Todos de pé para Perry Cook – Leslie Connor

Todos de pé para Perry Cook é da autora Leslie Connor e foi publicado em 2017 pela Harper Collins.

Sobre o Livro

Perry tem 11 anos e mora em uma penitenciária. Mas ele não está preso, quem está encarcerada é sua mãe. Há 12 anos Jéssica foi presa enquanto estava grávida do garoto e, com a ajuda da diretora, manteve o menino sob seus cuidados bem mais tempo do que o permitido em casos do tipo. Como o Instituto Penal Misto Blue River é de segurança mínima e em um local pouco movimentado, Perry cresceu sem problemas.

Agora, faltando três anos para a mãe ser solta, algo aconteceu. Ao entrar com o pedido de liberdade condicional, Jessica chamou a atenção do promotor público, que junto com algumas histórias descobriu a situação e decidiu tirar o menino de lá, para que ele ficasse com uma família provisória até a soltura da mãe, como deveria ter sido desde o início.

“Os residentes de Blue River fizeram coisas ruins. Não são assassinos, nem sequestradores. Alguns são traficantes de drogas; alguns são fraudadores. Alguns passaram cheque sem fundo ou não pagaram a pensão dos filhos. Às vezes, eu escuto as histórias. Às vezes, eles me contam. Eu nunca pergunto.”

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Mas Perry, que só tem a mãe e nunca se sentiu prejudicado por morar na prisão, não vai lidar tão bem com a situação. No lugar o menino fez amigos, criou uma rotina e frequentava a escola normalmente. Ele não estava “preso” junto com os prisioneiros, a prisão, ao seu ver, era um mínimo detalhe. Agora sua vida ficou de pernas pro ar e ele terá de encontrar formas para sobreviver a isso e contar sua história para as pessoas em busca de apoio e esclarecimento, já que a liberdade da mãe agora está em risco.


Minha Opinião

Quando a sinopse desse livro caiu nas minhas mãos eu fiquei fascinada. Nunca tinha lido nada do tipo e fiquei bem curiosa para descobrir o que estaria por trás dessa trama. O que digo a vocês logo de cara é que Perry Cook conquistou meu coração da forma inusitada e com muita perseverança e inocência.

Acho que a primeira coisa que precisamos tirar logo do caminho é que sim, era errado ele viver na prisão. Imagina se todas as mães do mundo resolverem fazer isso, ia virar bagunça. Porém, uma penitenciária americana de segurança mínima não é nada comparada às prisões brasileiras. Lá tudo é muito organizado, os presos tem empregos e serviços, sendo pagos pela hora trabalhada. Pouco, mas pagos. Há alimentação, vestimenta própria e horários a serem seguidos. Eles são incentivados à leitura e a aprenderem algo novo para trabalharem quando voltarem à liberdade. Tudo isso entre paredes e grades.

Em um condado pequeno como Surprise, Nebraska, o fato da moradia de Perry sempre passou despercebido, mesmo ele frequentando a escola. E não se engane, ele nunca escondeu o fato, apenas por não ter muito amigos, manteve sua privacidade. Zoey é sua melhor amiga e aquela que sabe toda a sua história. Os dois andam sempre juntos e enfrentam os desafios da escola.

“Mamãe não parece se importar. É como sempre foi. Eu sou filho dela, mas pertenço a todo mundo em Blue River.”

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Em nosso primeiro contato com Perry já sabemos o quanto ele é um menino especial. O jovem de 11 anos é o responsável por dar bom dia na penitenciária e sempre tem um papo alegre para acordar os detentos. Por mais que ele saiba que não é “normal” ele morar lá, isso nunca soou pra ele como algo cruel. Pra ele foi construído um quarto, ele tem suas tarefas, vai a escola, estuda e interage com os amigos que fez lá dentro. Tudo sob o olhar observador da mãe.

