O Melhor Que Podíamos Fazer – Thi Bui

O Melhor Que Podíamos Fazer é um quadrinho de Thi Bui, lançamento da Nemo em 2017.

Sobre o Livro

Thi Bui e sua família fugiram do Vietnã Sul na década de 70 em busca de uma vida melhor e com mais liberdade. Enquanto em alguns casos isso poderia significar somente felicidade, reconstruir a vida e lidar com as sombras do passado não foi algo fácil para essa família, e a jovem, que era apenas uma criança na época, relembra o passado com cuidado.

“Proximidade e estar perto não são a mesma coisa.”

A história da mãe e do pai, pessoas saídas de mundos diferentes e o que os levou a se conectar. O seu nascimento e o dos irmãos. As perdas, as dificuldades e as conquistas. Tudo isso narrado em traço a partir do momento em que uma nova luz ganha vida.


Minha Opinião

Eu tenho um ponto fraco com histórias que envolvem algum tipo de guerra ou conflito. Começou com a 2ª Guerra Mundial e aos poucos eu fui expandindo meu interesse até outros acontecimentos. No caso de O Melhor Que Podíamos Fazer, o foco está na queda do Vietnã Sul, durante os anos 70 e o fato de que as pessoas que passaram por esse conflito foram expostas à condições péssimas e muitas vezes caçadas.

A história vai se fixar na jornada dos membros da família, mas principalmente de Thi Bui e dos pais. Vamos e voltamos no tempo de acordo com o ponto que a narrativa quer contar e descobrimos no background dessas pessoas o que as faz ser como elas são.

A mãe veio de um lugar, mudou muito ao longo dos anos. O pai também. De uma família mais podre viu muitas coisas acontecerem e teve momentos de muita escuridão em sua vida, muitos deles presenciados pelos filhos e marcados na memória de Thi. Ela, enquanto remonta seu passado, uma a consultoria dos dois, dentro dos seus limites, para entender melhor tudo o que aconteceu.

Com uma vida separada e estruturada, professora de escola pública e tendo estudado artes e direito, Thi Bui se adaptou à realidade americana sem esquecer suas origens. Por isso, achou que seria importante retratar sua história e a jornada que marcou a vida de sua família.

Eu não sabia muito bem o que esperar e gostei do que encontrei. Não há uma linearidade total na história e nem somente algo de um ponto de vista só. A autora escolheu apostar em captar fragmentos para montar algo mais conciso e que pudesse passar ao leitor uma visão mais completa de quem eram aquelas pessoas que estavam sendo retratadas nas páginas.

O propósito não é chocar, mas sim contar como pessoas normais podem ter suas vidas completamente marcadas por situações assim. Há momentos muito tristes e outros onde se vê que há um esforço para seguir em frene, buscar algo melhor. É tocante ver a vida do outro como um todo e enxergar como poderia ter sido diferente se a guerra não tivesse cruzado o seu caminho.

O traço é simples e ao mesmo tempo consegue passar exatamente a aura mais sombria daquela realidade. Toda a HQ é trabalhada em preto, branco e laranja avermelhado com suas nuances e acho que a combinação cumpriu o seu papel.

Eu ainda sou novata com HQs, mas cada vez que me aventuro em uma nova história vejo o quão fica pode ser a experiência de não só ler mas também ver um pouco do que está sendo descrito através dos quadros.

O Melhor Que Podíamos Fazer é uma história bonita e tocante sobre seguir em frente consertando aos poucos aquilo que foi quebrado com o tempo e pela vida. É uma lição e uma visão sobre as nuances de uma família que teve seu país devastado e que se obrigou a se adaptar a uma nova cultura, moldando o seu espaço e as suas atitudes a essa nova realidade.

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O MELHOR QUE PODÍAMOS FAZER

Autor: Thi Bui

Editora: Nemo

Ano de publicação: 2017

Esta é uma história sobre a busca por um futuro melhor e saudosismo pelo passado. Explorando a angústia da imigração e os efeitos duradouros que o deslocamento tem sobre uma criança, Bui documenta a difícil fuga de sua família após a queda do Vietnã do Sul, na década de 1970, e as dificuldades que enfrentaram para construir uma nova realidade. O melhor que podíamos fazer traz à vida a jornada de Thi Bui em busca de compreensão e fornece inspiração a todos aqueles que anseiam por um futuro melhor enquanto recordam o passado de privações.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.