O evangelho de Loki – Joanne M. Harris

O Evangelho de Loki é um livro da autora Joanne M. Harris e foi publicado pela editora Bertrand Brasil em 2016.

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Sobre o livro

A história do Deus trapaceiro narrada por ele mesmo, e de um jeito todo particular, Loki nos apresenta a sua versão dos fatos. Desde quando existia somente o vazio e a escuridão, até a criação do primeiro homem, Buri que era pai de Bór, que por sua vez era pai de Odin, Vili e Vé e finalmente a criação dos Reinos Médios com o que restou.

Loki conta como os deuses viviam em Asgard, dos conflitos que existiam entre os diversos povos que conviviam com eles, desde o povo do gelo, o povo da pedra, o povo dos túneis e também as criaturas sombrias, como bruxas e lobisomens que estavam sempre a espreita de tudo. Vários atritos ficam evidentes entre esses povos e as disputas por poder eram inevitáveis. Odin, também conhecido como o Caolho, o Ancião e Pai de Todos, procura encontrar uma maneira de conseguir aliados para lidar com esses percalços que aparecem no seu caminho, principalmente com a feiticeira Gullveig-Heid, que se revela uma grande inimiga. Nessa sua jornada em busca de companheiros, ele acaba por encontrar o Incêndio, nosso Loki, que é uma espécie de demônio que vive no Caos. Odin oferece uma aliança que Loki aceita e promete fazê-lo Deus.

Contrariando tudo que foi prometido por Odin, nem todos aceitam Loki e ele acaba sendo recebido com hostilidade. Além de experimentar sensações que eram desconhecidas para ele, pois precisa adquirir sua forma humana de cabelos vermelhos para se relacionar com os outros. Apesar das desconfianças, ele passa a dar conselhos e ensinar trapaças para Odin, cria animosidades entre todos e vê em Thor, filho de Odin, e Heimdall, o guardião, grandes inimigos. Mas, apesar de gerar desconfiança, ele consegue sobreviver e possui um jeito especial de enganar e levar todos na conversa para que consiga tudo que ele deseja.

“Existe certa pureza na vingança, ao contrário das outra emoções que tive que suportar no mundo de Odin. Inveja ódio, dor, medo, remorso, humilhação – todas elas confusas, dolorosas e bem extraordinariamente sem sentido -, mas agora, enquanto descobria a vingança, era quase como estar em casa novamente.”

Ao perceber que jamais será aceito e nem transformado em Deus como prometido, Loki passa arquitetar a sua vingança. Ele joga com cada um dos deuses e não tem escrúpulos para conseguir o que quer. Assim, ele passa a narrar várias situações pelas quais passou e como fez para ludibriar todos os envolvidos no seu plano.

O trapaceiro descobre a fraqueza dos deuses e passa a semear a discórdia, o que antes era feito como diabruras de um demônio que não via maldade no que fazia, agora passa a ser algo levado para o pessoal e as consequência podem gerar danos inimagináveis. Entre traições, batalhas épicas, profecias e a chegada do Ragnarök, encontramos as peças que faltavam para a compreensão da profecia final ditada pelo Oráculo. Uma história onde não temos um mocinho e que ficamos tentados a sermos condescendentes com o que, até então, era visto como vilão. Nem desconfiamos que tudo isso vem sendo arquitetado há muitos anos por quem nem imaginávamos.


Minha opinião

Impossível não se apaixonar pelo odiado Loki. De uma maneira toda particular ele fala diretamente com o leitor e narra tudo do seu ponto de vista de maneira bem informal e dialogando conosco como se estivéssemos na sua frente. Carregado de bom humor e de toda a confiança que ele exala e que, por vezes, tende a ser bem prepotente. A história possui uma divisão bem interessante, são 4 livros: Luz, Sombra, Pôr do Sol e Crepúsculo, e cada um conta com lições, como se realmente fosse um evangelho sobre ele.