O menino faz questão de ressaltar que nunca entrou em contato com pessoas agressivas ou que não quisessem sua presença. Quem não lhe dá abertura, ele não importuna. Simples assim. Mas, a maioria das pessoas, tem carinho pelo garoto. Ele representa esperança e é uma luz na vida daquelas pessoas.

Perry é gentil, educado e inteligente. Ama a mãe mais do que tudo na vida, ela é tudo o que ele tem. E, é claro, quando isso é tirado dele, um medo enorme toma conta de sua alma. É só através de um trabalho da escola, onde ele deve contar sua história que ele vê uma forma de colocar isso ao seu favor, retratando do seu ponto de vista a história de seus amigos presos.

Ele é inocente e ingênuo em vários aspectos, mas não é bobo. Perry apenas tem um olhar mais humano sobre as pessoas e seus passados e isso acaba tocando muito o leitor. Há uma sensibilidade enorme nessa história e na forma como a autora escolheu contá-la, com capítulos do ponto de vista de Perry e alguns poucos focados na mãe.

“Bom dia – digo com minha voz lenta e baixa. – Aqui é o Perry ao nascer do sol. Hoje é terça-feira, dia seis de setembro. A novidade lá fora é que é o primeiro dia de aula do contado de Butler. Isso quer dizer que estarei fora o dia todo. Não morram de saudades de mim.”

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Desde que comecei a história me perguntei onde estaria o pai do garoto. Para que ele nunca o tivesse reclamado, ou estava morto, não sabia que ele existia ou havia lhe abandonado. Vamos ter essa resposta ao longo da trama, mas esse fator também foi o único ponto que me levou a questionar a história e a não dar 5 estrelas pro livro. Após a história se fechar, faltou alguma coisa pra finalizar esse aspecto também. Em uma frase ou em um parágrafo a autora poderia ter respondido as perguntar que permaneceram, mas por algum motivo decidiu esquecer o assunto e isso fez falta pra mim.

Eu não sou mãe, mas imagino a aflição daquelas que precisam se separar de seus filhos logo ao nascimento. Algumas penitenciárias possuem creche e as mães podem manter as crianças por até dois anos, mas esse sequer era o caso em Blue River. Tudo isso só aconteceu porque a diretora Daugherty viu algo em Jessica e deixou Perry ficar, mesmo sabendo que isso ia contra todas as regras. O livro então vai contar a história desse menino, das coisas que ele viveu nos 11 anos na prisão, as histórias de alguns presos e o verdadeiro motivo pelo qual sua mãe foi parar lá. Tudo sob o olhar atento de Perry, nosso guia.

Eu não sei explicar porque esse livro falou tanto comigo. Normalmente isso acontece quando temos algo em comum com a história e esse não é o caso. É um conflito também, pois sabemos que é errado, mas não queremos condenar o ato, pois vemos o quanto o garoto não foi prejudicado pelo local onde ele passa suas noites, pois tem todo o amor, cuidado e educação de que precisa. São dois lados de uma mesma moeda que o leitor vai ter que interpretar através da sua visão de mundo.

Todos de pé para Perry Cook foi uma surpresa e uma alegria. Já sei que o livro figurará na minha lista de melhores do ano e fiquei muito encantada com a sensibilidade como a história foi contada. Terminei o livro em lágrimas e é incrível ser surpreendida dessa maneira. Então, se você gosta de histórias com narradores infantis, temáticas fortes e muita emoção, por favor levante-se, e fique de pé para ouvir o que Perry Cook tem a dizer.

