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O Ódio Que Você Semeia (2018) | Crítica

Adaptação do livro O Ódio Que Você Semeia, já resenhado aqui, o filme foi dirigido por George Tilmman Jr. e é estrelado por Amandla Stlenberg, Regina Hall, Russell Hornsby, entre outros. Foi exibido pela primeira vez no Brasil durante o último Festival do Rio, em Novembro, e tem estreia nacional prevista para Dezembro de 2018.

Starr sente-se dividida entre dois mundos: o mundo da escola particular, majoritariamente branca, onde estuda e o mundo majoritariamente negro e pobre do bairro onde vive com sua família. Ela tenta navegar entre os dois se mostrando sempre como o que se espera dela em cada um deles, modelando sua fala, suas roupas e seu comportamento de acordo com o ambiente onde está.

Porém, quando vê o seu amigo de infância, Khalil, ser assassinado por um policial branco em uma abordagem policial bastante questionável, ela vê seu equilíbrio cuidadosamente construído desmoronar. A personagem começa a ser posta contra a parede pelas circunstâncias e terá que escolher entre defender seu amigo e lutar por justiça e manter-se segura, continuando a ser o que se espera dela.

No que diz respeito a comparações, a adaptação acaba deixando muita coisa de fora, principalmente os outros aspectos da vida de Starr, como seu relacionamento com o meio irmão Seven e com seu namorado branco, Chris. O que, em termos de atuação, favoreceu muito o filme, já que a atuação de K. J. Apa (Riverdale), intérprete do personagem Chris, é sofrível, enquanto Amandla Stenberg parece ter nascido para interpretar Starr, tornando-se, sem dúvida, um dos pontos altos do filme.

Embora eu tenha sentido falta de muitas coisas, que são exploradas com mais calma e densidade no livro, e ajudam a construir uma personagem e comunidade mais complexa, achei que o filme cumpre seu papel muito bem. É uma trama bem mais objetiva, veloz e didática que o livro, traços que podem incomodar alguns fãs do romance, mas que também fazem com que um público mais amplo se interesse e se aproxime do filme.

Pois, mesmo que não seja uma adaptação perfeita, no sentido de que modifica e condensa muitos momentos, é um filme incrível, que mobiliza o espectador, não só por seu discurso, mas pela forma como é dirigido e pela potente atuação de Amandla Stenberg. Ao concentrar a trama em seu aspecto político, o filme ganha poder, principalmente para nós, que também vivemos em uma sociedade extremamente racista onde frequentemente jovens negros são assassinados pela polícia, sem que haja grandes consequências para os responsáveis.

A adaptação, portanto, funciona muito bem sozinha e nos apresenta uma história forte que chega aos cinemas com uma boa produção e com a certeza de que vai trazer representatividade a muita gente, além de tocar tantos outros que, talvez, ainda não tenham refletido sobre os temas trabalhados no filme.

Podem ir ao cinema preparados para sentir profundamente a dor de Starr e, para quem é mais emotivo, não vão ser poucos os momentos para chorar. É também um filme sobre uma jovem tendo que enfrentar uma situação difícil enquanto ainda busca seu lugar no mundo. Mas, acima de tudo, é um filme importante e poderoso, capaz de atingir um grande número de pessoas com sua intensidade e de, no mínimo, fazer seu espectador exercitar um pouco mais sua empatia.

O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA

Diretor: George Tilmman Jr.

Elenco: Amandla Stlenberg, Regina Hall, Russell Hornsby e mais

Ano de lançamento: 2018

Starr Carter (Amandla Stenberg) é uma adolescente negra de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Ela é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Mesmo sofrendo uma série de chantagens, ela está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar.

Escritora, mestre em Filosofia, mas, acima de tudo, apaixonada por livros. Carioca com preguiça de praia, gosta mesmo de uma tarde aconchegante na companhia de um livro e uma caneca de chá gigantesca.