O Sorriso da Hiena – Gustavo Ávila

O Sorriso da Hiena é uma auto publicação de 2015 do autor Gustavo Ávila, mas os direitos do livro já foram adquiridos pela Verus Editora e em breve deve chegar às livrarias pelo Grupo Editorial Record.

Sobre o Livro

Há 24 anos um menino de 8 anos viu os pais serem assassinados enquanto ele assistia a tudo amarrado em uma cadeira. David, agora adulto, resolve recriar a situação e começa a matar da mesma forma que aconteceu em sua infância. O objetivo? Descobrir como essas crianças vão lidar com o trauma e se será pra elas da mesma forma que foi pra ele.

Pra que isso se torne uma pesquisa real, ele entra em contato com William, um psicólogo infantil que desenvolveu um estudo teórico sobre o tema, para que ele se disponha a atender as crianças vítimas desse misterioso assassino, acompanhando assim seu desenvolvimento e colocando em prática o estudo que antes ele imaginou somente no papel. Completamente em conflito com isso o psicólogo não sabe como agir e que decisão tomar, já que mesmo sendo a porta para respostas, também vai contra qualquer regra moral que ele tenha.

“E foi assim que os olhos da sua mãe, que sempre conseguiram dizer tudo sem precisar de uma palavra sequer, silenciaram para sempre ao som de uma arma de brinquedo.”

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Em paralelo a isso temos Artur, um detetive da divisão de homicídios que possui a Síndrome de Asperger, e que recebe como missão solucionar o caso recente da criança de oito anos que foi encontrada amarrada em uma cadeira com os pais desaparecidos, e que afirma ter visto alguém assassinar os pais na sua frente.

Enquanto o detetive corre contra o tempo para descobrir quem está por trás dos crimes, William luta com sua consciência para encontrar uma resposta para a dúvida cruel que o certa: se ele fechar os olhos para o mal visando o bem, é justificável?

Minha Opinião

Esse ano andei lendo menos autores nacionais que em 2015 devido a alguns problemas e decepções que eu tive ao longo do ano. Porém, quando recebi o contato do autor topei a leitura por todo o buzz que eu vi circular no booktube sobre o quanto o livro era bom. Decisão acertada e fé restabelecida na literatura nacional.

Uma das coisas mais importantes pra mim num autor nacional é que, se a história não for regionalista, gírias ou trejeitos brasileiros não sejam algo gritante na história. Gosto de livros em que a leitura me proporcione pensar que aquele livro poderia ter sido escrito por um autor de qualquer nacionalidade e é isso que eu encontrei aqui. E isso de forma alguma é generalização. Gustavo Ávila tem o seu jeito de escrever e a escrita é rica e bem construída. Sabe quando da gosto de ver que as frases e parágrafos são inteligentes e detalhados de forma certa e brilhante? Pois é.

Uma referência muito clara que me veio a mente, devido também ao teor da história, é a construção de Hannibal nas palavras de Thomas Harris. As personalidades de todos os personagens são bem desenvolvidas e consolidadas a partir da relação que eles tem com os personagens secundários da trama. Quando comecei a leitura me perguntei porque eu precisava acompanhar ou saber sobre aqueles outros personagens, porém conforme o livro foi caminhando, percebi que eles estavam ali para revelar um pouco mais sobre os protagonistas e não apenas por estar. É possível conhecer tão bem um personagem pelas relações que ele criou, que quando algo que não condiz com aquilo acontece, uma luz se acende na cabeça do leitor. Pelo menos pra mim funcionou assim.

“A paciência é a característica mais perigosa que um inimigo pode ter.”

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Quando algo aconteceu aqui eu me dei por conta que talvez não estivesse vendo tudo o que havia pra ver e passei a olhar um personagem com outros olhos. Essa percepção da quebra de personalidade que vinha sendo sólida até então me fez começar a imaginar o que viria no final e me encaminhou em direção ao acerto. Isso tornou o final frustrante? De forma alguma. É quase como um sentimento de realização, conforme mencionei na resenha em vídeo. É aquela sensação bacana de descobrir o assassino nos livros da Agatha Christie (algo que nunca acontece comigo, porque normalmente estou olhando pro lado errado). Não está atirado na cara do leitor, não é óbvio. Faz parte de toda a teia construída sob a verdade que nos foi apresentada.

Num outro âmbito temos a construção de Artur. Por ele viver com a Síndrome de Asperger, sua personalidade já é peculiar. Ele é direto, não expressa muito sentimento ou empatia e não entende metáforas ou piadas. Ele vai direto ao ponto. Sua única amiga e colega de trabalho é o elo emocional mais forte dele e é o que traz o personagem mais próximo do leitor no final do livro, já que é graças a essa personagem que vemos as barreiras se expandirem um pouco. Assim, não há nada sobrando no livro ou mal colocado. Toda a inserção e construção dos personagens é sólida e está devidamente posicionada.

“A noite é escura porque é quando as cores dormem.”

