Os Guardiões da Humanidade: O Legado do Falcão – J. L. Lopes e André L. S. Oliveira

Os Guardiões da humanidade: O Legado do Falcão é uma fantasia nacional escrita por J. L. Lopes e André L. S. Oliveira. O livro é o primeiro de uma série de fantasia e foi lançado pela editora Novo Século em 2014 sob o selo Talentos da Literatura Brasileira.

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SOBRE O LIVRO

No século XXII, o mundo está diferente e é controlado por uma grande corporação internacional que protege as altas-cidades de perigos externos. No Brasil, na mega cidade de Manaus, o jovem órfão Peter Hawkson tem uma vida tranquila, porém, corriqueira. Ele mora na Baixa-Manaus, as ruínas que sobraram da antiga cidade amazonense. Ele sonha em ser qualificado para trabalhar dentro das unidades da Corporação Aurora, porém, sendo de uma classe mais pobre, sabe que as possibilidade são poucas.

Um dia, voltando para casa em um skybus, sofre um inesperado acidente que quase lhe custou a vida. Quando acorda, três semanas depois, sente-se mais forte e melhor do que nunca. Os médicos acham estranho aquela rápida recuperação, mas dão alta ao jovem. Peter não sabe ao certo o que aconteceu, mas tem certeza de uma coisa: algo mudou em sua vida após o acidente.

“Como qualquer garoto de sua idade, Peter tinha seus sonhos e muitos deles confrontavam com sua realidade, mas ele aprendeu bem cedo que os sonhos existem para serem conquistados, e isso requer vontade, dedicação e uma pitada de sorte.”

Ele então é abordado por uma garota alta e forte, com armadura Viking, que lhe diz estar correndo grande perigo e que ele é um singular, uma pessoa com poderes especiais e que pode ser descendente de uma antiga fraternidade chamada Guardiões da Humanidade, que luta pela paz e pelo fim da Organização, sociedade milenar que tenta eliminar todos os seres especiais da Terra e dominá-la.

Para sua segurança, Peter é levado através de um portal até a cidade de Lemúria, um reino mágico que abriga Golens, dinossauros e outros seres. Nesse lugar, irá conhecer novos amigos e, juntamente com eles, treinará seus poderes. Mas também descobrirá que o reino de Lemúria está sucumbindo às Trevas, e que somente depende dele encontrar um artefato – a Chave de Solaris – para salvar a todos e acabar para sempre com a Organização.


MINHA OPINIÃO

Os Guardiões da humanidade: o legado do falcão é o primeiro livro da série e me chamou muito a atenção devido a beleza da capa. A premissa da história também é bem bacana, pois é a primeira vez que leio uma fantasia que se passa em um mundo futurista como esse. Usar a cidade de Manaus como cenário para esta história também ficou muito interessante, pois valoriza nosso país e principalmente, a cidade amazônica. Entretanto, fiquei um pouco decepcionado com a história, pois desenvolve muitas tramas e não cria sentido em todas elas.

Peter Hawkson é um jovem de classe média com idade aproximada de 17 anos. Ele mora na Baixa-Manaus, parte da cidade que ainda não havia sido tomada pelas águas. Ele trabalha para a Corporação Aurora na Alta-Manaus, parte da cidade construída sobre a cidade original e que é protegida por uma enorme cúpula de vidro, devido ao ar ter ficado tóxico com as mudanças climáticas do século XXI (aliás, no mundo todo as cidades são protegidas por cúpulas. E todas comandadas pela Corporação Autora). Peter sonha em ser um aventureiro de skyphismo, um esporte que utiliza uma espécie de skate flutuante. A personalidade do personagem mostra que, apesar de uma vida medíocre e de baixas condições, ele almeja se destacar e ter um futuro melhor. Peter ainda é dedicado em seus estudos, e como possui poucos amigos, gasta suas horas vagas adquirindo mais conhecimento.

