O Maravilhoso Bistrô Francês – Nina George

O Maravilhoso Bistrô Francês é um livro da escritora Nina George. Sua publicação é de 2017 pela editora Record.

Sobre o Livro

Foram muitas décadas vivendo uma vida vazia de sentido, de amor, de propósito e em um casamento infeliz, mas esses dias não durariam muito mais. Marianne decidiu que pularia da ponte diretamente no Sena e que isso daria um fim à uma existência completamente cinza. Ela pula, se joga nas águas geladas e se afoga na decisão que tomou; mas é resgatada por um homem que fala em um idioma que ela não entende, e que ainda assim acredita que a vida dela vale a pena. Mesmo que ela própria duvide disso.

A senhorinha aceita esse salvamento como uma última oportunidade de fazer algo capaz de deixá-la minimamente satisfeita  antes de uma nova – e quem sabe definitiva – tentativa de tirar a própria vida.  Usando um azulejo pintado como mapa, ela desbrava cidadezinhas francesas ao sair em busca da paisagem bucólica e impressionante retratada pelo artista naquele pedaço de cerâmica. O que ela não esperava era que, ao chegar no lugar que julgara que seria seu túmulo, uma vontade de viver nascesse dentro dela. Muito tímida, a princípio, mas que passou a ser cultivada e regada por cada pessoa nova que conheceu, cada aroma que sentiu e sabor novo que experimentou, de modo que floresceu e mostrou à ela o que significa ser feliz de verdade.

“Eu queria ter afundado nele – disse Marianne, baixinho. – Teria enterrado tudo. Primeiro, teria me arrastado para longe, e depois me esqueceria. Assim deveria ter sido. Eu buscava a morte.
_ Mas então? – Perguntou Pascale, temerosa.
_ Então a vida se intrometeu.”

Então, quando Marianne descobre pela primeira vez como viver, sentir-se bem e feliz consigo mesma – e com um novo amor , quando tudo parece estar bom demais para ser verdade, uma parte do passado que ela quis esquecer simplesmente retorna; trazendo de volta sentimentos que a acompanharam por muito tempo: dúvida, medo, insegurança… E uma vontade inexplicável de aceitar menos do que merece, do que deseja. E agora? Será tarde demais para mudar de vida novamente? Será cedo demais para rejeitar o amor que gostaria de ter e em detrimento disso colocar no lugar uma relação que não oferece nada além de mais do mesmo?


Minha Opinião

O Maravilhoso Bistrô Francês foi o primeiro livro que li este ano. Comecei de maneira muito despretensiosa, sem grandes expectativas, imaginando que seria um livro bem fofinho assim como o primeiro livro desta autora lançado por aqui. Confesso que mesmo sem saber escolhi o melhor livro que poderia ler neste começo de ano, aquele tipo de história que vai de encontro a todos aqueles sentimentos que costumam habitar nosso peito quando percebemos que essa virada no calendário representa uma série de novas oportunidades de fazer as coisas de maneira diferente. Fazer tudo de maneira melhor.

Claro que isso não fica claro no começo, quando a protagonista sessentona decide acabar com a própria vida. Que vida? Era a pergunta que ela se fazia antes de colocar os sapatos de lado, junto com sua bolsinha, e pular da Pont Neuf diretamente no que ela acreditava ser o fim de uma existência medíocre. Digo isso porque durante décadas ela viveu à sombra do próprio marido, um homem grosseiro, opressor, que reduzia sua esposa a uma poça de desgosto estendida no chão como um tapete no qual ele gostava de pisar. Não havia carinho ali, muito menos amor de qualquer tipo. Quando digo isso, englobo também amor próprio, que há muito tempo não dava as caras na vida de Marianne.

“Quantos desvios, atalhos e mudanças definitivas de rota uma mulher pode tomar até encontrar seu caminho – e só porque ela se adapta cedo demais, cai cedo demais na corda bamba do código moral, defende-se dos velhotes tarados e de suas carrascas, as mães que queriam para as filhas apenas os mais valorosos. E perde um tempo imenso se refreando para se ajustar às convenções! “

Ela não se arrumava, andava encolhida, não se permitia fazer o que tinha vontade sempre com receio do que achariam, sempre acreditando que não merecia. Quando ela acorda nua em um barco, no meio do mar, decide que nada pode ser pior do que tudo aquilo que já viveu, então deixa a sorte guiar seus passos e coloca como meta visitar o lugar que foi pintado no azulejo, uma cidade que aparenta ser linda e que por isso daria uma ótima última visão antes da morte. Ela tentaria suicídio de novo, estava decidido.

