O Segredo de Heap House – Edward Carey

O Segredo de Heap House foi escrito pelo inglês Edward Carey e é o primeiro volume da trilogia Crônicas da família Iremonger. O livro foi trazido ao Brasil pela editora Bertrand Brasil no ano de 2017.

SOBRE O LIVRO

Esta é a história de Clod Iremonger e sua família. Eles vivem nos Cúmulos, um oceano de objetos perdidos e descartados recolhidos em Londres ,e levados até uma terra sombria onde os demais habitantes das cidades vizinhas não podem adentrar sem permissão expressa.

No centro dos Cúmulos existe uma velha “mansão”, Heap House. Uma casa construída a partir de cômodos retirados de outras edificações e que acabou se tornando senão um labirinto, um quebra-cabeças cheio de peças ,e por onde se perder não é difícil em meio a seus mistérios e animais rastejantes. A família de Clod é uma família antiga, cruel, robusta e trabalhadora, mas o garotinho porém, é um tanto quanto diferente… ele pode ouvir objetos!

Na família, cada membro possui um objeto de nascença, o de Clod é um tampão de banheira universal que vive dizendo “James Henry Hayward”. Mas o tampão não é o único a quem o garoto pode ouvir, ele também ouve os objetos de outros membros da família, e cada um deles parece ter uma personalidade própria e peculiar.

“Todos aqui cresceram com os montes de sujeira em volta, ao lado e dentro de si mesmos…”

Enquanto uma tempestade se forma em Heap House seus moradores estão todos inquietos e preocupados. Seus objetos murmuram cada vez mais alto enquanto os segredos que mantém a casa de pé começam a revelar uma verdade sombria capaz de destruir tudo que construíram. No entanto, a chegada de uma órfã rebelde, Lucy Pennant, pode mudar o rumo desta história.


MINHA OPINIÃO

É preciso dizer que esta é, acima de tudo, uma história estranha… em um bom sentido, é claro. Composto por pequenas crônicas sobre cada um dos membros da família, a narrativa se torna um conjunto de acontecimentos interligados, hora narrados por Clod, hora por Lucy, que dividem locais diferentes da casa até que se encontram e passam a traçar o rumo da história juntos.

O clima sombrio da narrativa se dá não somente pelos tons utilizados nas imagens, mas por toda a descrição de acontecimentos, da família e da própria casa em si, que em meu ponto de vista é a personagem principal. Os Iremonger são uma espécie de família “monárquica”, onde todos parecem fazer parte de uma hierarquia, o que pode ser visto até mesmo em relação aos objetos que cada um deles recebe quando nasce, de acordo com sua “posição”. A rica família é uma espécie de credora para os habitantes de Londres, que sempre devem algo a eles.

“Heap House penetra no solo como o mastro poderoso de uma bandeira e, portanto, parte dela precisa ficar enterrada, fora de vista.”

Outro ponto interessante é fazer em paralelo com a narrativa a relação entre os objetos e seus donos, como cada um tem relação com o outro e além disso, como o objeto de um personagem tem relação com o de quem ele deve se casar. A família tem uma tradição onde cada membro deve contrair matrimônio aos dezesseis anos com outro membro da família. É claro que não pode ser um primo de primeiro grau ou parentes muito próximos, mas ainda sim, da família, o que passa uma ideia de “pureza” no livro, com o propósito de manter os costumes e riquezas entrelaçados, sem deixar que estranhos façam parte.

Clod é um garoto franzino e apático, não só por viver em meio a tanto lixo, mas por ser doente desde que nasceu. Talvez por causa de suas condições físicas e por ser um garoto extremamente sensível já que perdeu os pais muito jovem os demais membros da família o consideram estranho, mas na realidade sua solidão é o que faz dele tão quieto. É claro que apesar das zombarias e da solidão o menino é sentimental, leal, gentil e encantador. Quando Lucy chega à casa ele encontra uma companhia tão estranha e encantadora quanto ele, uma órfã saberia mais do que ninguém entender suas peculiaridades e sua personalidade tímida. Por ter sido obrigada a conviver com estranhos, a garota pode ter perdido a vida com que estava acostumada, mas jamais tirariam dela sua garra e determinação, o que junto das qualidades de seu novo amigo pode fazer com que vivam grandes aventuras.

“Sem dúvida, aquele era um lugar peculiar, cheio de comportamentos peculiares, mas pouco importa, pensei; as pessoas são peculiares.”

Por ter sido construída em uma espécie de lixão, a propriedade tem não somente insetos, mas muitos adoecem não só dentro mas fora dela, outros se perdem em meio às quinquilharias e nunca conseguem achar o caminho de volta. É curioso pensar em como as pessoas são tratadas como objetos e talvez tenham até mesmo menos importância do que estes. O que o leitor deve ter em mente para embarcar nessa jornada é o quanto o apego material pode ser o próprio fim das pessoas, apesar de serem apenas objetos, cada um deve ter em mente o que significa ter, como propriedade e o quanto isso se relaciona o quem realmente somos.

O mistério é construído a partir da construção da própria casa, afinal, de onde vieram todos aqueles cômodos malucos, quem de fato pode definir a personalidade de outra pessoa através de um objeto, e por que afinal de contas eles parecem falar seus nomes cada vez mais alto?

thumb_livro

4estrelasb

O SEGREDO DE HEAP HOUSE

Autor: Edward Carey

Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2017

Um livro espetacularmente esquisito, cheio de magia, humor astuto e personagens melancólicos e bizarros. Clod é um Iremonger. Ele vive nos Cúmulos, um vasto mar de itens perdidos e descartados coletados em Londres. No centro dos Cúmulos está Heap House, um quebra-cabeça de casas, castelos, cômodos e mistérios recuperados da cidade e transformados em um labirinto vivo de escadas e criaturas rastejantes. Uma tempestade está se formando sobre Heap House. Os Iremonger estão inquietos, e os objetos falantes estão gritando cada vez mais alto. Os segredos que mantêm a casa em pé começam a vir à tona para revelar uma verdade sombria capaz de destruir o mundo de Clod. Tudo, porém, começa a mudar quando ele encontra Lucy Pennant, uma órfã rebelde recém-chegada da cidade…

É resenhista do Resenhando Sonhos.
Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.

  • Natália Costa

    Que diferente, nunca vi nada parecido! hahahaha
    Apesar de diferente e estranho não parece ruim.
    Estas questões finais ficam sem resposta para os demais livros?

  • Camila Rezende

    Ola Ana,
    Esse livro parece ser bem diferente do que eu estou acostumada a ler.
    Achei diferente o protagonista descobrir segredos através dos objetos que ele consegue se comunicar e que cada cômodo da casa vem de um lugar diferente.
    Se surgir um oportunidade eu vou ler esse livro.

  • rudynalvacorreiasoares

    Ana!
    Como gosto muito de tudo que é diferente e estranho e ainda mais com ilustração, que tornam a leitura bem lúdica, claro que quero ter a oportunidade bizarra de ler esse livro.
    E fico bem feliz que terminou o livro encantada, mais um aval para a leitura.
    “É prova de inteligência saber ocultar a nossa inteligência.” (François La Rochefoucauld)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

  • Carolina Santos

    Adorei a pegada meio gotica trevosa do livro. Na verdade os tracos muito se assemelham aos do tim burton

  • Vitória Pantielly

    Oi Ana
    De fato, é uma história estranha, fiquei até meio perdida com o tanto de informação que a história contém.
    Essa intercalação de narrativa e as ilustrações é o que mais me chama atenção no livro, gosto dessa pegada. Confesso que a história não me convenceu mto, mas darei uma chance ao livro.
    Bjs