“A verdade é que, por ora, cada vez que ele entrava num skybus e contemplava de sua janela a grande cúpula que revestia a Alta-Manaus, imaginava como seria legal ter pelo menos a coragem e a habilidade de voar sobre um skyph, como os surfistas do ar, que vez ou outra avistava rasgando os céus e fugindo dos orbes do controle de trânsito.”

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Quando descobre que é um singular – alguém com poderes místicos – uma voz misteriosa surge em sua mente e fica lhe dando dicas e às vezes, ordens. Apesar de não saber a sua origem, Peter as obedece sem pestanejar a respeito. São raros os momentos em que ele questiona o que é ou de quem é aquela voz. O protagonista também conhece os outros personagens e é levado até o reino de Lemúria, uma cidade mística que protege os singulares da Organização. Até aí a história vai bem, apesar de não ter me sentido ligado ou entusiasmado com o personagem principal. O problema começa justamente com essa transição do cenário futurista para o cenário fantástico. O mundo fantástico de Lemúria tem uma explicação muito superficial e não me convenceu. Os personagens que ali vivem também são bem rasos e não criam empatia com o leitor.

A história mistura muitas mitologias, muitos personagens diferentes e muitos cenários, mas, as explicações lógicas para tudo não aparecem. Os guardiões são formados por uma viking, um híbrido humano-lemuriano, um vampiro e dois humanos, sendo Peter um deles. Mas como e porquê cada um estar ali não é contextualizado, então acaba não fazendo sentido. A explicação para quem são os lemurianos então, ao meu ver, também não encaixa com a ideia mística; a localização do reino de Lemúria também deixa a desejar.

Mas o maior problema é o enredo do livro. No começo somos apresentados a um plot e acontece muita coisa ao mesmo tempo. Depois, enquanto o personagem principal está no mundo de Lemúria, temos um segundo plot, com um ritmo mais lento e é onde se passa a maior parte da trama. E por fim, o livro termina com um terceiro plot, que é completamente distante do começo, não dando a entender o que se passa no livro todo. A história termina no meio de uma cena, o que é muito frustrante. Quando acabei de ler, a primeira pergunta que me fiz era: afinal, qual é a motivação para a história toda? E qual é o legado do Falcão? Porque realmente, para mim, o livro se perdeu muito e não contou uma história com sentido.

“Quando chegamos éramos como deuses para eles, mas, depois de entenderem nossa tecnologia, passamos a ser uma raça como outra qualquer, apenas mais um empecilho. E, como qualquer outro empecilho, restava apenas se livrarem de nós. Isso não demorou muito para acontecer…”

A capa do livro é muito bonita e foi uma das coisas que mais me instigou a lê-lo. Muitas das coisas que o livro nos conta, tem representação na capa (como por exemplo, a cidade protegida pela cúpula, os skyphers, os drones da Corporação, o reino de Lemúria, etc). A diagramação também é outro ponto agradável do livro; inclusive, a fonte é maior que o comum. Em cada início de capítulo há também ilustrações feitas pelos próprios autores, o que agrega muito na história. Mas ao meu ver o ponto mais positivo do livro são as notas de rodapés. Nesse enredo futurista, há muita tecnologia nova, nomes novos, e o autor preocupou-se em explicar detalhadamente cada um desses termos. Se não houvesse essas explicações constantes, eu não compreenderia nem a metade do livro.

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Na minha opinião, o livro é muito extenso, com mais de 500 páginas, com uma história que não teve um rumo bacana ou interessante e com a leitura um pouco truncada. Com a quantidade de termos novos, temos de parar a leitura várias vezes para ir na nota de rodapé ler o que significa, o que acaba atrapalhando um pouco. Acredito que o próximo livro, que ainda não possui data de lançamento, será mais focado na história e buscará amarrar todas as pontas deixadas nesse primeiro volume. Entretanto, não é uma história que me convenceu a continuar, então é bem improvável que eu continue a leitura desta série.

Penso que o livro poderia ter sido melhor trabalhado, focando em uma história só e mais desenvolvida, com personagens que fossem mais empáticos e que, principalmente, tivesse um final que realmente instigasse a leitura do próximo volume. Talvez a minha falta de experiência com jogos RPG também tenha sido um fator a favorecer a experiência negativa, pois os autores comentam nas páginas de agradecimentos que o universo do livro é inspirado nesses jogos.

