Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe

Os crimes da rua Morgue e outras histórias extraordinárias é uma pequena coletânea dos contos do mestre do horror, do mistério e da imaginação, Edgar Allan Poe. Imortalizado, o livro publicado pela Editora Rocco em 2017 traz a tradução e adaptação de ninguém menos que Clarice Lispector.

SOBRE O LIVRO

Em 1841 Edgar Allan Poe escreveu o conto que é responsável pelo cargo chefe desta pequena coletânea de contos do mestre do horror. É nesta história que aparece pela primeira vez o mais famoso detetive criado por Poe, Auguste Dupin, um homem capaz de desvendar crimes através de raciocínios lógicos interligando fatos e usando sua inteligência dedutiva para decifrar mistérios aparentemente impossíveis de serem concluídos.

O conto trata do misterioso assassinato de duas mulheres em um pequeno quarto, algo que somente o famoso detetive um amigo não nomeado que relata a história parecem ter conseguido desvendar.

Além deste, outros doze contos foram incluídos ao volume publicado pela editora, trazendo a tradução de Clarice Lispector, uma fã declarada de livros policiais.


MINHA OPINIÃO

Apesar de já ter lido algumas adaptações dos contos de Poe em livros didáticos, nunca antes havia conhecido suas histórias de forma completa e talvez por isto esta leitura tenha sido tão surpreendente e especial. Outro fato que me fez adorar a leitura foi o de ter sido o meu primeiro contato com Clarice, e mesmo não sendo através de suas próprias histórias, foi capaz de me encantar por sua narrativa.

Escritos muito tempo atrás, os contos ainda são capazes de causar horror em cada leitor que tenha contato com eles. Um diferencial do autor é exatamente a forma que se apresenta, ora sobre aspectos sobrenaturais ora pelos horrores cometidos pelos próprios seres humanos em momentos de delírios e fraquezas.

“Todas essas criaturas – todas – as que chamas animadas, como aquelas a que negas a vida, sem razão melhor do que a de não as veres em ação – todas essas criaturas têm, em grau maior ou menor, capacidade para o prazer e a dor;”

Mesmo reconhecendo a importância do conto que dá nome ao livro tendo sido a primeira obra do autor, confesso que não foi nem de longe o meu conto favorito, em seu lugar poderia mencionar o conto “Nunca aposte sua cabeça com o Diabo”, onde conhecemos um personagem incrédulo que vive a jurar por sua vida e que “o diabo o leve” caso algo seja contrário ao que diz e que um dia acaba por ser realmente atendido. Acredito que todos os contos que tratam do sobrenatural, mesmo que de forma indireta ou com uma simples menção a um não mundano, se assim posso dizer, me atraíram mais do que outros.

É difícil escrever sobre um livro de contos e se conter a vontade de contar a história inteira, mas isto faria com que muitos perdessem o interesse pela leitura, algo que jamais pode ser aceito quando se trata de um autor tão maravilhoso como Poe.

“O homem não se submete aos demônios, nem se rende inteiramente à própria morte, a não ser pela debilidade de sua fraca vontade.”

Um ponto interessante e de inevitável comparação é a personalidade e a forma como foi criado o detetive Dupin, para aqueles que tenham conhecido Sherlock Holmes, muitas características incomuns serão encontradas, entre elas o raciocínio lógico, a interpretação rápida, a presença de um fiel amigo que conta todas as suas aventuras e desventuras, e diversos outros. Longe de serem iguais, mas tão próprios de serem ditos como inquietantes figuras, e mais do que isto, o que reafirma que Poe deu início a literatura policial e inspirou outros a seguirem essa fascinante trajetória.

É esperando ter despertado a curiosidade e afastando o medo de obras escritas em tempos tão distantes que indico esta maravilhosa coletânea a todos os amantes dos mistérios e horrores implícitos e a todos aqueles que ainda não tenham se apaixonado pelo gênero.

