Rangers #1: Ruínas de Gorlan – John Flanagan

Ruínas de Gorlan é o primeiro livro da série Rangers – Ordem dos Arqueiros do autor John Flanagan. O lançamento é de 2009 pela editora Fundamento.

Sobre o Livro

Will é um dos 5 órfãos de Redmont acolhidos pelo Barão Arald, por seus pais terem servido ao reino ou terem morrido em alguma missão. Ele não sabe quem foram seus pais e sequer o sobrenome que deveria ter, porém no momento o que mais lhe preocupa é que o Dia da Escolha está chegando e pode ser que nenhum dos mestres o queira como aprendiz, lhe restando como opção somente servir senhores em fazendas ao longo do reino.

O garoto gostaria de servir a Escola de Guerra para honrar o pai, o qual a única coisa que sabe é que morreu em batalha e portanto era um soldado. Porém, ao contrário de seus outros amigos órfãos, ele não tem certeza de nada. Horace, George, Alyss e Jenny já definiram suas afinidades e criaram uma relação com os mestres, o que lhes dá certeza que serão escolhidos.

“O deserto que estavam atravessando a cavalo parecia sugerir a presença de forças ocultas, forças muito maiores que suas habilidades.”

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Quando o dia chega e com ele a recusa do mestre da Escola de Guerra, pelo garoto ser muito mirrado, Will se surpreende a ver o arqueiro Halt se aproximando do Barão e manifestando seu interesse nele. O jovem nunca tinha ouvido falar sobre um aprendiz de arqueiro e, a organização era vista com olhos cheios de curiosidade e suposições que envolviam as mais diversas coisas, incluindo magia.

O jovem, que não tem muita opção, acaba aceitando e parte com Halt para começar seu treinamento. De forma bem peculiar, o mestre arqueiro o põe a trabalhar e pouco a pouco o garoto começa a se interessar pelas coisas, mesmo com os métodos de ensino diferentes de seu mestre. Porém, o que descobrimos logo no início do livro, é que uma ameaça antiga vai voltar para assombrar o Reino de Araluen, colocando todos em alerta. É por causa desse inimigo que se aproxima que talvez Will tenha que aperfeiçoar suas habilidades o mais rápido possível.

Minha Opinião

Meu primeiro contato com o John Flanagan e sua obra foi através do prequel A Origem – O Torneio de Gorlan, que é uma nova série em que o autor volta alguns anos atrás para contar uma história prévia à presente na série original. A leitura desse livro, apesar dos alertas de spoiler, pra mim serviu como um teste para saber se eu iria me entender com a escrita do autor e, claro, a própria história. Depois de ter tido uma experiência super divertida conhecendo Halt e Crowley naquele livro, me senti super confiante para começar a ler a série Ordem dos Arqueiros em seus 12 volumes.

Tendo dito isso, afirmo aqui que sim, caso você tenha dúvidas sobre se quer começar ou não a série e não quer se arriscar com tantos livros logo de cara, Torneio de Gorlan pode ser uma ótima oportunidade para que o leitor tire a temperatura da história antes de mergulhar logo de cabeça.

Algo super importante de se ressaltar é que a escrita do autor é bem simples, assim como sua construção de mundo. Não espere de Rangers um mundo vasto e cheio de detalhes únicos, pois não é essa a realidade. John Flanagan trabalha com elementos da fantasia, mas prefere caminhar sobre algo mais simples e plausível. Porém, mesmo com o world building não muito explorado, ele consegue conduzir e sustentar de forma muito fácil a sua história. Tudo em Rangers funciona muito bem, a narrativa, a história, o carisma dos personagens, os capítulos curtos e a simplicidade da trama.

“Acenda o fogo para coar café – Halt recomendou – e isso pode ser a última coisa que vai fazer.”

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Will é um personagem muito genuíno. Ele consegue ser inocente e cheio de malícia ao mesmo tempo. Ele não sabe direito quem é, de onde veio e o que será de sua vida, mas usa sua cabeça inteligente e todas as suas habilidades pra dar sempre o seu melhor. Ele é atento, gosta de perguntar e não perde a oportunidade de aprender algo novo. Sua curiosidade chega a ser engraçada, pois ele por vezes mal consegue controlar a língua.

