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O Último Adeus – Cynthia Hand

O Último Adeus é da autora Cynthia Hand e foi lançado no Brasil em 2016 pela editora Darkside.

Sobre o Livro

Ty, seu irmão mais novo por dois anos cometeu suicídio e a maneira que seu terapeuta quer que Lex lide com isso é escrevendo um diário. Bom, melhor do que tomar os antidepressivos que ele tanto insiste. Porém, escrever sobre o que ela sente nunca foi o seu forte. Ela é boa em matemática e seu sonho é ir para o MIT no próximo ano. Tudo estava indo tão bem, até que a tragédia aconteceu.

“Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olhamos. 1,8 pessoa se mata a cada segundo.”

Seu irmão deixou apenas um bilhete no vidro do banheiro: “Desculpe, mãe, mas eu estava muito vazio.”. E o que isso significa? Porque ele não conversou com ela, não contou que se sentia mal, como ela não percebeu o que estava acontecendo? As perguntas que rondam sua cabeça são muitas. Sua mãe está destruída e o pai, com que ela tem um relacionamento tempestuoso desde que ele saiu de casa por outra mulher, também não ajuda.

Os amigos lhe olham com pena e Lex não consegue mais estar entre eles. Se namoro acabou. E a escola que antes era um lugar que ela se encontrava, está sendo negligenciada. Enquanto tenta lidar com seus próprios pesadelos, ela também tenta bancar a forte e segurar a barra por todos ao seu redor. No fundo no fundo, tudo o que essa garota queria era saber porque e como. Porque ele fez o que fez e como seguir em frente.

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Minha Opinião

Young Adults que falam sobre temas sérios são sempre livros especiais de se ler, e O Último Adeus é certamente um desses livros. Com a temática do suicídio e todo o peso e carga de sentimentos que vem com isso, Cynthia Hand nos trouxe uma história emocionante que certamente tocará o seu coração. Esse foi, provavelmente, um dos livros que mais me fez chorar enquanto leitora e de longe o que se sobressaiu em 2016.

Porém, apesar da carga emocional, a história é simples e a fórmula está em aproximar o leitor cada vez mais da trama, com a identificação. A autora conta ao fim do livro que perdeu o irmão também através do suicídio, mas que o livro não é a sua história e que tudo é diferente. Mesmo assim, é impossível não pensar que muito do que vimos Lex sentir através das páginas seja um reflexo da experiência que a autora viveu.

“É como se eles ainda estivesse aqui, não de um jeito fantasmagórico, mas como se nunca tivesse acontecido. Se eu ficar aqui, se fechar meus olhos, consigo imaginar que meu irmão só está em algum outro lugar e que ele vai voltar.”

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Acho que a primeira coisa que vem a cabeça de qualquer pessoa num caso desses é “porque?”. E depois a culpa. O pensamento de que poderia ter feito algo, ajudado de alguma forma, se olhado com atenção, enxergado alguma coisa que sinalizasse que a situação estava cruzando a linha. Busca-se a explicação para o inexplicável, porém não se pode consertar algo que jamais voltará a existir.

O que vemos Alexis passar são duas situações que podem andar juntas ou separadas. Ela está devastada por dentro, cheia de perguntas, inseguranças. Sua cabeça está sempre vagando em busca de algo que aponte para uma solução. Ela não quer a pena das pessoas, o olhar solidário dos amigos ou qualquer coisa parecida. Ela só quer seguir em frente sem que isso tivesse acontecido. Porém isso não é exatamente uma opção.

Por fora ela tenta se mostrar forte, e sim, ela é. Ao ver o quanto a mãe está quebrada pelo que aconteceu, ela vira a sua prioridade. Por mais que não fique o tempo todo de olho, a preocupação com essa mulher que perdeu um filho é constante em sua cabeça. Porque ela quer a mãe feliz, porque ela precisa da mãe viva. Ela já perdeu demais. Dessa forma uma se torna a âncora da outra. A Lex não pode se afundar porque tem a mãe e a mãe não se afunda porque Lex não deixa. É a tristeza brincando de cabo de guerra.

