Rainbow Rowell: Anexos, Eleanor & Park e Fangirl

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Rainbow Rowell é uma autora americana que alcançou sucesso em 2013 ao publicar Eleanor & Park. No mesmo ano ela também lançou Fangirl e antes disso, em 2011 seu primeiro romance foi lançado com o título de Anexos. No Brasil os livros da autora foram publicados em 2014 pela editora Novo Século.

Por aqui o que fez mais barulho foi o tão aclamado pela crítica internacional Eleanor & Park, mas o que realmente chamou minha atenção foi Anexos, e foi por ele que minha aventura com essa autora começou.

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Anexos vai contar a história de Beth Fremont e Jennifer Scribner, duas jornalistas que trabalham na redação de um jornal. Elas são grandes amigas e acabam por trocar vários e-mails durante o trabalho, porém há uma política na empresa onde todos os e-mails são monitorados, para que assuntos indesejados não sejam permitidos. Quem monitora esses emails é o nosso também protagonista Lincoln O’Neill.

Quando Lincoln se candidatou para a vaga de TI ele não imaginou que seu trabalho seria ler os emails alheios e os classificar entre bons e ruins. Tendo esse como sua tarefa todas as noites, ele acaba topando com os pessoais e divertidos e-mail trocados entre as duas amigas e, ao invés de relatar todas as normas infringidas neles, ele acaba criando uma afeição pelas duas, especialmente por Beth.

“Ser pago para não fazer nada é um lembrete constante de que eu não estou fazendo nada – disse Lincoln. – E não fazer nada requer mais energia do que você imagina”.

Beth tem problemas de relacionamento e confidencia isso nos e-mails para Jennifer. Tudo vai normalmente até que ela avista um cara “super fofo” na redação e começa a falar sobre ele nos e-mails e é ai que Lincoln se dá por conta de que é dele que elas estão falando. Porém, como que ele vai se aproximar e dizer que ele é o cara que elas estão falando e que também é quem está lendo todos os emails que trocam?

Num desenrolar adorável que conta com uma escrita dinâmica, se revezando entre o ponto de vista de Lincoln e os textos que as jovens trocam, a autora faz com que queiramos interferir na história e dar um jeito das coisas darem certo.

Conforme o livro transcorre, achei que o final não iria ser o que eu esperava, porém de uma hora para a outra tudo se encaixa perfeitamente e, ao fim do livro, fiquei com a sensação de que precisava de mais algumas páginas para que a história não acabasse ali. Queria mais.

“Fique contente por isso, Lincoln. Dinheiro é uma coisa cruel. É o que se coloca entre você e as coisas que você quer e as pessoas que você ama”.

Foi com um sentimento de completa felicidade que terminei Anexos e resolvi que Eleanor & Park não poderia alcançar o mesmo resultado. Estava enganada.

 

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Eleanor & Park é o queridinho da maioria das pessoas que o leram, mas também tem aqueles que não acham tudo isso não. Portanto, comecei a leitura com minhas expectativas contidas.

O livro vai contar a história pelo ponto de vista dos dois protagonistas. Eleanor é uma garota rejeitada pela família. A mãe se juntou com um cara e dá mais valor a ele do que aos filhos, com isso, em uma briga, o padrasto expulsa a jovem de casa, e somente depois de um ano vivendo na casa de pessoas estranhas, Eleanor é aceita de volta em casa, porém nada mudou, aliás, piorou. Ela tem outros três irmãos menores e dividir um minúsculo quarto com eles não é fácil. Começar em uma escola nova também não.

“Depois do jantar, Eleanor costumava desaparecer no quarto para ler, e os meninos sempre iam brincar lá fora. O que pretendiam fazer quando esfriasse, e quando começasse a escurecer cedo? Iriam todos se esconder no quarto? Que coisa louca. O diário de Anne Frank, versão louca”.

No primeiro dia, ao entrar no ônibus, vê que todo mundo já tem seu lugar e, ao começarem as piadinhas em sua direção, um garoto, claramente de origem asiática, acaba por escorregar para o lado e oferecer um lugar para ela sentar. O nome do garoto é Park.

Park tem sua turma e sabe que dar lugar aquela garota ruiva, com cabelos desgranhados e com roupas estranhas que não combinam pode ser uma péssima ideia para sua reputação, mesmo assim ele o faz. O garoto é viciado em HQs e, pelo canto do olho, vê que Eleanor também as está lendo no trajeto de ida e volta da escola. Com isso, mesmo sem trocarem uma palavra, a relação dos dois começa a se formar. Park começa a deixar sua revista mais aberta para que e garota também possa ver, e um dia, entrega a ela uma de suas HQs para que ela leve pra casa e leia sozinha.

A relação simples e sincera que surge entre os dois ajuda Eleanor a seguir em frente, porém nem de perto é o suficiente para afastar de sua mente as coisas ruins com as quais que ela precisa lidar. O bullying no colégio, o padrasto em casa e as ofensas e pegadinhas que pregam nela assim que vira as costas.