A relação que vai se criar entre ele e Halt também é bem interessante. Aquele que ele via como algo até mítico, vira seu mestre e é preciso que eles se conheçam e confiem um no outro para que essa parceria dê certo. O Halt que conheci nesse livro, num primeiro momento, parece bem diferente de sua versão mais jovem de A Origem. Ele era brincalhão e tinha uma relação divertida com Crowley, enquanto aqui ele é sério e nunca brinca. Porém, ao decorrer do livro descobrimos que tudo isso faz parte de sua técnica enquanto mestre e que por baixo da aura de durão, o Halt mais solto que vi no outro livro acaba por se mostrar, mesmo que brevemente

Acho que o livro cumpre bem a proposta de ser introdutório, mesmo curto. Fiquei pensando que poderia haver mais, mas depois me dei por conta que por ter começado pelo outro já estava dentro do mundo e talvez por isso as informações não tivessem o mesmo peso, o que não diminui de forma alguma o quanto aproveitei a leitura. Há spoilers de A Origem em Ordem do Arqueiro e vice versa, independente de onde que você vá começar, chegará ao outro sabendo um pouco mais que o necessário, e não há mal nisso se você for daqueles leitores que gosta de saber todos os detalhes.

Rangers – Ruínas de Gorlan é um livro infanto juvenil mas que tem um protagonista maduro para a sua idade. Mesmo com 15 anos, Will apresenta comportamentos mais adultos e isso é sempre positivo para não infantilizar demais a história. Para os fãs de fantasia que curtem histórias mais simples, porém encantadoras ao seus próprios termos, fica aqui a dica. E, aos já fãs da série, tenham paciência comigo, estou começando agora a desbravar o mundo que há 7 anos (ou mais) vocês já habitam.

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Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra. A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o misterioso arqueiro, que muitos acreditam ter habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria. Relutante, Will aprendeu a usar as armas secretas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e… um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão: impedir o assassinato do rei.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Ilana Rafaely

    Queria muito ler essa série mas quando vi que tinha 12 livros fiquei com um pé atras, claro que ainda pretendo ler mas estou um pouco saturada de ler séries que tem uma quantidade enorme de livro e irei deixar a leitura de Rangers para um pouco mais para frente. Personagens de livro infanto juvenil maduro já é um ponto positivo para mim (muito mimimimi me irrita).

  • Lara Caroline

    Olá!
    Gostei bastante da sua resenha e você me deixou bastante interessada para ler esta série, mas são taaaaantos livros (não tenho dinheiro pra tudo isso). Gostei do Will também, o fato dele ser mais maduro pela idade que ele tem me chamou atenção.

  • Bruna Prata

    Não sei não, são tantos livros dessa série, que por mais que eu esteja interessada em ler mais sobre o Will, existe diversos fatores ($$) que me impede, principalmente que, no momento presente, não estou em uma vibe de fantasias.

  • Daiele

    Olá Tami.

    Lendo a resenha eu fiquei com a impressão de “eu ja vi essa historia antes” Mas agora não sei se é por conta da sua resenha de “A Origem” ou se realmente me parece um pouco clichê. Mas por outro lado temos um protagonista que parece muito maduro, o que apesar de ser bom, tbm é ruim. Não gosto muito com o protagonista tem certa idade e aparenta ser mais velho ou mais novo, confesso que me incomoda um pouquinho isso. A premissa é muito bacana sim, e pode ter uma leitura muito simples e fácill, porem, são doze livros né! Isso sempre me decepciona… haha

    beijos

  • ADRIANA HOLANDA TAVARES

    Tami, eu achei mega interessante essa série, a capa é linda, achei muito muito legal, o nome não me cativou nem um pouco, achei meio estranho, porque me lembrou logo os power rangers (que eu nunca simpatizei muito). Mas é sério mesmo que é uma série de doze livros? O que está acontecendo com os livros hoje que todos estão buscando esse número? Até parece que estão garantindo o dim dim do ano todo, com um livro por mês. Aff isso me deixa muito chateada!

  • Bárbara Branco

    Eu gosto bastante dessa série, principalmente por ser meio motivacional. Eu li que o autor do livro começou escrevendo para o filho, para mostrar que os heróis não precisam ser fortes para serem bons

  • viviane baptista

    Eu quero muito ler esse livro, me parece muito interessante e com um desenvolvimento muito bom.