No primeiro livro ele passa lições sobre tudo e todos que não devemos confiar e no restante ele apresenta situações vivenciadas por ele e que levaram até o desenrolar dos fatos finais. A todo o momento se nomeando como “Aquele que Vos Fala”, Loki prende o leitor na sua trama de mentiras e nas histórias cheias de segredos e que mostram o lado mais oculto dos deuses.

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Logo no início do livro temos uma lista com os nomes dos deuses e figuras importantes que passam pela história, todos descritos pelas palavras do nosso ardiloso mentiroso e com comentários sarcásticos que são próprios dele. O livro narra como ele arquitetou e executou cada uma das suas vinganças.

“Dizem que vingança não vale a pena. Eu digo que não existe nada melhor.”

Outro personagem que adquire grande importância é Thor, o gigante que sempre é questionado quanto a sua inteligência, acaba sendo uma peça nas mãos de Loki por diversas vezes. Em alguns momentos em que acreditamos que a paz reinaria entre eles, são as passagens que mais apresentam humor, principalmente pelo Deus do trovão que possui um raciocínio um tanto lento e que nas mãos do inteligente trapaceiro passa por situações que o deixam ainda mais irritado que o normal.

No começo o livro me prendeu muito, principalmente pela envolvência da fala de Loki. Na metade do livro, quando ele começa a contar algumas história isoladas que aconteceram, pois o livro não segue bem uma cronologia exata, a história se torna meio maçante, entretanto no final, quando o livro apresenta o que realmente ele trata, a vingança, ficamos presos até o desenrolar total dos fatos. Por muitas vezes a impulsividade de Loki nos deixa consternados e tentados a nos virarmos contra ele, por outras, acreditamos que os deuses foram injustos com ele e que Odin no alto de sua arrogância e prepotência, deixou de evitar uma catástrofe por conta do seu orgulho.

Senti falta de um mapa no livro, pois passeamos por diversos lugares e reinos onde vivem as mais variadas espécies. Apesar dos detalhes que são oferecidos para que possamos formular na nossa cabeça, um mapa seria essencial para nos guiarmos nas viagens que são empregados a todo o momento por eles. Esse foi um dos motivos que me levou a dar quatro estrelas para ele. Fora isso, a capa comporta elementos da criação dos mundos e sua diagramação é bem elaborada para a fluidez da leitura. E essa divisão entre livros e suas lições, além da fala direta do protagonista com o leitor, contribui muito para que a história ficasse envolvente.

Esse é um livro para aqueles que amam os que sempre foram conhecidos como os vilões e adoram ver o que eles tem a dizer em sua defesa. Sem esquecer que aqui temos o maior trapaceiro e mentirosos dos Deuses, que sempre conseguiu ludibriar a todos e realizar seus intentos. Para quem gosta de deuses e seus lados mais profanos, com muitas traições e disputas por poder esse é o livro perfeito.

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O EVANGELHO DE LOKI

Autor: Joanne M. Harris

Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2016

Com sua notória reputação para trapaças e enganações, Loki é um deus nórdico sem igual. Nascido demônio, é visto com profundas suspeitas por seus companheiros deuses, que jamais o aceitarão como um deles; por conta disso, Loki promete se vingar. Mas enquanto o deus-demônio planeja a derrocada de Asgard e a humilhação dos seus opressores, poderes maiores conspiram contra os deuses e uma batalha é arquitetada para mudar o destino dos Mundos. Do recrutamento por Odin do reino do Caos, através dos anos como solucionador de problemas de Asgard, até a perda do seu posto no desenrolar para o Ragnarök, este é o Evangelho de Loki, a sua longa e curiosa versão da história — e se alguém disser o contrário, não acredite!

É colaboradora do Resenhando Sonhos.
Natural de São Sepé, atualmente morando em Santa Maria.
Formada em Gestão da TI pela URCAMP e cursando Produção Editorial na UFSM.
Apaixonada por livros, Johnny Cash e cachorros.