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Sobre ver, mas não enxergar

vidanabolha

Aqui em Porto Alegre existe uma avenida chamada Protásio Alves. Há até um dito populare de que todo e qualquer ônibus que circule na cidade, em algum momento, cruza nessa avenida. E até parece que é verdade. Antes ela fazia parte do meu dia-a-dia, sempre que ia trabalhar, ou ia na minha irmã, lá estava eu na Protásio Alves. Conhecia o caminho, a ordem das lojas e cada canto do percurso que eu fazia todo o dia.

Ou achava que conhecia.

Eu já não ando por essa avenida tanto quando andava antes, e na quinta passada me deparei enxergando coisas que não via antes. As fachadas pareciam estranhas, pedaços de céu que antes não estavam lá, eram tapados por outros prédios, agora eram uma pitada de vida no meio do concreto, novos restaurantes, novas vitrines. Então um pensamento me ocorreu.

Nem fazia tanto tempo que não andava por ali, mas por algum motivo, ao ver, ao olhar eu não enxergava as mudanças. Eu sempre ando ouvindo música no ônibus e na maioria das vezes estou mais focada no que meus fones estão tocando do que está ao meu redor. É a minha bolha particular do mundo, muita gente é assim e isso não é errado. O problema é que por vezes nos fechamos tanto nessa bolha, que passamos a não enxergar o que nos cerca.

Deixar de enxergar as coisas porque elas são parte da rotina também é um erro. Nada pára de mudar, tudo está sempre em movimento, e isso não serve apenas para prédios ou ambientes, serve para as pessoas. Aquele que está sempre rindo, mas que hoje exibe um sorriso diferente. Será que aconteceu alguma coisa? Não ele é sempre assim.A menina quieta, que está ainda mais quieta ou que de repente despertou. Nós não vemos o “acontecer” porque estamos sempre distraídos demais com o cotidiano, e quando o resultado, o “depois” aparece, nos dá um tapa na cara.

Olhando as fachadas novas e os pedacinhos de céu agora visíveis me vi perguntando em meus pensamentos: será que isso realmente mudou ou será que eu estava tão imersa em mim, que não notei as pequenas diferenças? Ou quem sabe sou eu que hoje enxergo diferente coisas que antes eu só via?

Eu não sei bem a resposta, só sei que uma ficha caiu. Tudo está sempre mudando, melhorando, piorando, mas mudando. E se nós não acompanharmos o ritmo e começarmos a ENXERGAR essas coisas, ao invés de simplesmente ver, vamos ser deixamos pra trás. E quando enfim, abrirmos os olhos, viveremos em um mundo estranho e quem sabe, talvez, em um corpo estranho também.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.