Rangers #5: Feiticeiro do Norte (John Flanagan)

Feiticeiro do Norte é o 5º livro da série Rangers: Ordem dos Arqueiros, do autor John Flanagan. O volume foi lançado em 2010 pela editora Fundamento.

*Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores

Sobre o Livro

Will é um Arqueiro. Seu treinamento acabou e depois de tudo o que ele passou ao lado da Princesa e dos escandinavos, é hora de moldar seu futuro como membro da Ordem. Recebendo o seu primeiro feudo, Will se dirige para Seacliff, onde o antigo Arqueiro se aposentou. Ao chegar lá ele nota o óbvio receio que paira daqueles que precisam interagir com ele, mas sua juventude lhe dá um desconto e ele não é visto como tão ameaçador. A questão é que como seu novo lar ele vai ter que aprender a lidar com tudo isso, as pessoas ao seu redor e o fato de que o feudo não leva a proteção de seu reino muito a sério.

Em adendo a isso, o jovem encontrou uma cadelinha ferida no caminho para Seacliff e a resgata, tornando-a parte de sua comitiva junto com Puxão, seu fiel e bem treinado cavalo. Mas se Will acha que terá uma pacata vida em Seacliff, certamente o destino lhe reservou algo bem diferente.

“Ninguém sabe onde os boatos começaram, mas também houve… outras manifestações.”

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Ele receberá uma mensagem por Alyss, e com ela um nova missão. Rumores surgiram em Macindaw de que um antigo e poderoso feiticeiro estaria de volta. Para ajudar com os rumores, Lorde Syron e senhor do castelo caiu de cama de uma misteriosa doença, enquanto o povo enfrenta o medo. Will, que não acredita em feitiçaria, vai ter que descobrir o que realmente está acontecendo, porém, não irá exatamente como um Arqueiro.


Minha opinião

No último livro vimos mais um arco se fechar e nossos personagens encontrarem desfecho para o problema central que os cercava. Essa parece ser a fórmula do autor, não estender um problema por mais de dois livros, e aproveitá-los para, através de histórias diferentes mas que se interligam, nos mostrar mais a mais facetas sobre seu mundo e povo.

Aqui já temos um Will formado. Ele não é mais o aprendiz de Halt e está recebendo sua primeira atribuição oficial, como Arqueiro responsável pelo feudo de Seacliff. Junto com isso veio todas as orientações de que, apesar de olhar pelo feudo, sua devoção deve ser com a Ordem e com o Rei. Ele entende que não deve se aproximar demais das pessoas do castelo e precisa manter todo o mistério que repousa nos arqueiros.

Will é um personagem encantador desde o primeiro livro e aqui não foi diferente. Enquanto ele está seguro sobre suas habilidades como jamais o vimos antes, ele se vê questionado pela corte do Rei sobre sua idade, pois não possui o mesmo ar autoritário de um arqueiro mais velho. Sua cabeça fica no vai e vem entre achar engraçado e se sentir ofendido. Além disso, tudo é novo pra ele, e ele vai ter que se habituar a essa nova realidade.

“Mais acostumada a estar perto de arqueiros do que a maioria das pessoas, gostou do que viu no rapaz.”

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Mas a história fica pouco nesse ponto e logo já teremos o jovem arrastado de seu feudo para uma nova aventura. Apesar das criaturas aqui apresentadas, como os orcs, a magia nunca foi algo trabalhado verdadeiramente, e tanto Will como Halt não acreditam em feitiçaria. E é baseado no ceticismo que esse segundo manda nosso protagonista investigar os boatos que rondam Macindaw.

O legal desse plot é que Will não vai como arqueiro, e sim como outra coisa, que vai desafiá-lo em um outro nível. É super engraçado ver toda a sua “preparação” e de como ele duela em sua mente sobre essas outras capacidades que ele vai ter que mostrar.

Porém, mesmo ele sendo nosso protagonista, quem ganha os olhares mais atenciosos nesse livro é a cadelinha que Will encontra em seu caminho para Seacliff. Apesar de um leve desconforto de Puxão no começo, ele também logo se afeiçoou a ela, e a personagem canina já ganhou sua importância na trama com truques e alertas. Outra personagem que eu adorei ver aqui foi Alyss. Ela dá um pouco mais de vida à Will, faz parecer ao leitor que ele é mais profundo do que somente o que é nos passado através das páginas, e isso é muito bacana. Ambos possuem sentimentos que coexistem com seus deveres e há naturalidade nisso, sem exageros.

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E, por mais que a história pudesse caminhar para se encerrar aqui mesmo, no final se desenvolvem mais coisas que estendem a trama mais um pouco e, portanto, só teremos o desfecho do que vimos em Feiticeiro do Norte no próximo volume, Cerco a Macindaw.

A escrita do autor é super fluída e essa é uma história muito rápida de ler. Apesar do tom mais juvenil, o autor não simplifica a trama e sim sua forma de contá-la, deixando a narrativa leve. Pra mim que leio vários livros por mês e encaro umas fantasias mais pesadas, Rangers tem sido uma ótima opção para intercalar com esses outros livros.

Em Feiticeiro do Norte somos apresentados a um novo elemento e a um protagonista bem mais maduro. Will não é apenas mais um aprendiz, ele agora é um Arqueiro e sabe muito bem a responsabilidade que carrega. Aqui podemos ver o quanto ele tem confiança em si e no que aprendeu sem de tornar arrogante. E já estou bem curiosa pra saber o que mais John Flanagan inventou nessa história para nos prender por mais tantos livros que ainda faltam. E agora, depois de 5 livros, já posso entender porque tanta gente adora essa trama.

Rangers #5: Feiticeiro do Norte

Autor: John Flanagan

Editora: Fundamento

Ano de publicação: 2010

Depois de vários anos de dedicação e inúmeros perigos, Will conclui seu aprendizado e se torna, finalmente, um arqueiro. Sua primeira tarefa sem a supervisão de Halt é assumir o posto de guardião do feudo de Seacliff, uma ilha localizada num setor tranquilo do reino. É o trabalho ideal para um arqueiro recém-formado. Entretanto, diferente do que se poderia imaginar, a estada de Will em Seacliff não será nem um pouco tediosa. Will recebe a visita de uma velha amiga, Alyss, que lhe fala sobre a misteriosa doença de lorde Syron, o senhor do castelo de Macindaw, no extremo norte. Ela conta que a população local está aterrorizada com os rumores de que um terrível feiticeiro é o responsável pelo mal do lorde. Então, uma difícil tarefa é dada a Will – descobrir a verdade. Para realizá-la, ele parte rumo à floresta Grimsdell, onde é assombrado por vozes sinistras e pelo assustador Guerreiro da Noite. Esses acontecimentos o fazem pensar se há explicação racional para aquilo… ou se feitiçaria existe de fato. Sem saber em quem confiar em meio a tantas superstições, boatos e inexplicáveis aparições, Will pode contar apenas com seu treinamento, suas habilidades e a inteligência para sobreviver. Mas talvez isso não seja o bastante….

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.