#RESENHA: O Jogo do Anjo

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“Não tenha vergonha de ter medo. Ter medo é sinal de bom senso. Os únicos que não tem medo de nada são os idiotas completos.”

O Jogo do Anjo é o segundo livro da Coleção Cemitério dos Livros esquecidos do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. E como o nome da própria coleção já denuncia, somos levados novamente para o ambiente de Barcelona e, para dentro do Cemitério dos Livros Esquecidos, assim como em A Sombra do Vento (resenha aqui), livro mais famoso do autor.

 

“Há quem prefira acreditar que é o livro quem escolhe a pessoa… o destino por assim dizer. O que está vendo aqui é a soma de séculos de livros perdidos e esquecidos, livros que estavam condenados a ser destruídos e silenciados para sempre, livros que preservam a memória e a lama de tempos e prodígios que ninguém mais lembra. Ninguém de nós, nem os mais velhos, sabe exatamente quando foi criado ou por quem.”

 

Demorou um tempo até minha cabeça se situar no tempo e saber exatamente quais as proporções temporais com relação ao primeiro livro. Essa não é uma típica trilogia onde as histórias continuam de forma linear. A história de O Jogo do Anjo, ocorre anos antes do nascimento de Daniel Sempere, protagonista do primeiro livro. Porém tudo se interlaça perfeitamente e o leitor acaba por se surpreender descobrindo a importância e identidade de cada personagem.

O Jogo do Anjo conta a história de David Martín, um jovem que quer ser escritor. Após fazer um breve sucesso publicando contos em um jornal, é demitido e recebe uma oferta para escrever histórias para uma editora usando o pseudônimo de Ignacius B. Samson. Ele se instala em uma casa em ruínas, que no futuro se revelará cercada de segredos, e começa a escrever. Porém, descobre que está com uma doença que o matará em breve e, ao receber uma proposta intrigante de um misterioso estranho, Andreas Corelli, para escrever um livro, Martín começa uma jornada que vai lhe dar e tirar tudo o que mais quer e ama.

Onde as coisas se conectam: David teve um pai abusivo e na infância acabava por procurar abrigo entre os livros da Livraria Sempere e Filhos, comandada nesses anos pelo avô de Daniel (A Sombra do Vento). Também é o Sr. Sempere que apresenta Martín ao Cemitério dos Livros Esquecidos, tornando-se bons amigos. A mãe e o pai de Daniel também tem um papel bem importante na história, e suas identidades vão se revelando ao longo das páginas. Também marcam presença senhor Barceló, Isaac Monfort, o guardião, e Don Anacleto, vizinho dos Sempere.

Eu gostei  bastante do livro, porque apesar de estar ambientado na mesma cidade e o enredo ser também sobre um escritor/livros a perspectiva da narrativa é mais madura, pois o ponto de vista é de um homem mais velho que o muito jovem Daniel em A Sombra do Vento. Ele mantém o mesmo mistério durante o livro, que vai se dissolvendo em pequenos segredos revelados, deixando, obviamente os mais importantes para o final. Confesso que o final para mim foi inesperado.

Conforme li fiz muitas descobertas, compreendendo detalhes da historia já contada, e me firmei como fã do autor, afinal não há nada mais decepcionante do que autores de um livro só. Agora posso afirmar com certeza de que Carlos Ruiz Zafón é sim, um ótimo escritor. Agora quero ler O Prisioneiro do Céu e  descobrir como ele vai se encaixar na trama já estabelecida. O Prisioneiro do Céu é o 3º livro da Coleção Cemitério dos Livros Esquecidos.

 

“A inveja é a religião dos medíocres. Ela os reconforta, responde às angustias que os devoram por dentro. Em última análise, apodrece suas almas, permitindo que justifiquem sua própria mesquinhez e cobiça, até o ponto de pensarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão para os infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outro rastro se não suas toscas tentativas de depreciar os demais, de excluir e, se possível, destruir quem, pelo mero fato de existir, evidencia sua pobreza de espírito, de mente e de valores.”

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LIVRO-O-Jogo-do-AnjoSinopse

Em “O Jogo do Anjo”, o catalão Carlos Ruiz Zafón explora novos ângulos da cidade onde ambientou “A Sombra do Vento”, sucesso que já ultrapassou a marca dos 10 milhões de exemplares em todo o mundo e, no Brasil, já figura há mais de um ano na lista de mais vendidos. Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade.
Na Barcelona dos anos 20, David Martín é um jovem escritor fracassado, obcecado por um amor impossível e abatido por uma doença fatal. Até que vê sua sorte mudar ao receber uma oferta irrecusável.

 

 

 

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.