The Post – A Guerra Secreta (2018) | Crítica

O ano é 1971. O país, Estados Unidos. O governo americano já participa da Guerra do Vietnã há 15 anos (apoiando o Vietnã do Sul no combate contra o comunismo) e vem informando a população que os soldados estão se saindo bem e que a vitória será certa. Contudo, um estudo realizado pela Departamento de Defesa aponta cada vez mais baixas e uma derrota iminente, desperdiçando não só dinheiro, mas, principalmente, as vidas dos jovens americanos que seguem indo para a guerra. Eis que um dos participantes da pesquisa entrega ao The New York Times partes desse material e o jornal começa a divulgar as mentiras que o Pentágono vem contando ao longo dos anos.

Enquanto isso, na capital do país, a dona do The Washington Post, Kat Graham (Meryl Streep), prepara-se para entrar na bolsa de valores e, assim, conseguir melhorar a situação financeira e manter o seu jornal. Apesar de a empresa estar na sua família há anos, Kat nunca se responsabilizou pelos negócios. Agora que seu marido morreu, ela precisa aprender a se defender e conquistar o direito de ser ouvida em um universo dominado por homens que não acreditam na sua capacidade de dirigir o jornal. Quando o editor-chefe do veículo, Ben Bradlee (Tom Hanks, que aliás está muito bem nesse papel), informa a Kat que conseguiu ter acesso ao estudo do Pentágono e que quer publicá-lo (mesmo que o governo tenha punido o The New York Times por fazê-lo), surge a oportunidade da personagem demonstrar a sua coragem.

Neste ponto, Meryl Streep merece os parabéns por sua atuação. A veterana se mostra uma camaleoa ao nos apresentar uma Kat fragilizada e assustada, com muita dificuldade de se posicionar, bem diferente da marcante Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada. Sua transformação e crescimento dentro da narrativa apontam para a importância de o cinema, bem como outras áreas, darem espaço para as mulheres demonstrarem cada vez mais força, inteligência e perspicácia. Nós também cumprimos papéis fundamentais na História.

A direção realizada por Steven Spielberg (dos clássicos Tubarão e Jurassic Park) permite dizer que The Post – A Guerra Secreta com certeza entra para lista dos melhores filmes produzidos pelo diretor. A obra tem um ritmo agradável, as escolhas dos ângulos de filmagem e dos planos se mostram muito interessantes e são usadas de forma inteligente – apresentando informações relevantes para a história, intensificando sua carga dramática e permitindo que o elenco brilhe na tela.

É perceptível também que o excelente trabalho de direção se alia a um roteiro muito bem escrito por Liz Hannah e, principalmente, Josh Singer (responsável pelo excelente filme, também baseado em um história real do campo do jornalismo, Spotlight). A narrativa envolve muitos personagens, mas é bem amarrada e consegue dar a cada um o seu devido espaço. Além disso, apresenta de forma interessante (e às vezes até divertida) o exercício da atividade jornalística, o relacionamento dos repórteres entre si, a importância da ética profissional e a influência que o jornalismo sofre de outras áreas, principalmente a política.

É formidável ver as cenas em que o jornal está sendo montado com os tipos móveis e, depois, sendo impresso na gráfica, demonstrando a preocupação com os detalhes e a riqueza estética do filme, bem como o cuidado dos profissionais que trabalham nesses veículos em produzir o material. Ao mesmo tempo, a história também lança provocações que permeiam o jornalismo há muitos anos: a relação do jornalista com suas fontes (questionando a amizade entre os profissionais e figuras públicas), a função da profissão (de sempre priorizar o público, mantendo-o informado de tudo), os conflitos de interesses (principalmente entre a imprensa e o governo) e o peso da Primeira Emenda à Constituição Americana, que fala sobre a liberdade de imprensa e expressão, impedindo que o congresso interfira diretamente no que é publicado nos jornais.

Neste ponto, quando o The New York Times é proibido de continuar publicando os documentos sigilosos do governo e o The Washington Post passa a divulgar o material, mesmo correndo o risco de também ser cerceado e de seus editores serem presos, a disputa entre veículos se desfaz para dar espaço a uma luta para garantir os direitos da imprensa de publicar e do povo de saber a verdade.

Sem romancear ao extremo a atividade jornalística, permitindo que os espectadores vejam também o lado nem tão bonito da profissão, The Post se mostra um filme instigante, forte e muito interessante. Recomendado para os jornalistas (como uma forma de refletir sobre a importância e a ética de sua profissão) e para o público em geral (que pode entender como a imprensa funciona e qual deve ser o papel da mesma na sociedade). De bônus, todos ganhamos a chance de ver uma personagem mulher ter espaço significativo e crucial dentro da narrativa.

THE POST: A GUERRA SECRETA

Diretor: Steven Spielberg

Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson e mais

Ano de lançamento: 2018

Kat Graham (Meryl Streep) é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

Aspirante a Jornalista, catarinense com muito orgulho e apaixonada por literatura e cinema. Sonha em poder viajar pelo mundo um dia e conseguir viver daquilo que ama: falar sobre livros, filmes e séries.

  • Natália Costa

    Este ano só vi séries, vi nenhum filme ainda! hahaha
    Adorei a indicação, filme com a Meryl Streep só pode ser bom! hahaha

  • Pamela Liu

    Oi Carol.
    Adorei o elenco escolhido! Com Tom Hanks e Meryl Streep não tem como o filme ser ruim.
    Vai ser bom poder ver como é o dia-a-dia de um jornal, a dinâmica dos jornalistas com suas fontes e como lidam com os conflitos de interesse do governo.
    Fiquei com muita vontade de ver esse filme!
    Bjs

  • Júlia Assis

    Oi, Caroline. Achei o enredo e a sinopse do filme bem interessantes, ainda mais por apresentar os conflitos de uma mulher que tem que enfrentar um local de trabalho em uma época muito machista da nossa sociedade. Não tinha ouvido falar sobre o lançamento desse filme, e fiquei feliz em conhece-lo por meio do blog :D

  • Carolina Santos

    Achei o enredo da história bem interessante e confesso que tendo a minha rainha Meryl Streep no elenco fez tudo melhorar ainda mais Também vi que esse filme foi um dos indicados ao Oscar então o filme realmente Deve ser bom se bem que eu tenho um problema quando vejo filmes históricos porque eu não consigo me situar durante o problema

  • rudynalvacorreiasoares

    Caroline!
    Importante um filme trazer os bastidores ou a luta do jornalismo, do bom jornalismo, para publicar uma história baseada em fatos e acontecimentos reais e mostrar o quanto é difícil enfrentar o ‘governo’ para que esses fatos sejam repassados ao público para conhecimento da sociedade.
    E com as atuações de ícones como Tom Hanks e a fabulosa diva Meryl Streep, ainda com direção do mago Steven Spilberg, nem dá para perder, né?
    Desejo uma ótima semana, cheia de luz e paz!
    “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas. Feliz ano novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

  • Daiane Araújo

    Oi, Caroline.

    O livro é bom não só por retratar o machismo recorrente a Kat, mas sim, por também mostrá-la indo contra o governo. Bem como, as consequências disso…