Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Publicado pela primeira vez em 1813, Orgulho e Preconceito de Jane Austen ficou marcado na história através dos anos e virou uma referência para os livros de romance desde então. Em 2018 a editora Martin Claret nos presenteou com uma nova edição, mais moderna e bonita, para reviver esse que é um clássico do século XIX.

Sobre o Livro

A vila de Longbourn recebe a chegada de um jovem solteiro e cobiçado, atiçando assim as jovens da família Bennet. Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia estão à espera do que consideram o ponto alto em suas vidas: o casamento. Bem, talvez nem todas elas.

Elizabeth é a mais sensata entre as garotas e diferente delas, pensa que gostaria de alguém que pudesse amar e dividir, não somente um casamento para carregá-la para longe da família ou garantir-lhe um nome. Sua forte personalidade logo bate de frente com o arisco Sr. Darcy, e as estruturas emocionais de ambos podem sofrer alguns abalos, assim como algumas convenções sociais.


Minha Opinião

Esse foi o primeiro livro da consagrada autora que eu li. Caso você não esteja pelo Resenhando Sonhos o suficiente para saber, eu não sou uma fã de romances e esse gênero passa longe de ser um dos meus favoritos. Portanto, histórias nesse estilo acabam sendo uma exceção pra mim e não a regra. Porém, Jane Austen acabou me conquistando pela verdade e intensidade que pôs em suas palavras.

Tendo sido parte da sociedade inglesa no século XIX, ela tem propriedade para falar sobre a realidade em que narra sua trama e insere o leitor com uma riqueza imensa de detalhes sobre os costumes, hábitos e posturas apresentadas na Inglaterra em um período que foi marcante politicamente.

Um dos elementos dessa comunidade sendo o orgulho em que a sociedade separava os seus pertencentes. A hierarquia era extremamente relevante, quem possuía títulos e dinheiro se sobrepunha em seus costumes, e isso foi muito bem retratado aqui através do personagem do Sr. Darcy, um jovem rico e exigente que esbanja conhecimentos e um ar superior. Estando na outra ponta nossa querida Elizabeth, uma jovem inteligente, orgulhosa, mas de origem mais simples, que não aceita todas essas imposições ou vê o propósito em qualificar as pessoas pelas suas posses.

É quando ambas as personalidade se chocam em um interesse mútuo que é, ao mesmo tempo, sutil e intenso, que vemos o quanto todos esses fatores podem realmente macular o caminho das pessoas. A partir dai, então, temos um duelo travado exatamente pelas palavras que nomeiam o livro: Orgulho e Preconceito.

Um não abre mão de seus ideais, enquanto o outro enxerga a parte contrária como inferior. Um não entende a arrogância, enquanto o outro é ao mesmo tempo arrogante e julga por ver isso refletido também na outra ponta. Tudo isso regado e contornado pelas famílias envolvidas e seus entes queridos que tem, de certa forma, também muito a palpitar e contribuir.

Assim, criou-se uma das mais conhecidas histórias de amor já escritas, com intrigas, brigas, o bom e velho cão e gato, cercada de questionamentos importantíssimos sobre a sociedade e a visão limitada que essas pessoas tinham sobre uns e outros, e como a força dessa relação pode ser capaz de romper algumas dessas barreiras para ter um pouco mais de controle sobre seus destinos. Porque, para mim pelo menos, essa foi uma das grandes lições que tirei dessa história: quando queremos algo e há uma barreira nos separando disso, uma barreira consolidada em costumes errôneos, em convenções sociais incorretas, está em nós mesmos o poder de lutar contra isso e correr atrás de nossos desejos e sonhos.

Foi através de Elizabeth e Darcy que Jane Austen contou a história de muitas pessoas e eternizou os personagens como símbolos do amor e da superação. Com sensibilidade e ao mesmo tempo muita sinceridade em suas palavras e atos descritos, transpondo em suas páginas os mesmos tipos de sensações que a relação dos personagens nos passa: sutileza e intensidade, um misto de pensamentos, uma torcida pela derrota das regras sociais que de nada valem frente a vitória do amor.

Parece sonhador, bobo e clichê ao máximo. E até pode ser depois da leitura de dezenas de romances que se originaram desse nos dias atuais, mas foi Jane Austen quem proporcionou à sociedade daquela época essa obra, que era tudo menos comum e que até chocou pela honestidade e ousadia de suas palavras.

Então, para todo bom fã de romance ou até para aqueles que, como eu não são, eu recomendo a leitura, não só pelo livro em si, mas pelo conhecimento que ele tem a passar em temos de visão literária. A importância que a autora tem hoje, começa a ser pautada por essa, que é sua mais relevante e reconhecida obra.

ORGULHO E PRECONCEITO

Autor: Jane Austen

Editora: Martin Claret

Ano de publicação: 2018

Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa”. O livro é o mais famoso da escritora e traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroina irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. Nesse livro, aspectos diferentes são abordados: orgulho encontra preconceito, ascendência social confronta desprezo social, equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses aspectos da trama conduzem os personagens ao auto-conhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra prima da escritora, que equilibra comédia com seriedade, observação meticulosa das atitudes humanas e sua ironia refinada.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.