De outro lado temos todo o conflito que existia entre os irmãos e o pai. Na cabeça deles a grande família feliz se desfez quando o pai os abandonou para viver um relacionamento com outra mulher. Nada foi igual depois disso. O rancor ficou e algo se quebrou. Eles tinham momentos semanais de encontro, mas nada mais profundo do que uma conversa sobre o dia a dia. A sombra do pedaço que foi arrancado daquele lar nunca abandonou os dois, e com a morte de Ty, parece que escureceu um pouco mais.

“O perdão é confuso, Alexis, porque, no fim, tem mais a ver com você do que com a pessoa que está sendo perdoada.”

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As vezes é confuso entender tudo que Lex está sentindo, muito da raiva e da incompreensão não é completamente explicada e, conforme avançamos ao fim do livro, é fácil perceber que ainda não ouvimos a história toda. O que realmente aconteceu e a explicação de algumas coisas sobre o último dia de Ty só são reveladas para o leitor no fim do livro, fazendo com que sintamos ainda mais o sofrimentos dos personagens sobre aquilo que não são mais capazes de mudar.

Debater o suicídio e a depressão na literatura é sempre algo muito importante. Quando a pessoa possui depressão tudo é um pouco mais pesado em seu mundo e, até que todos compreendam que não há nada de “fingimento” nessa doença, ainda teremos muitas pessoas correndo risco. O que leva alguém a tirar a própria vida é sempre inexplicável, mas pode ser colocado de uma forma mais simples também. Algo acontece que aos poucos vai nos afundando e afundando. Se você for uma pessoa mais frágil emocionalmente, a pedra que te puxa é ainda mais pesada. Não ter com quem conversar, um amigo para confiar e que não o julgue é um fator determinante.

Todos nós, que sofremos ou não com os males da depressão precisamos ficar atentos. Na nossa família, entre os amigos, nos círculos de relacionamento. Sempre se conhece alguém ou se sabe de algum caso. É preciso estar de olhos e o coração abertos para oferecer a essas pessoas um pouco mais da nossa atenção, sem ser invasivos, mas na sinceridade de querer ajudar. O apoio e o carinho são imprescindíveis para quem acha que não há ninguém no mundo que lhes entenda. Não é preciso tomar a vida da outra pessoa como fardo para ajudar, basta estar presente. Até o menor dos atos pode ser algo importante.

E, além de tudo isso, algo que O Último Adeus nos ensina é uma bela lição sobre perdão. Tanto dos outros quanto da gente. O ato de perdoar é difícil, porém necessário. Ele tira um peso enorme das costas. E, como a própria quote do livro afirma, tem muito mais a ver conosco do que com quem precisa ser perdoado.

O livro apenas não foi 5 estrelas pra mim por dois motivos. Faltou alguma coisa na história que desse a ela um diferencial maior. Por mais emocionante que seja e de tudo de bacana que tem a passar, ainda parece simples demais ao lado de tantas outras histórias que abordam o tema. E, algo que é super importante, é que faltou mais uma revisão no texto. Apesar da edição estar super bonita, há várias palavras onde letras foram comidas e, a partir de um certo momento, isso começa a gritar aos olhos do leitor por acontecer várias vezes, o que é uma pena.

O Último Adeus não é um livro pra você ler quando está na bad, ele é um livro pra te por lá. Pra você refletir e aprender um pouco sobre os outros e sobre si. Pra compreender. Se você gosta de YA que tragam um tema mais sério como Por Lugares Incríveis, A Lista Negra, Amor Amargo e Carta de Amor aos Mortos, fica aqui a indicação de um livro que certamente vai tocar você de alguma forma.

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O ÚLTIMO ADEUS

Autor: Cynthia Hand

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2016

O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz.
O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.