Silas Marner: O Tecelão de Raveloe – George Eliot

Silas Marner: O Tecelão de Raveloe foi escrito por Mary Ann Evans sob o pseudônimo de George Eliot e foi publicado originalmente em 1861. Em 2017, foi trazido ao Brasil pelo selo José Olympio da editora Record.

SOBRE O LIVRO

Silas Marner era um jovem de origem simples e que considerava a religião e a amizade as maiores riquezas da vida, até o dia em que foi traído por seu melhor amigo e obrigado a se mudar para um povoado distante afim de deixar o passado para trás. No entanto, sua vida neste pequeno lugarejo não foi tão mais simples já que por ser tão diferente de seus habitantes, era considerado com um estranho que não traria nada de bom ao povo ao se recusar a participar da vida pacata da cidade e de acatar a seus costumes.

Levando a partir de então uma vida solitária como tecelão em Raveloe, o homem solitário se apegou ao dinheiro como quem se apega a outro alguém. Mas a vida parece não cansar de causar-lhe sofrimentos quando mais uma vez perde tudo o que tem com o roubo de seu ouro. O que ele não imaginava era que isso lhe traria mais alegrias do que tristezas ao acabar se aproximando de certa forma dos habitantes da cidadela.

A alegria maior porém, entraria por sua porta como uma criança, que aparece no lugar de seu ouro, fazendo com que ele reencontre o prazer de viver junto do amor.


MINHA OPINIÃO

O livro em si já é uma surpresa pelo fato de ter sido escrito por uma mulher que utiliza-se de um pseudônimo para que sua obra possa ser publicada e levada a sério em uma época em que somente os escritores homens eram dignos de atenção. E, como se não bastasse, o romance é envolto em uma trama que traz ao leitor temas como a religião, fé, ganancia e amor.

“Se existe um anjo que registra os sofrimentos dos homens, assim como seus pecados, ele conhece bem a natureza e a profundidade que emana de ideias falsas pelas quais ninguém é culpado.”

A autora desenvolve esta história alternando os momentos entre a narrativa do protagonista e de alguns dos habitantes de Raveloe que estejam ligadas ao personagem e, apesar de em alguns momentos a trama ficar um pouco monótona por esse aspecto, é preciso prestar atenção a cada detalhe e em como os fatos estão ligados, mesmo que de forma indireta. Através de personagens bem construídos somos levados a tecer uma teia entre laços afetivos e rivalidades capazes de mudar o rumo da vida de todos eles.

A pequena cidade de Raveloe também parece ter sido inspirada nas cidades da época em que o livro foi escrito, sendo envolta em crenças e acometida pelo medo de tudo e todos que trouxessem o desconhecido. A fé do local é retratada sobre tudo através de uma das personagens mais encantadoras do romance, Dolly Winthrop, a vizinha de Silas que parece mesmo sem entender muito bem o significado das palavras ter algo a transmitir e é claro sempre confiar que as palavras ditas na Igreja são palavras boas, caso contrário não estariam ali.

Outro personagem interessante é Godfrey Cass, um jovem confuso que se coloca em uma batalha que parece não ter fim entre fazer o que pensa ser o certo e aquilo que o deixa feliz. Além de outros personagens capazes de encantar o leitor não somente por suas personalidades, mas pelo papel que desempenham ao longo da trama.

Tendo começado a leitura sem grandes expectativas posso dizer que sem dúvida foi uma grata surpresa e que devorei o livro como se ainda não soubesse o que aconteceria no final. Sendo um romance sem pretensão de fazer suspense algum, mesmo que o leitor já esteja esperando pelo final, a escrita da autora e a forma como ela nos coloca os fatos no tempo certo faz com que fiquemos ansiosos para chegar ao fim, e ao mesmo tempo, ao nos aproximarmos dele, tenhamos que deixar os personagens para trás.

Assim, como a primeira leitura de 2018, espero que muitos livros me surpreendam da mesma forma que este e que eu consiga encontrar muitas das Mary Ann Evans que passaram por nosso mundo, fazendo com que possamos aprender valiosas lições através da simplicidade.

thumb_livro

35estrelasb

SILAS MARNER. O TECELÃO RE RAVELOE

Autor: George Eliot

Editora: José Olympio

Ano de publicação: 2017

Publicado originalmente em 1861, Mary Ann Evans, sob o pseudônimo de George Eliot, combate preconceitos, privilégios e desvios de conduta que se revelam até hoje na sociedade.
Silas Marner: O tecelão de Raveloe é a história de um tecelão de linho que foi traído por seu melhor amigo e acusado de um roubo que jamais praticara. Desencantado com as pessoas e com a religião que o condenaram, ele abandona para sempre o lugarejo onde nasceu e morava. Fixando-se em outra e distante cidadezinha, Silas passa a viver como um proscrito, não se relacionando com ninguém. Se apega ao dinheiro e acaba juntando uma pequena fortuna, que, no entanto, acabará por perder, como antes perdera a consideração dos vizinhos. Somente a aparição de uma criança, que há de surgir no lugar do ouro sumido, garantirá seu reencontro com a satisfação de estar vivo.
Notável por seu forte realismo e seu tratamento sofisticado de uma variedade de questões que vão desde a religião à industrialização de comunidade, Silas Marner desmascara e combate preconceitos, privilégios, desvios de conduta e ambições tortuosas que se revelam até hoje enquistados na sociedade.

É resenhista do Resenhando Sonhos.
Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.

  • Daiane Araújo

    Oi, Ana Luiza.

    Acho que para o Silas não deve ter sido fácil, após os acontecimentos de sua vida, ir para um novo lugar onde não é aceito e visto com bons olhos.

    E vermos como uma criança poderá mudar os seus conceitos, mostrar o sentido de realmente ser realmente feliz, é encantador e prazeroso.

  • Natália Costa

    É cada livro que parece ótimo, clássico e tudo o mais que nunca ouvi falar que me dá uma certa vergonha! hahaha
    Apesar de não gostar de livros que tratam de fé ou religião, gostei bastante da premissa do livro, parece ser bem diferente, e como te surpreendeu, talvez me surpreenda também!

  • rudynalvacorreiasoares

    Luiza!
    Nossa! Parece um livro carregado de sensibilidade e percepções aguças, principalmente por ser uma mulher, escrevendo sob o pseudônimo de um homem, só por aó dá para se avaliar o quanto ela foi ousada.
    E ainda abordar temas como religião, fé, ganancia e amor, de uma forma intrincada, deve ser ótimo de ler.
    Não conhecia.
    Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

  • Júlia Assis

    Oi, Ana! Não gostei nem um pouco dessa capa né, mas é aquele ditado que não devemos julgar um livro pela capa, rsrs. Achei bem interessante o fato da mulher utilizar de um pseudônimo, isso me fez parar para pensar e agradecer por ter nascido em uma época um pouco ”melhor”. Essa história parece ser bem sensível mas não me cativou muito rsrs

  • Pamela Liu

    Oi Ana.
    A trama desse livro é bem diferente, mas não me interessou.
    que bom que você gostou bastante do livro. É sempre bom quando lemos um livro sem nenhuma pretensão e expectativa e ele nos surpreende.
    Bjs

  • Carolina Santos

    Que vida complicada ao Silas teve é realmente difícil lidar com tanta essa mudança Principalmente quando se tenta restabelecer mas não dá certo acho o livro e essencial de se ler então acho que vou ver ele apesar de não ter me apegado muito ao personagem e a Trama