Os Bebês de Auschwitz – Wendy Holden

Os Bebês de Auschwitz é da autora Wendy Holden e foi lançado aqui no Brasil em 2015 pela Globo Livros.

Sobre o livro

Em 1944, três mulheres diferentes entre si, mas com um segredo, chegaram em momentos diferentes a Auschwitz. Com o instinto de medo já instaurado e a incerteza do futuro, ao serem questionadas se estavam grávidas, por Josef Mengele, o médico conhecido como o Anjo da Morte, elas mentiram. Essa pequena grande mentira salvou a vida delas e de seus bebês.

“Nenhuma daquelas mulheres assustadas sabia, naquele momento, que uma direção significava vida e a outra poderia conduzir a um destino muito diferente. Que fim terão levado as mulheres escolhidas do Mengele naquele dia, ninguém sabe.”

Em Os Bebês de Auschwitz vamos conhecer a história de três judias, Priska, Rachel e Anka, cada uma vindo de um lugar e cada uma com uma história pra contar. Porém, além da gravidez, as três tinham também outras coisas em comum: não acreditavam em todo o mal do nazismo até serem obrigadas a ir para um campo de concentração e, claro, acreditavam em um final feliz.

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Separadas de seus maridos e, em alguns casos, de toda a sua família, elas chegam a Auschwitz para enfrentar o pior momento de suas vidas. E é passando meses em condições precárias que elas vão ter que dar a luz a seus bebês, em circunstâncias inimagináveis e horrendas. Famintas e doentes, seus filhos logo ao nascer já se vêem na mesma condição.

“Muitas prisioneiras desmoronaram naquelas condições pavorosas. Infestadas de piolhos, passavam o dia e a noite se coçando, até se ferir. Delirando de fome, algumas desmaiavam. Outras deitavam de lado, encolhidas, como em Auschwitz. Seus corpos se deterioravam ainda mais debaixo daquela roupas imundas, e toda a esperança de desvanecia junto.

Os mortos eram empilhados num canto, formando um amontoado macabro de membros brancos. Passada a fome, seus olhos vítreos pareciam fixos nas mulheres que lhes tiravam os sapatos dos pés sem vida, antes que fossem rolados para fora, em lugares que não haviam testemunhas.”

É coletando relatos emocionantes dessas três mulheres, seus amigos e família, que Wendy Holden reconstrói passo a passo da vida dessas jovens e de como o destino as colocou no mesmo lugar, passando pela mesma situação, sem que sequer uma soubesse da existência da outra.


Capa e Edição

Essa é uma daquelas capas que só de olhar pra ela já imaginamos que será um livro emocional. Falar de bebês e do Holocausto não é tarefa fácil e acho que esse livro retrata logo de cara o que veio apresentar.

A edição está muito bonita e contém várias imagens que ilustram e recontam um pouco da história dessas mulheres e suas famílias, os lugares por onde passaram e claro, seus bebês. A diagramação é bem boa e o livro só não flui mais rápido, realmente, porque o conteúdo contido nele é pesado e requer total atenção.

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Minha opinião

Eu sou muito interessada em histórias que envolvam a guerra e principalmente no cenário nazista da Segunda Guerra Mundial.  Depois de ter lido livros como o ficcional O Menino do Pijama Listrado e, posteriormente o relato real de Anne FrankA Lista de Schindler, meu interesse só fez crescer. Quando a oportunidade de ler Os Bebês de Auschwitz em parceria com a Globo Livros se apresentou, minha escolha era óbvia e certa.

Eu sabia que era um livro emocionante, como todos aqueles que envolvem o holocausto são, e fiz toda a leitura com o coração na mão, me entregando às lágrimas em vários momentos.

Acompanhar a trajetória de luta e sobrevivência dessas três mulheres e, posteriormente, de seus bebês demandou persistência, principalmente no início, quando queremos logo ver o que vai acontecer e somos apresentados lentamente a cada uma das protagonistas, desde seu crescimento, casamento e primeiros anos do nazismo.

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Isso, de forma alguma, é algo ruim, e acredito ser bastante útil para quem tem pouco conhecimento sobre essa época tão triste de nossa história. Porém, como eu já sou familiarizada por outros livros, acabei me cansando um pouco.

Entretanto, descobri algo muito interessante: o otimismo. Vendo a postura de Rachel, Priska e Anka, percebi que os judeus que viveram nos guetos por muito tempo, não acreditavam ou não sabiam que estavam pouco a pouco sendo exterminados. Eles tinham a crença de que as pessoas que eram colocadas nos caminhões eram levadas para um lugar melhor. E somente quando os transportes se tornaram mais frequentes e com um numero cada vez maior de judeus sendo arrancados de suas famílias, é que a ficha caiu.

Isso me surpreendeu muito. Nunca achei que esses homens e mulheres tivessem tido esse pensamento, mas na realidade faz todo o sentido. Hoje a gente vive em uma era onde a informação é instantânea, mas em 1940 a coisa era bem diferente, e por vezes, demorava meses até que uma notícia chegasse de um lugar para o outro. Além do fato de que no começo tudo era feito bem por baixo dos panos, afinal, acredito eu, o mundo teria dado um jeito de acabar com essa guerra com mais rapidez, se soubesse que Hitler estava matando tanta gente.

Portanto, depois de dizer tudo isso, só posso recomendar para vocês a leitura de Os Bebês de Auschwitz, principalmente se você se interessa por esse período histórico assim como eu. O livro é muito bacana, a edição está muito bem feita e a história, com toda a certeza, vai tocar seu coração.

OS BEBÊS DE AUSCHWITZ

Autor: Wendy Holden

Editora: Globo Livros

Ano de publicação: 2015

Três mulheres grávidas. Três casais rezando por um futuro melhor. Três bebês nascidos com poucas semanas de diferença, em circunstancias inimagináveis. No momento em que nascem, pesando menos de um quilo e meio, suas mãos são “esqueletos humanos”, vivendo com podem no campo de concentração.
De alguma forma, as três mulheres conseguem sobreviver. Contrariando todas as probabilidades, seus filhos também sobrevivem. Setenta anos depois, esses irmãos de coração se encontram pela primeira vez para contar a incrível história das mulheres que desafiaram a morte para trazê-los à vida. Três bebês de Auschwitz.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.