Para quem gosta de literatura fantástica e não se importa tanto com detalhes e explicações lógicas ou que está familiarizado com o jogos RPG, poderá ter experiência melhor, já que a premissa do livro é bastante interessante e diferente das fantasias convencionais.

OS GUARDIÕES DA HUMANIDADE: O LEGADO DO FALCÃO

Autor: J. L. Lopes e André L. S. Oliveira

Editora: Novo Século

Ano de publicação: 2014

Prepare-se para um verdadeiro despertar. Século XXII. Peter Hawkson é um garoto órfão e sem muitos amigos, que se amarra em skyphismo e futebol mecatrônico, apesar de sua clara inaptidão para estas práticas. Mora num dos prédios abandonados da Baixa-Manaus, de onde viaja todo dia até a grande cúpula na alta-cidade, para estudar, esperando se tornar futuramente, pelo menos, um operador mecatrônico de construção, já que as oportunidades desta nova Ordem Mundial são ínfimas. Porém, um encontro inesperado o leva a um trágico acidente, despertando nele habilidades ímpares que o lançarão numa disputa entre uma poderosa corporação de avançados recursos tecnológicos e uma trina aliança de monstros, humanos e alienígenas. Descendente de um dos antigos e mais poderosos Guardiões da Humanidade, dependerá agora dele a manutenção da paz entre dois mundos, o da superfície e o de Lemúria, sem imaginar que um mal, há muito esquecido, também está prestes a se revelar.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.
  • Bruna Prata

    Estava eu lendo a resenha e achando que seria uma leitura super legal, já que se passa em Manaus e tals, até que vejo a parte da falta de sentido. Ficaria muito decepcionada em ler algo assim, já que gosto de me situar nos acontecimentos literários. Sempre tive um pé atrás com livros que criam novos vocabulários e termos, mesmo contendo um glossário, nunca coloco-os em opção de leitura imediata.

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Bruna *-*
      Pois é, o livro tem uma ideia muito bacana, mas não sei se por ter sido escrito por duas pessoas ele tenha se perdido ou se a tentativa de inovar muito tenha feito isso :/ uma pena, porque tinha muito potencial.

  • Lara Caroline

    Oi Reinaldo tudo bem?
    Nossa que confusão… Comecei a ler a resenha tendo a impressão de se tratar de um mundo distópico e não fantástico, e de repente surge uma cidade fictícia com pessoas ~~singulares~~ o que me lembrou muito os peculiares do Orfanato da Senhorita Peregrine e de repente nada mais fez sentido para mim hahahaha
    Acho que colocaram muitos elementos em um livro só e eu me vi perdida apenas lendo a resenha, imagina lendo o livro. Gostei da história se passar em Manaus, mas foi só isso mesmo.
    Beijos

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Lara, tdo certo e contigo?
      Então, é um pouco de tudo haha
      O cenário é distópico, mas o foco da narrativa é mais na fantasia (pelo menos nesse primeiro livro). Mas é como vc destacou, colocaram muitos elementos e a história ficou saturada (e um tanto sem sentido).

      Beijos

  • Lili Aragão

    Oi Reinaldo, então… eu gosto de fantasias, mas não posso dizer que todas funcionam comigo e acho que tô um pouco cética pra essa história, já no resumo tava achando que os autores misturaram muitas coisas: Século XXI, Skybus, Vikings, Dinossauros, Singulares, vampiros?! Hum?! rsrsr. Infelizmente a história me pareceu um pouco “cheia” e sem propósito, ou talvez eu esteja sendo muito severa, já que o livro faz parte de uma série e a história sempre pode ser explicada nos próximos volumes. Ainda assim é um livro muito extenso pra que eu me arrisque na leitura sendo que ele só pode ganhar ritmo e melhorar nos próximos volumes :/ Mas como vc disse no final o livro pode ter seu público e desejo sucesso aos autores. A capa tá realmente linda e as ilustrações que foram feitas por eles e que estão no inicio dos capítulos parecem encantadoras pela foto que você incluiu ;)

