Pra começar o ano bem

Existem muitas superstições para garantir que o ano comece bem: Pular ondas, comer lentilha, usar roupas de uma determinada cor, transferir dinheiro para a minha conta bancária (ei, que mal faz tentar?).

No entanto, a única coisa que eu sei que realmente vale a pena para garantir que o ano comece com o pé-direito (mais uma superstição), é sair um pouco da zona de conforto e fazer alguma(s) coisa(s) diferente(s).

Desde que eu comecei a escrever pro blog vejo que pouca gente aqui lê quadrinhos, e, eu entendo bastante a relutância em vários aspectos – o que é bom é caro (Promethea saiu por R$115,00, ainda que em promoções saia mais barato, algo que também vale para Sandman ou Watchmen), muita coisa é pasteurizada e segue uma condição extremamente ufanista norte-americana com os super heróis de colante e suas fantasias misóginas pra salvar o mundo – mas e se eu disser que você pode ler de graça algumas das obras mais brilhantes dos quadrinhos atuais na internet (e de quebra melhorar seu inglês)?

Antes de mais nada eu não estou sugerindo pirataria, tudo aqui está disponibilizado na faixa e de maneira completamente legal.

Comecemos pelo ‘Pelé’ dos quadrinhos contemporâneos, o sr Chris Ware e sua brilhante ‘The Last Saturday’ publicada semanalmente no Guardian.

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A série acompanha Putnam Gray, um jovem com a cabeça nas nuvens que vive fantasiando em ser um astronauta, lidando com os problemas da infância (valentões, a incompreensão da vida adulta e sua alienação perante os adultos – que muitas vezes sequer o incluem como um ser humano vivo e pensante).

Ware é brilhante, e ver essa obra em construção conforme ela vai crescendo e se elaborando é uma das coisas mais fascinantes da leitura. Já foram várias semanas de publicação, é verdade, mas ainda dá tempo. E vale a pena.

O argentino Liniers criador do Macanudo (um dos melhores quadrinhos de humor em publicação e/ou de todos os tempos) também traz algumas geniais peças que incluem a vaca cinéfila, o robô sensível e inclusive as ‘verdadeiras’ aventuras do autor.

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No segmento de quadrinhos nacionais, o brilhante Laerte está sempre apresentando coisas novas, e, seu site traz um bocado de seus melhores trabalhos. Vale a pena perder um tempinho rendo das bobagens de Overman, do ego inflado de Hugo ou os Gatos.

Há mais sugestões que posso fazer, como o humor caustico de Cyanide and Happiness – que inclusive tem uma versão em português,  ou o brilhante projeto Garfield menos Garfield, mas já está de bom tamanho, não?

É colaborador do Resenhando Sonhos. Mestrando em ciências ambientais, pós graduado em geoprocessamento. Apaixonado por quadrinhos e literatura desde pequeno, escritor ocasional além de um INTJ em tempo integral.
  • gente isso é sinal? ahaha acabei de ler um post em outro blog sobre um mangá (quadrinhos) e agora esse sobre quadrinhos e hq, acho que preciso voltar a ler novamente quadrinhos ahahah obrigada por mostrar que existem bons e de graça! vou dar uma olhada em todos que você citou.

    Bom 2016!

    • Sinal ou não, faça o teste. No mínimo você não só não sai perdendo como acaba ganhando alguma coisa (cultura, e, nos casos de leituras em outras línguas, a possibilidade de aprender outro idioma).

  • Beatriz

    Poxa que legal essas dicas! Eu tinha visto um post no facebook que a Marvel liberou alguns quadrinhos para serem lidos de graça na internet e achei uma iniciativa bem bacana. Quadrinhos são caros mesmo e sempre que eu falo deles lá no blog percebo que pouca gente lê ou interesse. Mas com essas falicidades acho que pelo menos experimentar já seria legal. Como estou aprendendo inglês vou dar uma olhada nesses sites para ver se consigo ler pelo menos algumas tirinhas, haha. :D

    Beijos!
    http://www.prateleiracolorida.com.br

    • O site de vendas Comixology (www.comixology.com) disponibiliza várias edições número 1 para leitura, só precisa fazer um cadastro simples no site.
      Cai num ponto diferente do proposto no post já que a intenção deles (como da Marvel) é de vender edições subsequentes.