Nesse romance adolescente tem que cara de assunto de gente grande, a autora conduz a leitura de forma concisa, com capítulos curtos alternando entre os personagens e as páginas são devoradas à espera da resolução da história. Porém ao chegar ao fim dela, Rainbow Rowell nos dá um soco no estômago e é necessário lidar com ele.

Eu confesso que de todas as formas que achei que o livro terminaria, o que aconteceu não era uma delas. Eu me senti imensamente triste e depois feliz. Não soube se tinha gostado ou odiado. Até que depois de alguns dias, pensando sobre aquilo, descobri que estava satisfeita. Não é usual. Não é o que todo mundo vai querer. Mas é justo. Talvez não com os dois, certamente não com os dois, mas com quem mais precisava. Entendi a euforia, mas me senti como em A Culpa é das Estrelas. É excelente, mas não é o melhor livro que eu já li.

É sincero, honesto, triste, apaixonante, sofrido, choroso, amável, feliz, divertido e tudo mais que você conseguir pensar junto.

Quem leu Eleanor & Park e adorou, não é muito fã de Fangirl e quem leu Fangirl e amou, não é muito fã de Eleanor & Park e, não sabendo como Rainbow Rowell poderia superar a si mesma pela segunda vez, fui ler Fangirl com muito medo de me desapontar.

 

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Fangirl é a história de Cather, uma garota que escreve fan fiction sobre Simon Snow, tem uma irmã gêmea e está indo pra faculdade. Sua irmã que sempre fez tudo com ela, agora quer distância pra conhecer gente nova e acaba dividindo quarto com outra garota e não Cath. Só que Cath não quer conhecer gente nova. Cath não sabe conhecer gente nova.

Cath só que terminar Vá em Frente, Simon! antes que o oitavo e último livro da saga seja liberado e tudo que ela construiu nos últimos anos, se tornando uma das mais bem lidas autoras de fan fiction sobre Simon, acabe. Porém ela ainda não sabe como terminar a história e a faculdade está tomando muito do seu tempo.

Sua nova colega de quarto, Reagan é o oposto de Cath, mais velha, estilosa e social. Passa muito pouco tempo no quarto, mas quando está lá Levi, seu namorado está com ela. E Cath tem um super quedinha por ele, que é todo sorrisos e boniteza. O que Cath descobre mais pra frente, é que Levi na verdade não é realmente namorado de Reagan e isso vai dar uma certa sacudida na história.

Cath também está fazendo uma cadeira de escrita de ficção e lá se torna parceira de Nick, um jovem muito talentoso, porém bastante egocêntrico. Eles escrevem juntos e quando chega a hora de escrever o projeto final, 10 mil palavras de uma história original Cath trava. Ela acha que só consegue escrevem sobre universos já criados, que só consegue escrever sobre Simon, e ela inicia uma luta contra ela mesma pra tentar superar isso.

“Às vezes, escrever é como descer um morro, seus dedos tocam o teclado do mesmo modo que suas pernas pisam o chão quando não conseguem lutar contra a gravidade”.

Em paralelo a isso Wren, sua irmã está se metendo em várias encrencas e o pai, que ficou em Omaha, está trabalhando demais e sucumbindo a solidão. Se não bastasse tudo isso, há Levi e Nick e Levi de novo.

A escrita é extremamente linear e se você é daqueles que gosta de reviravoltas ao longo do livro, afirmo que provavelmente não vá gostar de Fangirl. Eu gostei, enxerguei muito de mim em Cath e de muito do que às vezes sinto em suas próprias agonias. As cenas entre ela e Levi são as mais amadinhas <3 e as com Reagan as mais divertidas. Wren é de dar no nervos, mas as vezes faz com que a gente chore.

Fangirl foi uma surpresa positiva, e entendi quem teve dificuldade de ler esse livro. Ele é lento, mas pra mim, que me identifiquei com a história, fiquei imensamente feliz com a leitura. O fim foi de me deixar puta. Não porque é ruim. Mas porque eu queria mais. MUITO MAIS. A autora constrói a história lentamente e a finaliza num estalar de dedos, deixando a gente meio que voando. Mas dai li com atenção a última página e abri um sorriso. No fim de tudo, vai dar tudo certo. Por mais abrupto que seja.

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O bacana sobre Rainbow Rowell é que ela não tem uma fórmula que se repete. Seus livros são sempre diferentes. Ela escreve com visão feminina e masculina, com jovens e com adultos, para jovens e para adultos. Ela escreve dramas adolescentes e romances adultos. A escrita é sensível e emocional. É divertida e cheia de referências a vários outros livros e filmes, em especial Senhor dos Anéis e Harry Potter. É uma leitura dinâmica e rápida. As vezes termina com reviravolta, as vezes termina do nada e as vezes termina bem onde deveria terminar. Descobri no fim de Fangirl que essa mulher é uma autora de verdade, pois tudo que ela toca, é sensível e cheio de coisas invisíveis que nos emocionam e nos fazem pensar.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.