#RESENHA: Vango – Entre o Céu e a Terra | Timothée de Fombelle

Vango – Entre o Céu e a Terra é um lançamento de 2015 da editora Melhoramentos e foi escrito pelo francês Timothée de Fombelle. Ele é o primeiro de uma duologia que finaliza a história com Vango – Um Príncipe sem Reino.

Sobre o livro

“Ele cresceu com três babás: a liberdade, a solidão e Mademoiselle.”

Esse livro vai contar a história de Vango, um jovem que está prestes a se tornar padre, quando é acusado de assassinato, minutos antes da cerimônia. Ele foge da polícia e começamos a acompanhar a história desse estranho garoto que parece vir sendo perseguido a muitos anos pelos mais diversos tipos de pessoas.

Essa história vai se passar entre o fim da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda, indo e voltando entre os anos para tentarmos aos poucos conhecer a história desse menino que, junto com sua babá, foi encontrado em uma ilha isolada e cresceu lá entre a natureza, até que ao tentar ajudar um morador da mesma ilha que tentava fugir da esposa se viu preso em uma tempestade que os levou direto a outra ilha próxima.

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Essa ilha, chamada de Arkudah era tida como infértil e, portanto, inabitada, porém nosso protagonista vai encontrar lá o Mosteiro Invisível, local que abriga vários padres que vivem em exílio. Como o Mosteiro precisa ficar em segredo, Vango começa a se desdobrar entre sua pacata vida na Ilha em que vive com Modemoiselle e a aventura de conhecer o segredo de Arkudah.

“Uma escrivaninha é um barco. É assim que se deve trabalhar. Você se inclina sobre o livro e iça as velas.”

Após três anos de idas e vindas, Vango diz a Zéfiro, o homem que comanda o Mosteiro, que quer se tornar padre e viver ali com eles. O homem então diz ao garoto que somente depois de ele conhecer o mundo é que ele pode tomar essa decisão e então, contata um amigo do continente e manda Vango em uma viagem que vai fazer com que eles descubra o mundo e todos os seus perigos.

Esse amigo é ninguém menos que Hugo Eckener, um alemão que inventou os dirigíveis e que dá voltas pelo planeta a bordo de sua obra. É com esse homem que Vango vai ter seu primeiro contato com o mundo fora das ilhas e é abordo do Graf Zeppelin que ele vai dar início a essa jornada e vai começar a enfrentar também os primeiros problemas.

E é enquanto conhecemos um pouco do passado de Vango que vemos ele fugir da polícia e acompanhamos todas as pessoas que estão tentando o encontrar. O delegado Boulard, Eckener, Ethel, uma garota apelidada “Gata” e os misteriosos homens que estão atrás desse garoto a muitos anos. Além dessa eletrizante busca, também tentamos descobrir de onde veio o menino, quem são seus pais, como ele foi parar naquelas ilhas e porque há tanta gente querendo capturá-lo.


Capa e Diagramação

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“Então, Vango viu a escuridão da sala se movimentar. Sombras se ergueram a sua volta. Ele não as tinha visto. Mas, desde que entrara, dezenas de homens de preto, sentados em bancos de pedra, não haviam tirado os olhos dele.”

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Esse livro está muuuuuito lindo. A capa é muito bonita, porém a edição por dentro está ainda mais bem trabalhada. Toda em tons de vermelho escuro puxado para o marrom, desde a fonte, a separação de partes e o início de cada capítulo recuado apresenta um capricho muito grande com a obra.

Há várias ilustrações que ajudam a situar o leitor tanto historicamente quando em relação as ilhas, as partes do Zeppelin e a linha cronológica dos acontecimentos.