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OS CRIMES DA RUA MORGUE E OUTRAS HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS

Autor: Edgar Allan Poe

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2017

Com “Os crimes da rua Morgue”, Edgar Allan Poe inaugurou, em 1841, a moderna literatura policial e criou um de seus mais célebres detetives, o até hoje reverenciado Auguste Dupin. O conto, que narra a memorável investigação do assassinato de duas mulheres em um quarto fechado, é o carro-chefe desta reunião de histórias de terror e mistério traduzida por ninguém menos que Clarice Lispector. Grande leitora e fã da literatura policial, a escritora, que também verteu para o português os livros de Agatha Christie sob o pseudônimo de Mary Westmacott, empresta seu talento invulgar ao gênio de Poe, trazendo para o leitor brasileiro histórias como “A máscara da morte rubra”, “O gato preto”, “Ligeia” e outras. Lançamento do selo Fantástica Rocco, esta edição de Os crimes da rua Morgue e outras histórias extraordinárias recupera este encontro, literalmente, fantástico.

É resenhista do Resenhando Sonhos. Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.
  • Raissa Novaes

    Olá Ana!
    Tenho muita curiosidade de conhecer as histórias do autor, principalmente por ter esse lado com detetives.
    Adorei saber mais e vou colocar na minha lista desse ano.
    Beijos!

    Books & Impressions

  • Natália Costa

    Ainda não li este. Amo a escrita do Poe, e quero muito ler sua obra completa um dia!

  • rudynalvacorreiasoares

    Ana!
    O conto é um dos mais conhecidos do autor e como gosto demais dele, gostei da análise que fez, bem como do Moema que apesar de um tanto mórbido é rico em inteligência.
    Desejo Um domingo fabuloso e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Chega de velhas desculpas e velhas atitudes! Que o ano novo traga vida nova, como o rio que sai lavando e levando tudo por onde passa.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

  • Daiane Araújo

    Oi, Ana Luiza.

    Mesmo que a Clarice não tenha tido um contato totalmente direto, acho que ela enriqueceu a obra, juntamente com o Edgar e seus casos para serem investigados!

  • Lili Aragão

    Oi Ana, conheço mas ainda não tive a oportunidade de ler nada de Edgar Alan Poe, mas achei bacana e interessante essa obra que tem também o nome da Clarisse, que é uma grande autora :) Não sou chegada em casos sobrenaturais rsr, mas acho interessante séries e livros que tratam de investigação policial, deduções (tenho acompanhado uma boa série nesse quesito e que se passa antigamente Ripper Street, se tiver a chance de ver é boa) e assim curti a resenha e pode ser que mais a frente eu considere a leitura.

  • Lara Caroline

    Oi Ana, tudo bem?
    Eu morria de curiosidade de ler algo do Poe, mas uma vez li um trecho de um poema escrito por ele e odiei, então fiquei com medo de comprar algum livro e não gostar. Acho que por ser poema deve ter me desagradado, então vou me dar uma chance de conhecer o autor que foi tão elogiado por você.
    Beijos

  • Júlia Assis

    Oi ana, fiz meu primeiro contato com poe no ano passado através de um livro de contos, mas infelizmente não foi uma leitura muito agradável e não pretendo ler nada dele em breve. Mas essa breve menção ao sherlock que você fez me despertou a curiosidade, histórias com um quê de sherlock sempre me trazem boas lembranças rsrs. Adorei a resenha.

  • julia campanha

    Essa adaptação é muito boa, despertou meu interesse pelo autor e depois fui procurar ler a versão integral. Hoje Poe é um dos meus autores favoritos.

  • Pamela Liu

    Oi Ana.
    Não sou muito fã de contos e nem do gênero terror. Então acho que eu não iria gostar dessa leitura.
    Achei interessante ter um clima de mistério e aspectos de investigação em alguns contos. Isso sempre deixa a leitura mais envolvente não minha opinião.
    Bjs