    • Reinaldo José Nunes

      Ooi Lili *-*
      Sim, de fato a capa e as ilustrações são muito lindas *-*
      Único ponto mesmo é que a mistura de muitos elementos deixou a história pouco crível :s

      Beijos

  • Tays Costa

    Ai que triste uma capa tão linda dessas não convencer!
    :'(
    É tão dificil pegar um livro nacional ambientado aqui.
    Mas deve ser inexperiência dos autores, afinal, esse selo tem como função levar novos autores para o mercado.
    Que pena.. pela capa eu leria facilmente mas depois dos pontos negativos levantados não sei se eu o pegaria.
    Obrigada pela resenha
    Beijosss

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Tays *-*
      Pois é, o livro tem potencial, talvez nas próximas sequencias fique melhor, mas eu não pretendo continuar :/
      Obrigado *-*

      Beijos

  • Thaynara Ribeiro

    Estou em dúvida… A capa é linda mesmo… mas o cara chamar Peter e ser de Manaus? Se ele só se mudou para lá ok, mas se nasceu lá e tem esse nome achei estranho… Tem muito personagens e vou ficar confusa lendo sem falar que o livro é longo

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Thaynara *-*
      Então, li em algum lugar que o autor explicou que num futuro o mundo vai estar bastante misturado, e considerando hoje que a língua inglesa está por tudo, não vai ser de espantar que mesmo no Brasil do futuro os nomes sejam em inglês.. até aceitável digamos haha

      O livro é bem longo, mas a fonte é maior que o normal, então a leitura flui rápido (tem 500 e poucas páginas só haha).

      Beijos

  • Marta Izabel

    Oi, Reinaldo!!
    A capa do livro realmente é muito bonita e chama bastante atenção. A premissa do livro é bem bacana, foi bem legal usar Manaus como local onde Peter mora e também misturar fantasia e mitologia em um só livro. Mas fiquei triste por que talvez o autor tenha jogado muitas informações e não tenha explicado muitas coisas …
    Bjoss

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Marta *-*
      de fato, a capa é linda *–*
      Pena que a história não me convenceu, mas pode ser que para outras pessoas funcione *–* Potencial o livro tem, talvez se fosse mais lapidado… hehe

      Beijos

  • rudynalvacorreiasoares

    Reinaldo!
    Triste ver um livro com potencial tão bom, muita mitologia e personagens serem desperdiçados e espalhados em vários plots que não fazem tanto sentido, porque não se conectam a primeira vista.
    Quem sabe por ser uma trilogia, as respostas venham nos próximos?
    Gostei de ver que uma parte do nosso Brasil está incluída nessa ficção futurista.
    Vai continuar lendo a série?
    cheirinhos
    Rudy

    • Reinaldo José Nunes

      Olá Rudy *-*
      Pois é, talvez as explicações venham no próximo, mas não sei. Acho que não pretendo continuar a série, não costumo dar sequencia se o primeiro livro não me convence da história :/

      Bjs *-*

  • Gislaine Lopes

    Oi Reinaldo,
    Lendo a sinopse do livro me parece ser uma fantasia com um toque de distopia (combinação de dois gêneros que adoro). É sempre bom ler um livro que deixa nossa imaginação fluir e nos envolve em um mundo rico e bem construído, mas o autor nos apresenta muitos elementos diferentes (são pessoas especiais, seres mitológicos, portais) que podem ser excessivos para uma única história. Não sei se farei a leitura desta séria, pois já tenho tantas na fila com a mesma premissa, mas acredito que para quem está procurando mais livros nacionais para ler, pode ser uma leitura proveitosa!!

    • Reinaldo José Nunes

      Oi Gislaine, pois é, a ideia foi misturar esses dois mesmo gêneros mesmo, mas a mistura não pareceu dar muito certo :/
      Confesso que depois desse eu não li mais nenhum outro nacional com temática parecida (talvez eu tenha ficado saturado de distopias e fantasias? haha).