Tendo dito isso, somente duas coisas pra mim deixaram a desejar e não fizeram desse livro 5 estrelas. A primeira delas diz respeito a metáfora do cigarro. Esse já é o terceiro livro que eu leio com ela e começou a incomodar. Uma menção teria sido suficiente para levantar o ponto, mas isso se repete e começa a gritar comigo. Porém, é um tique completamente pessoal baseado nas minhas leituras prévias. A segunda coisa diz respeito a experiência geral com o livro. Não sei se é porque sempre fui viciada em séries que resolviam assassinatos, CSI, Criminal Minds e o próprio Hannibal, que a cena inicial não foi assim tão chocante. A descrição é forte, ela nas telas tenho certeza que ficaria ótima, mas não surtiu o efeito esperado por todos os comentários que ouvi – questão de expectativa, né?-. E isso, aliado ao fato de o fim ter vindo de forma mais natural, gerou uma falta de estopim pra mim. Mas mesmo assim foi uma ótima leitura e ficou faltando apenas alguns detalhes para o ápice.

O final não é previsível e já vi os leitores tendo todo o tipo de reação com ele. Do amor ao ódio. Eu achei toda a construção que culmina no final bem inteligente. Adoro livros com camadas que sempre tem algo a mais que o leitor deixa passar e depois é escancarado na nossa cara. O Sorriso da Hiena não é um livro pra você tentar desvendar quem é o assassino. David já nos foi apresentado. Vimos ele sofrer o trauma e depois infringir. Ele é um psicopata com alguns turning points.

Confesso que minha posição nesse livro foi completamente de observadora. Não torci por ninguém ou para que nada especial acontecesse, apenas fui acompanhando a história e tentando pensar no que ela viria a culminar. Assim não me apeguei diretamente a ninguém e portanto também não me frustrei com nenhum dos destinos dados aos personagens.

Acho que para todo bom fã de thrillers ou para aqueles que querem conhecer um autor nacional bacana (e até quebrar aquele velho preconceito que sei que muita gente tem), O Sorriso da Hiena é uma ótima história e certamente despertará alguma emoção em você leitor. Seja de um possível desconforto com as cenas iniciais ou ao choque de um possível final, a frustração da descoberta ou a simples surpresa. Gustavo Ávila é um nome pra ficar de olho enquanto aguardamos novas histórias.

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Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral.
Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas.
Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem?

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.

  • Bruna Prata

    Estou precisando ler mais livros nacionais.
    Já tinha ouvido falar desse livro – e muito bem por sinal – no mundo dos booktubes, mas nada nele me chamou atenção, nem a capa e nem o titulo, então nunca me dei o trabalho de me aprofundar mais na história, até agora.

  • Ahhhhh que eu vejo tantos comentários sobre esse livro que estou ficando convencida a ler..
    Penso como vc em relação aos escritores nacionais. Gosto de ler uma história e sentir que foi escrito por um autor de qualquer nacionalidade..

    http://www.saidaminhalente.com

  • ADRIANA HOLANDA TAVARES

    Achei a ideia maravilhosaaaaaaaaaa, a capa é perfeita e amo trilhers psicológicos, amei amei amei, e imagino como se dá o desenrolar dessa história. Achei que mais do que o homem que vai matar essas cinco pessoas é o emocional do psicólogo. Além disso o olhar mais frio que é o do detetive . Já amei demais essa história mesmo!

  • Lara Caroline

    Oi Thamires!
    Adoro seus vídeos e seus posts. Nem sei o que pensar sobre este livro, parece que a estória mexe bastante com qualquer leitor, eu estudo psicologia e para mim seria uma experiência valiosissima ler este livro. Já está adicionado a lista de desejados.

  • Daiele

    Eu sou muita curiosa por essa leitura, ja a tempos venho querendo ler, mas enquanto o livro nao sair nas livrarias, fica dificil adquirir.
    Estou numa vibe de ler trilher ultimamente, e esse tem uma tematica que me chama bastante a atenção, me coloco no lugar do personagem e nao consigo nem imaginar o que eu faria se acontecesse comigo. E ainda sendo um nacional, com certeza, assim que aparecer nas livrarias ja ta garantido!

  • Bárbara Branco

    Estou com muita vontade de ler este livro. É tão diferente de tudo que me causou uma curiosidade enorme. É bom ver autores nacionais ganhando cada vez mais espaço!

  • Ilana Rafaely

    Já tinha ouvido falar de O sorriso da Hiena e estou muito curiosa para ler. Essa coisa do cara fazer experiencias com crianças para saber a reação delas é muito doentio mas admito que fiquei curiosa para saber os resultados. Imagino que o psicologo deva se sentir em uma corda bamba com essa situação. Vou falar para você que eu tenho aquele preconceito/ receio com leitura nacional mas estou muito animada para saber se irei gostar da escrita do Gustavo. Ps: que metáfora do cigarro é essa que você cita na resenha ?????

  • viviane baptista

    Eu geralmente não costumo ler thriller mas essa história realmente me deixou muito interessada e tambem dar uma chance para autores nacionais é sempre bom.

  • Bibbi Bokken

    Concordo totalmente com a questão da ambientação nacional não ser gritante de mais e nem americanizada também, gostei muito disso em O Sorriso da Hiena e também em Dias Perfeitos, não sei se já leu ele mas também é ótimo.