#RESENHA: Fênix – A Ilha

Ao ver esse Fênix A Ilha na livraria o que me chamou a atenção foi que na capa, a primeira chamada dizia que o livro tinha dado origem a série de TV Intelligence. Eu assisti Intelligence por causa do Josh Holloway (eterno Sawyer), que após Lost não tinha feito nada significativo como ator. O seriado foi cancelado e quem assistiu sabe muito bem porque, era realmente fraco.

Mas a questão é que, quando você vai ler um livro que dá origem a uma série ou a um filme, você espera que o livro seja mais profundo, que contenha mais detalhes, e não é isso que acontece com Fênix A Ilha. O livro foi publicado no Brasil esse ano pela editora Novo Conceito e é do autor John Dixon e, por mais incrível que pareça, não tem nada a ver com a série. Ou quase nada, se você for uma pessoa tolerante.

Na série, temos um ex-soldado americano que aceita fazer parte de um projeto científico, no qual é implantado em seu cérebro um chip que o conecta com toda a rede, fazendo com que ele possa acessar a internet, banco de dados, câmeras de segurança, GPS, além de reconstruir cenas diretamente em sua mente. Uma divisão do governo americano (tipo CIA ou FBI) é criada ao redor dele para protege-lo e auxiliá-lo em suas missões, pois agora ele é a arma e o soldado mais importante dos Estados Unidos.

No livro, a coisa é bastante diferente. Nosso personagem principal é Carl Freeman, uma garoto de 16 anos, que perdeu a mãe para o câncer e o pai, policial, que foi baleado em serviço e agora vaga pelo sistema de adoção. Porém, Carl está sempre se metendo em confusão e em brigas, defendendo os injustiçados, graças a um evento que ocorreu quando seu pai ainda estava definhando, após ser baleado.

Depois da primeira infração, quando ele ainda tinha 10/11 anos, o juiz recomendou que ele praticasse boxe para canalizar a raiva e Carl realmente se tornou um ótimo pugilista, ganhando campeonatos estaduais e nacionais. Entretanto as infrações não pararam e ele foi sendo mudado de estado em estado, de família em família até que se vê, aos 16 anos em uma situação bastante complicada.

Ameaçado de ser jogado em uma prisão comum e ser tratado como um adulto devido a sua reincidência, Carl recebe a opção de ir para a Ilha Fênix. A Ilha é uma instituição dita de reabilitação militar terminal. Quando não há mais opções jovens são enviados para lá até completarem 18 anos, e recebem treinamento militar para voltarem a se restabelecer na sociedade.

Ao chegar lá, Carl descobre que todos os jovens enviados são órfãos e logo de cara já arruma conflito com uns dos oficiais superiores, complicando a sua vida. Após algumas semanas ele descobre um diário de um jovem que foi calouro a alguns anos, onde ele conta que a Ilha não é exatamente o que eles pensam e que após uma mudança de fase muitos serão mortos ou torturados e que o verdadeiro objetivo é treiná-los para se tornarem mercenários e assassinos.

Ai, já estamos na página 200 de um livro de 300 páginas e por hora, nada a ver com a série! A partir daqui, começamos a ter um vislumbre do que pode ser a inspiração.

O Ancião, o cara que comanda a Ilha, toma Carl como seu pupilo e explica pra ele como as coisas acontecem por lá. Os jovens são injetados com substâncias para melhorar crescimento e fortalecer músculos e alguns recebem microchips que vão modificar o corpo, tornando-os mais fortes, mais altos e mais rápidos. Quando alguém se destaca ele é cogitado para receber o chip mestre, porém ninguém conseguiu “sobreviver” a cirurgia de forma esperada. Não há nenhuma explicação do que esse chip mestre faz ou de como ele funciona.

Cercado de segredos e curiosidade Carl vai tentar descobrir o que realmente se passa na ilha, ao mesmo tempo em que tenta achar um jeito de escapar e tirar seus amigos dali.

O livro vai ser contado do ponto de vista de Carl e de uma garota, Octavia, porém, nem vale a pena mencioná-la, pois a personagem é completamente vazia e esse é o grande problema do livro (superando a decepção de não ter nada a ver com a série) do meu ponto de vista. O autor é um ex boxeador profissional, então faz todo o sentido ele criar um personagem que também é, mas o que não deu certo é que ele se perde muito em descrições de cenas de luta e treinamentos de boxe e esquece do mais importante: criar personagens concisos e cativantes. A narrativa pula de um ponto para outro muito rapidamente, não há explicações e os personagens são vazios.

O livro não é ruim, mas não serve para ser ótimo. Não achei nada concreto, mas parece que haverão mais livros para dar continuidade a história. Espero que sim. E mais que isso, espero que a continuidade seja mais parecida com o que foi criado na série do que essa trama juvenil. Quem sabe o Carl não vai se tornar o nosso agente de Intelligence? Bom, é pra isso que estou torcendo, já que a surpresa com o livro não foi exatamente positiva.

Apesar de tudo, o livro trás uma mensagem bem legal sobre se importar com o próximo, e até que ponto uma pessoa pode chegar para alcançar seus objetivos sem que o bem estar e a vida do outro interfira em suas decisões. Ele nos faz refletir sobre o lado humano e o lado animal, quando o desejo de caçar e matar supera a humanidade e trás a tona a verdadeira identidade e essência da pessoa.

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FÊNIX: A ILHA)

Autor: John Dixon

Editora: Novo Conceito

Ano de publicação: 2014

Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos. Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo. Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.