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Passageiros (2016) | Crítica

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Passageiros é um filme do diretor norueguês Morten Tyldum (O Jogo da Imitação e HeadHunters), que chega aos cinemas brasileiros no dia 05 de janeiro de 2016. O filme tem como premissa uma viagem espacial de mais de 100 anos em direção a um planeta colônia, onde os passageiros são postos em sono inanimado para não envelhecerem até alcançarem seu destino. Porém, algo acontece e dois deles acordam 90 anos antes da hora.

Sem conseguir explicar o que deu errado ambos vão tentar todas as formas possíveis de voltar para suas cápsulas ou de um contato com a Terra para encontrar uma solução. Pois, dessa forma, jamais chegarão ao seu novo lar.

A Starship Avalon é uma nave confortável e com tudo que o dinheiro pode oferecer, porém, sabendo que seus dias estão contados e que estão aprisionados no espaço, isso não serve como consolo. Mas, há uma grande coisa escondida da sinopse que é um fator muito importante para o filme e que poderia contar aqui como um leve spoiler.

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Portanto, se não lhe interessar saber, peço que pule logo para o final, pois é exatamente esse o ponto conflitante que fez pra mim o filme não parecer assim tão bom. Na verdade, quem acorda com 90 anos de antecipação é apenas Jim Preston (Chris Pratt), porém, quando ele percebe que viverá sozinho por tanto tempo ao esgotar todas as opções de reverter a situação, ele encontra Aurora (Jennifer Lawrence) e, de forma proposital, a acorda.

O conflito que surge então muda o tom completo da história. Passageiros deixa de ser uma trama “sobre o espaço” e passa a ser um filme “de amor no espaço”. E, parece que a direção quer justificar a ação de Jim a todo custo, o apresentando como um cara legal, divertido e bem intencionado. Entretanto, roubar a vida de alguém não representa nenhuma dessas coisas. O filme poderia certamente ter corrido para um lado mais sombrio, com uma interação mais forte e de ódio entre eles. Uma caça, um thriller. Porém nada disso é levado a diante.

Passageiros conta a relação dessas duas pessoas completamente diferentes que se veem obrigados a conviver por dezenas de anos, tendo somente um ao outro. A forma de desviar um pouco a atenção disso, para justificar a trama espacial surge com um pouco de peso apenas no final, quando um grande problema mecânico é apresentado e dado como o motivo por Jim ter sido acordado. Mas, mesmo assim, a parte comum e o caminho fácil da história acabou por tirar de mim um pouco do propósito do filme.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence tem uma ótima química e realmente carregam o filme, já que basicamente é feito somente por eles. Há uma cena envolvendo gravidade que é de tirar o fôlego, principalmente por conduzir uma sequência com água, é sufocante. As ambientações são todas muito luminosas e com paletas neutras. Há um jogo muito bonito de iluminação no filme que chama a atenção. A trilha sonora não tem muito destaque e o forte do filme fica realmente na interpretação dos atores.

Pra mim Passageiros é um filme de entretenimento puro e simples, sem levantar grandes reflexões, já que as que ele poderia levantar são ignoradas em nome da trama romântica. Mas, mesmo ignorando tudo isso, ao fim do filme senti falta de algo e certamente eu teria acrescentado um elemento a mais, que ficou palpitando em minha cabeça.

Vale a pena conferir por termos dois nomes de peso carregando o filme nas costas, mas vá sabendo que a trama pesa muito mais para o lado romântico do que para o espacial, e que para esse outro estilo temos opções muito mais bem conceituadas como Gravidade e Interestelar.

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PASSAGEIROS

Diretor: Morten Tyldum

Elenco: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen e mais

Ano de lançamento: 2016

Durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.