Sorte Grande – Jennifer E. Smith

Sorte Grande é um livro da autora Jennifer E. Smith, sua publicação é de 2018 pela Galera Record.

Sobre o Livro

Alice perdeu os pais muito cedo. A mãe foi vencida pelo câncer e o pai se foi em um acidente de carro pouco tempo depois. Órfã, foi viver com os tios e o primo Léo, em outra cidade, diferente de tudo aquilo que ela estava acostumada. Não foi fácil de modo algum. Ainda não era, mesmo agora prestes a entrar na vida adulta. Aliás tudo andava extremamente esquisito, e ela se percebia cada vez mais parecida com uma ilha, mantendo certo isolamento tácito para evitar se machucar ainda mais.

É por isso que ela nunca contou para Teddy o que realmente sente por ele. É claro que ela o ama, afinal ele é seu melhor amigo. Mas tem algo mais ali, algo que espreita para fora do coração sempre que ela percebe o quanto incrível ele é. O quanto consegue superar as dificuldades sempre com um sorriso nos lábios. O quanto consegue ser amado e querido por todos simplesmente pelo que ele é. Um filho incrível, que divide com a mãe o minúsculo apartamento de um quarto e que aguenta as pontas de uma situação financeira bem difícil desde que eles foram abandonados pelo pai.

Tudo muda quando Alice compra para Teddy um presente de aniversário inusitado. Quando ela preenche o bilhete de loteria com números que significam algo para eles, é como se fizesse uma declaração de amor silenciosa. Ela só queria fazer uma brincadeira ao mesmo tempo em que entregava uma carta na qual despejaria tudo aquilo que de fato sente por ele. Era para ser apenas isso, acompanhado de um ‘parabéns pelos seus 18 anos’. Mas foi muito mais, porque, quem diria, o bilhete estava premiado. E Teddy, o garoto simplão que não sabia se teria como arcar com as despesas da faculdade, tinha acabado de se tornar o milionário mais novo da história.

 “Talvez tudo fosse seguir o mesmo rumo não importa o quê. Talvez sempre fosse para ser assim. Talvez nunca fosse realmente sobre os números.”

O que o dinheiro é capaz de mudar na vida de alguém? De que maneira ele transforma as pessoas, os sentimentos, os sonhos e a realidade de quem o tem em excesso? Sorte Grande responde essas perguntas e aborda outras questões relacionadas ao primeiro amor, à importância da amizade e fala também sobre a necessidade de descobrir quem de fato a gente é… Antes que a gente se perca de maneira irrecuperável.


Minha opinião

Conheci o trabalho da autora quando devorei A probabilidade estatística do amor à primeira vista, aquele tipo de livro que sabe balancear leveza e melancolia de tal modo que nos faz querer devorar. Confesso que não tive surpresas desagradáveis com o que li dela a partir daí, e talvez por isso eu criei certa expectativa com relação a este lançamento. Eu esperava um young adult daquele tipo que entretém ao mesmo tempo que promove certa reflexão, como ela costuma fazer. Não me decepcionei com o que encontrei aqui, mas confesso que esperava mais.

A história começa nos dando uma ideia geral de quem são os personagens principais. Temos a protagonista Alice, uma garota que é madura demais para a idade e que tenta manter vivos os sonhos dos pais, mesmo sem ter certeza se são seus também. Confesso que não me apaixonei por ela logo de cara, talvez porque essa seja uma personagem daquele tipo que vem cheia de camadas, sabe? Leva tempo para a gente se apegar, o que acontece conforme a narrativa avança e a gente vai entendendo os motivos que a fazem ser do jeito que é. Por outro lado Teddy encanta logo de cara. Ele é aquele tipo de garoto extrovertido e que costuma fazer amizade com todo mundo, então é impossível não ter empatia pelas angústias que ele tenta esconder e ainda mais complicado é tentar não se render ao seu charme.

