A Rebelde do Deserto – Alwyn Hamilton

A Rebelde do Deserto foi escrito pela autora Alwyn Hamilton e é um lançamento de 2016 da editora Seguinte.

Sobre o Livro

Amani Al’Hiza tem um grande desejo que é deixar a Vila da Poeira e ir para Izman, a capital de Miraji. Porém, na realidade em que ela vive isso só vai acontecer se ela fugir, e pra isso ela precisa de dinheiro. Pra tentar angariar fundos, ela vai até a cidade de Tiroteio onde campeonatos de tiro ao alvo acontecem e o vencedor leva um premio em dinheiro que daria a ela a chance de escapar da família.

A mãe de Amani morreu e quando completar um ano do acontecido ela já estará apta para casar. Morando com o tio, em uma sociedade onde um homem pode ter várias esposas, ela vê que ele provavelmente a tomará como mais uma das suas, junto com sua tia e outra jovem que recentemente também casou com ele. Sem opções, fugir é sua única chance.

Disfarçada de garoto ela vai à competição e logo é apelidada de Bandido dos Olhos Azuis, por seu olhar ser tão marcante. É lá que, entre seus concorrentes, ela cruza caminho com um forasteiro. Esse jovem, como ela descobrirá no dia seguinte, está sendo procurado pela guarda, pois em meio a ação da noite anterior o local da competição pegou fogo e a culpa por isso é dada aos apoiadores do Príncipe Rebelde Ahmed, herdeiro do trono que desafiou o pai e que agora quer a coroa, prometendo uma realidade melhor que a oferecida pelo pai.

“Um ser primordial criado numa era anterior aos mortais, feito de areia e vento. Capaz de correr até o fim do mundo sem cansar. Uma criatura que valia seu peso em ouro.”

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É ai que a magia do deserto dá a Amani a oportunidade de finalmente escapar dessa realidade e ir em busca de uma vida melhor. Porém, ela também vai contar com a ajuda de alguém inesperado e o destino dessa jovem, da rebelião e da magia dos seres primordiais que ronda esse povo pode ter se interligado sem que ninguém perceba.

Minha Opinião

Quando lemos muitos livros é bem difícil encontrar histórias que se destacam ou que não vivem do clichê ou dá inspiração em outras tramas para se manter. Porém, como um sopro de vento fresco no calor, A Rebelde do Deserto era exatamente o que eu estava precisando no momento. Um livro pra causar entusiasmo, um livro pra cobiçar a continuação e, principalmente, um bom livro para indicar.

Amani é excepcional em vários aspectos. Ela vive uma realidade dura onde é pobre, órfã e mulher, e portanto, não tem nenhuma voz ou direitos. Seus pais estão mortos e só restou à ela a vida com o tio e sua família, e agora também a perspectiva de se tornar outra entre as esposas dele. Mas apesar da rejeição e da falta de opções ela se manteve forte e fixa em um objetivo, escapar e ir em busca de uma vida melhor.

Nada passa batido por ela, que está sempre de olho em tudo. Em uma cidade em que a sobrevivência depende da constante produção de uma das maiores fábricas de armas do mundo, saber atirar é quase um requisito básico, que mesmo sendo mulher, ela deu um jeito de aprender e utiliza como uma das formas de comprar seu ticket para um futuro diferente.

Posso falar diversas coisas sobre ela, mas acho que a mais importante é o quando ela vai mudando seus posicionamento de forma coerente ao longo do livro. Ela vive aquela realidade e acredita que Izman é sua melhor opção porque a irmã de sua mãe morava lá e escrevia cartas contando sobre uma vida melhor. Mas ela não conhece essa cidade, ela aliás não conhece nada mais do mundo, e é assim que, conforme ela põe os pés pra fora de Vila da Poeira, seu mundo e suas perspectivas começam a mudar.

Ela descobre que existem outros tantos lugares e outras tantas opções que ela não precisa mais seguir seu plano original, que talvez seu plano original nem seja mais o que ela verdadeiramente quer, já que tudo o que ela sempre buscou foi liberdade. O que é, na verdade, toda a moral desse livro pra vários personagens e não só Amani. A luta e o desejo por liberdade.

“Eu não zombaria de alguém que está prestes a apontar uma arma para sua cabeça.”

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A Rebelde do Deserto se passa no deserto e eu nunca tinha lido nada com esse background ainda ou com a composição mágica que ele apresenta. O mundo criado por Alwyn Hamilton possui magia através de seres primordiais e djinnis, criaturas místicas que existem de verdade e fazem parte do “folclore” desse povo. Apesar de respeitar algumas lógicas familiares a nós, também temos esse toque fantástico inserido na história como algo natural e corriqueiro ao mundo deles.

Também há um leve romance nesse livro, o que poderia me incomodar, mas teve o efeito contrário. Meu ranço com romances em livros de fantasia sempre foi o fato disso distorcer o foco da história e aqui acontece o oposto, é a aproximação de dois personagens que vai dar o tom à história. Nem sei se posso chamar de romance, porque não acho que chega a ser isso. Também consegui ver na relação dos dois algo que deveria estar presente em todos os relacionamentos, principalmente os reais, que é o senso de escolha e, novamente, a liberdade. A pessoa estar envolvida mas conseguir tomar suas próprias decisões, fazer suas próprias escolhas e ver a relação evoluir como algo natural, fugaz em alguns momentos, mas natural e saudável.

O desenrolar da história vai ter várias reviravoltas e nos apresentar criaturas mágicas muito interessantes, além de uma nova perspectiva de sobrevivência ou comunidade dentro de um deserto. Não é só areia, há vida. A areia tem vida. E enquanto caminhamos ao lado dos personagens através dessa imensidão de areia e calor, vamos conhecendo algumas das lendas desse local e de como elas influenciam na cultura. Pois mesmo sendo consideradas lendas, podem sim ter um toque de verdade.

A cada pequena descoberta e revelação fiquei mais encantada com a história e acabei de ler com aquele sentimento de preenchimento e felicidade que todo leitor conhece bem, assim como o desejo da continuação para ontem. A não ser que livros muito especiais caiam na minha mão até o fim do ano, já adianto que A Rebelde do Deserto, com sua mistura de cultura árabe, faroeste e fantasia entrou pros meus favoritos, e provavelmente vai estar entre os 10 melhores livros de 2016 na minha listinha!

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O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.

Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.