coisas que se repetem.

“Um dia seremos mais do que palavras no escuro.”

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Quando alguns flashbacks são inseridos eu formulei duas teorias. Ao fim do livro vi que ambas haviam se confirmado e que era um mix das opções que eu pensei. Para quem não lê muita fantasia ou não leu livros específicos onde algumas coisas semelhantes acontecem, tenho certeza que a experiência será bacana e que você pode se surpreender muito com o livro. Mas, se você é uma ursa velha dos mundos fantásticos assim como eu sou, prepare-se para matar a charada antes da metade do livro e, depois q o final chegou, pareceu ainda mais óbvio que eu fico pensando como que até quem não tem as manhãs não percebe o que está rolando. Mas enfim. É a experiência de cada um e eu acabei tendo o mesmo sentimento de quando eu li A Maldição do Vencedor, outro livro super hypado, que me entregou uma história nada surpreendente com um final previsível. Ambos os livros são bons, mas a relação leitor-história vai depender da sua bagagem literária, anota ai.

A estrutura política e mágica do livro é lindamente construída, a trama é interessante e esse é provavelmente um dos universos fantásticos que eu mais adorei conhecer em 2016, mas o livros tem muitos “poréns” para serem ignorados por mim e isso me deixou bem triste. Vocês conseguem ver o conflito? Eu sempre brigo por os livros não trabalharem bem seus universos e focarem em romances ou histórias paralelas e aqui temos um mundo muito legal que acabou tendo o seu valor ofuscado pela possível obviedade da solução do dilema do livro e por problemas com as personalidades e enredos dos personagens.

Aos leitores não calejados tenho certeza que o livro passará uma história muito bacana, como vi acontecer pelas resenhas que já vi saindo, mas acredito bastante no potencial da série e que ela poderá surpreender daqui pra frente. Há muitas coisas que podem acontecer a partir do final de Neve e Cinzas e espero poder ver um tom mais maduro na continuação, tanto da parte de desenvolvimento da trama, quanto do perfil dos personagens.

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NEVE E CINZAS

Autor: Sara Raasch

Editora: Harper Collins

Ano de publicação: 2016

Dezesseis anos atrás o Reino de Inverno foi conquistado e seus cidadãos, escravizados, sem família real e sem magia. A única esperança de liberdade para o povo do reino jaz nos oito sobreviventes que conseguiram escapar, e que seguem esperando uma oportunidade para recuperar a magia de Inverno e reconstruir o reino. Meira, uma órfã desde a derrota de Inverno, passou a vida inteira como refugiada, criada por Senhor, o general dos inverninos. Treinando para se tornar uma guerreira — e desesperadamente apaixonada pelo melhor amigo e futuro rei, Mather —, Meira faria qualquer coisa para ajudar o Reino de Inverno a retomar seu poder. Então, quando espiões descobrem a localização de um medalhão antigo capaz de devolver a magia ao reino, Meira decide ela mesma encontrá-lo. Finalmente ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos como sempre sonhou. Mas a missão não sai como planejado, e logo Meira se vê mergulhada em um mundo de magia maligna e poderosos perigosos. De repente, ela percebe que seu destino não está, e nunca esteve, em suas mãos.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Lili Aragão

    Oi Tamirez, eu gostei muito de ler a resenha desse livro porque ele tá na minha geladeira (esperando pra ver se compro e leio) e acho que vai continuar. Eu adiei a leitura pois eu tava acompanhando algumas trilogias, entre elas A maldição do vencedor que não foi tão bom quanto eu esperava, e não queria ficar num gênero só, eu gosto de ler vários tipos de livros. Lendo sua resenha eu percebi que a personalidade de Meira vai mais me irritar do que agradar, pelo menos nesse primeiro livro, mas acho que o fato dela ser adolescente (ela é né?! acho que você não disse a idade dela) deve contribuir pra suas atitudes um tanto quanto mimadas, por isso vou aguardar o lançamento dos outros livros dessa trilogia e caso o saldo seja positivo, ler tudo de vez, arrancar o band-aid haha. A capa é linda, mas me diga uma coisa a narração é só de Meira?

