O Que Alice Esqueceu – Liane Moriarty

O Que Alice Esqueceu é o novo livro da autora Liane Moriarty, lançamento de 2018 da editora Intrínseca.

Sobre o Livro

Alice tem 29 anos, um casamento feliz e está grávida de seu primeiro filho. Ela leva a vida de forma leve e tem uma boa relação com a família. Porém, essa é a Alice de 10 anos atrás e, quando ela acorda após uma queda na academia, é a única Alice de quem consegue lembrar.

“O problema era que ela não conseguia definir ‘hoje, ou ‘ontem’, ou até mesmo ‘semana passada’. Estava flutuando, impotente, sobre o calendário, feito um balão solto.”

Sua vida agora está de cabeça pra baixo e ela não é mais nem de longe a mesma pessoa. Em processo de divórcio com o marido, luta pela custódia dos filhos, com a relação abalada com sua irmã e atarefada até o pescoço com coisas que nunca se imaginou fazendo, Alice precisa recuperar o pedaço que falta na sua memória e encontrar o momento onde as coisas saíram tanto dos trilhos.

Enquanto busca se reencontrar, sensações do passado e do presente vão se mesclar e talvez uma Alice que não é nem a de 1998, nem a de 2008 venha a surgir.


Minha Opinião

Esse foi o meu primeiro contato com Liane Moriarty, que também é autora de Pequenas Grandes Mentiras – que deu origem a série premiada da HBO “Big Little Lies” -, O Segredo do Meu Marido e Até Que a Culpa Nos Separe, todos lançados aqui no Brasil pela Intrínseca. E, felizmente, posso dizer que tive uma experiência muito positiva e estou ainda mais curiosa para conhecer os outros títulos dela.

O Que Alice Esqueceu não é um livro de suspense ou mistério, apesar de haver algumas coisas a serem descobertas na narrativa, mas sim uma história sobre alguém que precisa encontrar um “eu” que ficou perdido ao longo do caminho. Alice tinha uma personalidade leve, estava feliz, irradiava uma boa energia e essa é a memória que tem. Porém, hoje, as pessoas a descrevem como alguém sempre muito atarefada, ranzinza, que cobrava o tempo inteiro e que não tinha mais tempo para as coisas simples da vida. Para ela, que olha a sua vida com os olhos e a alma de alguém que só se lembra da realidade de 10 anos atrás, fica claro que algo muito errado aconteceu no meio do caminho. Para descobrir o que é, ela vai ter que montar o quebra cabeça da sua vida, enquanto se reconecta com as pessoas que fazia sua vida ter sentido.

Enquanto acompanhamos a narrativa da Alice, também temos outras duas visões dentro do livro: as entradas de Elisabeth no diário que escreve para seu psicólogo e o blog de Frannie. Elisabeth é a irmã mais velha de Alice, uma mulher que tenta há anos engravidar e não consegue e, consequentemente, carrega a dor e o rancor sobre esse fato consigo. Sua relação com a irmã não é mais a mesma já tem um tempo e “reencontrar a velha Alice” é algo que a conflita, já que a qualquer momento ela pode recuperar a memória e voltar à velha personalidade. Com essa personagem, graças ao diário, temos uma narrativa muito intimista e crua de como ela se sente. Da dor que a persegue por não conseguir segurar uma criança e da insatisfação que permeia sua vida.

“…talvez a insanidade temporária não passe de justificativa para um comportamento injustificável.”

Já com Frannie temos, ao mesmo tempo, reflexão e descontração. Ela já é uma senhora idosa, e à beira dos seus 75 anos está pensando muito sobre a morte. Entre debates sobre eutanásia, as consequências da velhice e um possível novo romance, ela também nos relata um pouco sobre a situação de sua neta Alice e das mudanças que ela vê acontecendo.

E é da simplicidade dos textos do blog às piadas da “antiga” Alice, em contraste com temas importantes sendo debatidos, como maternidade, saúde mental, relacionamentos, família e a morte, que a autora leva o leitor a refletir sobre uma quantidade imensa de coisas enquanto caminha pelas páginas de forma leve. O grande segredo de O Que Alice Esqueceu não está na parte perdida da memória da protagonista, mas sim em tudo que essa perda faz com que as pessoas reflitam sobre as suas vidas e, nós leitores, sobre a nossa.

Apesar de suas pouco mais de 400 páginas, não achei o livro arrastado e, mesmo com os desvios que muitas vezes a autora dá em alguns pontos para dar atenção a outros fatos ou personagens, a leitura anda de forma fácil porque queremos saber o que vai sair de tudo aquilo. Recentemente eu li Pequenos Incêndios Por Toda Parte da Celeste Ng e consegui encontrar algumas semelhanças entre as duas autoras. A diferença fica realmente na escolha de como trabalhar os assunto paralelos, sendo, na minha opinião, o texto de Moriarty mas fluído.

Vale a pena mencionar também que o livro já havia sido publicado no Brasil em 2013, com outro título, pela editora Leya. E que os direitos para adaptação já foram vendidos, então pode ser que vejamos essa história muito em breve nas telas, assim como O Segredo do Meu Marido já está na mira de produções também.

De forma geral, tive uma boa experiência de leitura e até fiquei um pouco surpresa, porque não é bem o meu estilo preferido de livro. Agora, quero encarar Pequenas Grandes Mentiras para poder conferir a série que é tão bem comentada. Então, caso você esteja procurando um livro que mistura drama, pequenos mistérios e um toque de bom humor, O Que Alice Esqueceu pode ser uma boa opção para você.

O QUE ALICE ESQUECEU

Autor: Liane Moriarty

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2018

Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia… dez anos depois!
Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.