No fim, há uma lista de todos as pessoas reais que foram introduzidas na história como personagens e nomes conhecidos como o de Adolf Hitler e Stalin estão entre eles. Também há um histórico cobre o Graf Zeppelin e de sua passagem pelo Brasil, que é mencionado no livro. Enfim, a edição está muito bonita e ganha pontos por isso :)


Minha opinião

Eu só conheci esse livro porque a Editora Melhoramentos entrou em contato comigo por e-mail perguntando se eu tinha interesse em ler e, o que me chamou a atenção e fez com que eu aceitasse a parceria foi o fato de ele misturar a ficção com os fatos históricos da época, coisa que eu super curto.

Jamais achei que fosse considerar esse livro tão bom quanto, no fim da leitura eu o considerei. Vango apresenta tudo o que eu gosto numa história: dinâmica, ação, mistério e um ótimo ritmo de leitura. Quanto mais eu li, mais eu queria saber sobre o protagonista, mais eu queria saber de onde ele veio, o que aconteceu com os pais dele – mesmo o próprio personagem nunca tendo levantado essa questão até quase o fim do livro -, quem eram essas pessoas atrás dele e como todos aqueles personagens paralelos conheceram o Vango.

“Em geral, o delegado odiava esperar e bastava que o deixassem um minuto sozinho para que sua pressão subisse, como se estivesse numa sala de espera de dentista. Desta vez, ele se sentiu muito bem ao lado da lareira, no meio dos tapetes e quadros. Estava quase ronronando.

Boulard se deu conta de que nunca havia esperado por uma jovem num castelo. Era uma sensação deliciosa. Aos 69 anos, já era tempo de passar por essa experiência de príncipe encantado.”

E o autor vai dando migalhas de um forma que faz com que fiquemos com ainda mais fome, o que eu acho muuuuito legal numa narrativa e que, poucos autores sabem fazer de forma que dê certo, pois a maioria consegue é irritar o leitor com essa técnica.

Falei no vídeo resenha e vou falar aqui. Em 2014 tive uma surpresa muito legal com Os Garotos Corvos e acho que a mesma coisa aconteceu com Vango, que até o momento é um dos melhores livros que li esse ano.

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Além de todo o mistério e ação há vários outros pontos legais, como por exemplo o fato de o tempo presente da história estar ocorrendo durante o nazismo, o que coloca muitos dos personagens em situações que vão envolver esse contexto. O autor envolve muito bem a “história de verdade” na “história de ficção”, com ótima narrativa, capítulos curtos com mudanças de perspectivas e momentos interessantes no fim de cada parte, fazendo com que o leitor não pare a leitura até ter todas as respostas que esse primeiro livro está disposto a dar.

Portanto, tive uma experiência muito legal lendo Vango – Entre o Céu e a Terra e super recomendo a todo mundo que tiver interesse. Ainda não sei quando o segundo volume será publicado, mas assim que tiver a informação atualizo por aqui :)

VANGO: ENTRE O CÉU E A TERRA

Autor: Timothée de Fombelle

Editora: Melhoramentos

Ano de publicação: 2015

alvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango, o jovem herói do novo romance do escritor francês ‘Timothée de Fombelle’. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. Deparamo-nos com Vango na solenidade em que ele e outros seminaristas seriam ordenados padres na suntuosa catedral de Notre-Dame, em Paris. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Essa cena é apenas um exemplo do clima de perseguição e aventura de que é feita toda a narrativa, quando acompanharemos nosso protagonista em situações e lugares improváveis – como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. O fracasso em não ter sido ordenado padre deixa nosso herói arrasado, mas a jovem Ethel fica bem feliz. É ela quem vai ajudar Vango a provar sua inocência e descobrir sua identidade. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.

  • Ágata Bresil

    Você fala rápido como eu hahaha me identifiquei com seu vídeo. Também acho interessante quando o livro é em volta de fatos reais, mas não sei se prefiro que seja mesmo real ou não, de qualquer forma, hoje é a segunda vez que leio uma resenha desse livro eestou bem curiosa por ele.

    Beijos. Tudo Tem
    Refrão