A senhorinha pequena começa a trabalhar em um pequeno bistrô, com um chefe de cozinha apaixonado por uma garçonete sonhadora. A dona do restaurante é a elegante e enigmática francesa de coração aparentemente gelado, que também mantém uma pousada, fechada por tempo demais. Se adicionarmos a esta equação uma sacerdotisa à beira da demência, com um marido ranzinza mas ótimo conselheiro, temos formado o grupo de personagens mais loucos, fofos, fortes e profundos que eu já tive o prazer de conhecer. Neste lugar afastado de tudo, uma velha senhora descobre que  nunca é tarde para voltar, ou, no caso dela, começar a viver de uma maneira mais leve, mais feliz e mais completa.

“E tudo começa quando a pessoa se arrisca pela primeira vez, falha e percebe que sobreviverá ao fracasso. Sabendo disso, ela arrisca tudo.”

Falando sobre as coisas simples da vida, que costumam ganhar força e se transformar naquilo que nos fortalece e nos motiva a seguir em frente, Nina George conta uma história sensível, romântica e divertida sobre as oportunidades que devemos aproveitar caso o objetivo seja encontrar sentido na própria existência. Enchendo o leitor de referências ao país, sua culinária, cultura e crenças, a autora apresenta uma Bretanha rica em detalhes que me cativou e me fez sentir vontade de conhecer mais sobre seu povo e suas particularidades. Eu ri, chorei, suspirei, e refleti bastante durante essa leitura, que de maneira muito leve promove reflexões acerca do nosso medo de tentar (aquele medo que às vezes nos faz travar, sabe?), nosso medo de errar, nosso medo da opinião alheia, e tudo aquilo que deixamos de sentir e viver justamente por dar mais importância ao que tememos do que ao que desejamos.

Esse é um livro que indico para todos os tipos de leitores, mas, principalmente, para aqueles que não se importam de embarcar em uma narrativa que foge dos padrões de romance que vemos por aí. Aqui não temos CEOs sensuais e sedutores, muito menos mocinhas perfeitas e melindrosas. Os personagens aqui são em sua maioria mais velhos, e talvez por isso sem tanta necessidade de fazer cerimônia. No meu ponto de vista, essas características foram muito assertivas e combinaram perfeitamente com o livro, deixando a narrativa sincera e acolhendo o leitor de tal maneira que a gente sente como se fosse possível pegar na mão de cada personagem, sentar ao seu lado e dizer que tudo bem, a gente entendeu que a vida merece ser vivida e aproveitada em seus mínimos detalhes. E que momento melhor para renovar essa fé de que vale a pena seguir em frente e fazer valer a pena do que um começo de ano, não é mesmo? Eu comecei muito bem esse 2018 ao escolher este livro. E vocês?

O MARAVILHOSO BISTRÔ FRANCÊS

Autor: Nina George

Editora: Record

Ano de publicação: 2017

Marianne Messmann está presa num casamento sem amor e não vê a hora de pôr um fim em tudo. Durante uma viagem a Paris, ela sobe na Pont Neuf e se joga no Sena, mas é salva do afogamento por um passante. Em seguida, é levada para o hospital e lá vê um azulejo pintado com a linda paisagem de uma cidade portuária da Bretanha. Inspirada pela pintura, ela decide embarcar em sua derradeira aventura. Ao chegar à Bretanha, Marianne entra num restaurante chamado Ar Mor (o mar) e é arrebatada por um novo e encantador modo de viver. Lá ela conhece Yann, o belo pintor, Geneviève, a enérgica dona do restaurante, Jean-Rémy, o chef perdido de amor, e várias outras pessoas que abrem os olhos dela para novas possibilidades. Entre refeições, músicas e risos, Marianne descobre uma nova versão de si mesma — apaixonada, despreocupada e forte. Porém, de repente, seu passado chega para confrontá-la. E, quando isso acontece, ela precisa decidir entre voltar para sua vida antiga ou abandoná-la de vez em nome de um futuro promissor e empolgante. O maravilhoso bistrô francês é uma jornada dos sentidos, com refeições suculentas e paisagens estonteantes. Uma história recheada de poesia, beleza, sensibilidade, romance, erotismo e segundas chances, que nos mostra que não existe idade para recomeçar e ser feliz.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.