TODOS DE PÉ PARA PERRY COOK

Autor: Leslie Connor

Editora: Harper Collins

Ano de publicação: 2017

Perry Cook, aos 11 anos, só conheceu uma casa: o Instituto Penal Misto Blue River. Mas apesar de ter nascido e sido criado em uma penitenciária, ele não deseja viver em nenhum outro lugar; lá ele tem a mãe, a benevolente diretora e um grupo de prisioneiros divertidos e bondosos que lhe ensinam lições valiosas todos os dias. Quando, porém, o novo promotor descobre a permanência irregular de Perry em Blue River, ele resolve libertar o menino, mesmo contra a vontade dele. Em sua jornada para se reunir com a mãe, Perry vai mergulhar não só em uma investigação sobre o crime que a levou à prisão mas também em uma jornada emocionante e divertida.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.
  • Bruna Prata

    Livros que de uma forma ou de outra conseguem tirar emoções de mim, geralmente, entram na minha lista de favoritos. Não achava que esse livro traria emoções, estou surpresa.
    Aparenta uma história bastante diferente, afinal de contas nunca ouvimos, por aí, uma criança que mora na prisão, certo?
    Estou curiosa sobre essa coisa do pai e novamente surpresa por ele não ser um elemento positivo na trama.

  • Gislaine Lopes

    Oi Tamirez,
    Perry tem sua própria versão de um lar e seus amigos são “diferentes”, só que tudo que ele vive não é como as crianças da sua idade normalmente vivem e até aí tudo bem, pois é sua realidade e ele está feliz assim. Minha grande curiosidade com este livro é se ele viveu a vida toda naquele presídio, porque agora essa mudança tem que ocorrer se falta pouco para a mãe sair? Fico imaginando como será a readaptação em um novo lar e uma nova rotina onde ele terá que enfrentar situações que ele não vivenciava no presídio. O livro retrata um tema bem sério, mas sendo do ponto de vista de uma criança imagino que a abordagem seja mais leve e inocente. Adorei esta indicação e espero fazer esta leitura assim que possível!!

  • Lara Caroline

    Oi Tamirez, tudo bem?
    A primeira coisa que me encantou neste livro foi o protagonista, eu adoro histórias que se passam na visão de crianças. Essa história parece ser muito emotiva, e eu quero muito ler.
    Beijos

  • Lucas Ribeiro

    Me lembrou sabe o quê? O Menino do Pijama Listrado. Gostei dele pela temática da criança lidando com tudo a sua volta sem saber ou se dar conta das causas e razões, talvez seja por isso que me identifico tanto com personagens infantis, possuem uma visão mais limpa de todas as situações. Que sinopse ótima, já está na lista, dos que preciso ler e que quero ler… Ótima resenha como sempre Tamirez.

  • rudynalvacorreiasoares

    Oi Tamirez!
    Que bom ver que gostou muito do livro.
    Gosto de livros com personagens infantis como protagonista.
    Interessante ver a situação bem diferenciada de Terry, ser criado dentro de uma prisão, fez dela seu lar.
    É
    uma situação diferente e o bom é saber que isso não impactou na vida
    dele como criança e formou uma personalidade forte que vai em busca do
    acha ser seus direitos.
    A autora foi bem sensível mesmo na sua forma de escrita.
    Uma pena a autora não ter esclarecido os fatos em relação ao pai.
    Deve ser um bom livro.
    cheirinhos
    Rudy

  • Rissia Ribeiro

    Oi mana, eu nunca li nada parecido com isso, na verdade estou impressionada com a profundidade do livro porque olhando pra capa eu não iria imaginar esse enredo todo nem em um milhão de anos, estou aplaudindo de pé a escritora mesmo que ela não tenha respondido todas as perguntas mas temos que dar o braço a torce porque aqui temos uma senhora história. Eu tenho imaginar como tudo o que pra nós achamos errados ou estranho pro menino não tem nada de complicado, ele não entende nada e vê o mundo de uma maneira tão simples. Obrigada pela resenha e esse livro entrou pra lista de desejados.

  • Marta Izabel

    Oi, Tamirez!!
    Fiquei maravilhada com a estória que esse livro conta!! E simplesmente diferente de tudo que já li!! Sem dúvida quero esse livro para ler!! Amei a capa e a resenha!!
    Beijoss