  • Lara Caroline

    Oi Tamirez!
    Eu gostei bastante da resenha e principalmente do livro. Adoro estórias que falam sobre reinos e a luta entre eles e tals. Esse livro me lembrou um pouco bem de leve Game Of Thrones por causa do inverno e dos reinos, mas parece que a estória é diferente. Eu gosto de fantasias e este livro adicionei a minha lista de desejados. Achei a capa bem bonita.
    Beijos

  • Thaynara Ribeiro

    só pela sinopse a primeira coisa que pensei foi Divergente e Jogos Vorazes rsrs
    Gosto desse tipo de livro, apesar de não ser o gênero que mais tenho o hábito de ler. Por não ter intimidade com fantasia, acho que cada página seria uma surpresa para mim

  • ADRIANA HOLANDA TAVARES

    Além da maravilhosa capa, me sentir completamente fascinada por toda esta fantasia e mitologia que existe na trama e claro, mas fiquei confusa com a sua frustração. Os personagens que mostram ser muito bem desenvolvidos, adorei a ideia de separar as estações. Pelo que vc falou me irritaria também as partes clichês, masssss…
    Mais um intrigante livro que necessito possuir *-*

  • cristiane dornelas

    Achei bem interessante essa ideia do livro e fiquei com vontade de ler quando vi. E pelo jeito de caracterização de lugar, a ambientação e organização, ele é muito bom. Uma pena que a personagem não seja tão carismática e caia num clichê bonito ali com aquele príncipe. Mas ah, ainda tem muito história pela frente e tempo para ir melhorando. Acho que vale a pena ler e que é uma história criativa, até. Deve ser bom de ir acompanhando e conhecendo esse mundo dela.

  • Bruna Prata

    Essa fantasia e a divisão por estações mexeram comigo. Achei bem interessante, principalmente pelo inverno ser minha estação favorita (nada haver, é eu sei). Fiquei com um pé atrás por causa das frustrações, pois esse me parece ser aquele tipo de livro com altas expectativas.

  • Daiele

    Essa capa e esse titulo são muito chamativos, pois são lindos!
    Gostei bastante dessa premissa, apesar de no começo ficar um pouco perdida, mas agora ja me achei haha. E concordo com vc Tami, não há nada mais clichê do que isso em um livro de fantasia, e acrescentar um triangulo amoroso me cansa muito, mesmo vc dizendo que foi algo bom para a historia haha.
    Eu amo fantasia, mas não li tantas assim, talvez pra mim seja uma boa leitura, quem sabe?!

    Bjs

  • Oi, Tamirez!
    Já tinha visto você falar dele em vídeo de leituras e entendo que a sua experiência foi diferente por ler livros do gênero com frequência. Eu geralmente uso você como parâmetro, mas como eu não leio tantas fantasias assim, imagino que a minha experiência vá ser bem diferente (eis a questão se boa ou ruim). Gostei que a parte política do livro seja bem desenvolvida, mas não suporto personagens mimados, então a Meira seria uma grande pedra no meio do caminho…

  • Marta Izabel

    Oi, Tamirez!!
    Como não conheço muito a história do livro e também não o li e ainda não vi outras resenhas desse livro não tenho um opinião formada sobre ele a unica coisa no momento que posso dizer é que a capa chama muita atenção e sinopse pelo que li gostei muito.
    Beijoss

  • Alison de Jesus

    Confesso que fiquei um pouco decepcionado depois de ler a resenha,minhas expectativas eram muito altas para ler este livro,no entanto ainda estou curioso para desvendar este universo mesclado com magia e confrontos políticos.Beijos.

  • suzana cariri

    Oi!
    Já tinha visto esse livro antes e a capa logo me chamou atenção, mas ainda não tinha parado para ler sobre a historia e lendo a resenha parece que ela tem muito potencial, principalmente pelo amadurecimento da personagem mesmo não sendo muito, fiquei curiosa para saber mais sobre esse mundo que parece ser fascinante e estou curiosa sobre essa historia !!