Depois que ele se torna um milionário, as coisas mudam. A gente vê nosso apreço se digladiar com certa implicância que vai surgindo conforme ele se envolve com a fortuna recém adquirida. Neste ponto a autora coloca em cheque a importância de valores que são cultivados sem levar em consideração classe social ou situação financeira, e o quanto eles podem cair por terra se a gente esquece das origens e encarna um personagem simplesmente para mostrar ao outro algo diferente do que somos. Para agradar? Para ser socialmente bem aceito? E o quanto isso vale, se deixamos de lado aquilo que realmente importa?

“Às vezes, parece que o tempo é maleável, como se o passado se recusasse a ficar quieto e você acabasse o arrastando por aí com você, querendo ou não. Outras vezes, parece tão antigo e distante quanto aqueles castelos. Talvez sejam assim que as coisas devam ser. Há um espaço entre esquecer e seguir em frente, e ele não é fácil de encontrar.”

A relação entre os amigos vai mudando conforme os protagonistas começam a bater de frente. Quando pensamos que na empolgação de ter o bilhete premiado rolou um beijo que deixou Alice bem balançada, temos o drama formado. Porque ela se vê perdendo o amigo duas vezes… Quando o relacionamento fica estranho depois do comportamento impulsivo, e porque o dinheiro mexeu com Teddy mais do que todos esperavam. Outros dramas paralelos são abordados, envolvendo Léo (meu personagem favorito deste livro) e o namorado. O primo de Alice tem tudo para reter sobre ele todas as atenções quando aparece, mesmo que não seja protagonista. Ele é sensível, divertido, um nerd daquele tipo que rouba a cena e ganha nosso amor simplesmente pelo fato de existir.

Ao fazer uso indiscriminado do dinheiro, que esbanja como se o mundo fosse acabar amanhã, Teddy bate de frente com Alice, que é o tipo de garota que usa seu tempo livre como voluntária em abrigos. Esse cabo de guerra que os dois estabelecem é um dos pontos centrais do livro, e é ao redor disso que a história gira. Para mim faz sentido, claro. Mas tive a sensação de que houve um excesso disso, o que deixou a narrativa enjoada e cansativa em vários pontos. Sabe quando a gente tem a sensação de ‘nossa, de novo isso, não aguento mais? Pois é, me senti assim algumas vezes.

“Quantas vezes a vida pode ser dividida entre um antes e um depois?”

O que funcionou para mim, que me permitiu concluir a leitura e, de certa forma, aproveitar parte do que o livro propõe, foi levar em consideração a idade dos personagens (jovens, com muita coisa por viver ainda), a fase da vida em que se encontram (com decisões importantes para tomar quanto ao futuro, que geram dúvidas, inseguranças e incertezas), além de todo o histórico que foi apresentado (de perdas e abandono). Só isso basta que a gente entenda que o que foi visto como mimimi para mim, neste momento, não o é para alguém que vive algo semelhante. E partindo desse pressuposto, de que muitas coisas ali faziam sim muito sentido, eu me permiti aproveitar a parte bonita da história. Que fala sobre o poder do amor, em suas mais diversas formas; sobre o poder da amizade e sua importância na vida de qualquer pessoa, e sobre a necessidade da gente às vezes parar para pensar no tipo de pessoa que estamos nos tornando… E se é isso mesmo que a gente quer.

Sorte Grande é um livro para ler sem grandes expectativas. Pode ser que funcione melhor para algumas pessoas e que agrade mais do que conseguiu agradar por aqui, mas ainda assim é uma leitura que indico. Acho válida por todas as partes boas e ruins que já citei, que podem ser – e certamente serão – apreendidas de maneira diferentes por outras pessoas que o leiam, mas principalmente é uma leitura que vale a pena simplesmente porque Léo está no livro. E porque a autora não se mostrou fã de finais que não sejam felizes.

SORTE GRANDE

Autor: Jeniffer E. Smith

Editora: Galera Record

Ano de publicação: 2018

Novo romance da autora de A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista e Geografia de Nós Dois. Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.