Travessia – Leticia Wierzchowski

Travessia é o último livro da saga A casa das sete mulheres, de Leticia Wierzchowski. O desfecho desta história que ganhou corações trouxe a despedida de personagens e lugares jamais vistos por um olhar tão romântico. O livro foi publicado pela editora Bertrand Brasil em 2017.

SOBRE O LIVRO

Giuseppe Garibaldi aparece inicialmente como o amor de Manuela, a filha do General Bento Gonçalves, um autoritário senhor de terras, mas é afastado da moça já que esta estava prometida em casamento ao primo. Desolado, o nosso herói parte, e acaba encontrando o amor de Anita, uma jovem encantadora.  O romance antes narrado por mulheres recebe, neste volume, a perspectiva de Giuseppe, que narra carregado de emoções sua história de amor.

“De todos os deuses que concebeu, Amor foi o primeiro.”

Um amor que parece sobreviver as mais avassaladoras tempestades, mas que pode ter um final diferente do esperado. Ao partirem para Montevidéu, Anita descobre que para Garibaldi uma vida normal tende a ser monótona demais e ele parece estar sempre em busca de um novo conflito. É nessa busca que ele descobre a vontade de viver paixões proibidas e navegar em novos mares, deixando sua mulher sozinha, mostrando que nem sempre um amor seguro é a chave para a felicidade.


MINHA OPINIÃO

Travessia narra acima de tudo as dificuldades e fraquezas dos personagens, sem perder o tom do romance. A obra como um todo retrata a beleza e os encantos do amor em um período devastador de guerras e conflitos nos pampas gaúchos, e que expande seus horizontes até a Guerra do Paraguai, e posteriormente até a fronteira da Itália. Narrando de forma fiel o retrato de uma sociedade tão diferente da nossa.

É importante dizer, acima de tudo que nem sempre as imperfeições e decepções vem para o mal. É curioso olhar para trás e ver como nos apegamos aos personagens de uma história que, mesmo tendo sua licença ficcional, relata de forma fiel um período real, com pessoas reais, com guerras, generais, costumes e personalidades diferentes daqueles com que estamos acostumados. A narrativa da autora traz, através das diferenças e peculiaridades, a proximidade do leitor em relação à história.

O romance criado é, sem sombra de dúvida, um romance de formação, onde a cada novo capítulo os personagens adquirem conhecimento e amadurecimento, muitas vezes necessários para enfrentar as situações propostas, que na maioria das vezes parecem surpreender não só o leitor como principalmente aos personagens.

Neste volume, até de forma mais intensa que nos outros, acompanhamos a ânsia por liberdade, autonomia e independência que acomete os personagens, que apesar de a todo tempo se mostrarem fortes, afundam em sua humanidade interior. Somos decepcionados pelos personagens em algumas vezes por decisões tomadas ou até mesmo ao contrário. Aquelas às quais eles se eximem, mas é dentre outros este o maior motivo de nos identificarmos tanto com eles.

Com a narrativa do ponto de vista de Giuseppe, somos capazes de enxergar a relação entre as guerras vividas fora, porém também dentro do relacionamento dos protagonistas. Assim como seu amadurecimento e a forma como lidam com as tempestades da vida.

“Eu aprendia rápido, o amor fazia milagres em mim…”

Apesar da época em que a história é narrada, não me surpreenderia se mesmo em meio ao autoritarismo e machismo, fosse Anita quem deixasse o marido para viver novos amores e aventuras, o que seria uma história e tanto. A construção das personalidades femininas como personagens fortes permeia todo o enredo da obra, o que faz com que o leitor seja capaz de experimentar diversos sentimentos, sensíveis mas ao mesmo tempo bravos e fortes.

O que fica, finalmente, é a saudade de cada canto por onde passamos junto dos personagens, destes que nos conquistaram através das páginas, dos anos, amores, fraquezas e bravura, criados exatamente para mostrar lados opostos de sentimentos e sensações de forma tão intensa.

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TRAVESSIA

Autor: Leticia Wierzchowski

Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2017

O aguardado desfecho da saga A casa das sete mulheres. Giuseppe e Anita Garibaldi viveram e lutaram em três países diferentes: no sul do Brasil, à época da Revolução Farroupilha, em Montevidéu, no cerco de Rosas, e na unificação da Itália. Apaixonados um pelo outro, Giuseppe e Anita foram verdadeiros amantes da liberdade. Tudo está aqui neste livro: as grandes batalhas históricas e as pequenas batalhas do dia a dia. Todos os fãs de A casa das sete mulheres, romance que virou série de TV e já foi publicado em vários países, agora têm o prazer de reencontrar a prosa de Leticia Wierzchowski, autora que domina com maestria a narrativa do romance histórico.

É resenhista do Resenhando Sonhos. Estudante de Direito, 20 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.
  • rudynalvacorreiasoares

    Ana!
    Confesso que não sabia que A casa das sete mulheres é uma série, na verdade ainda não li os livros, assisti a penas a série televisiva.
    Interessante ver que em meio ao machismo, existe uma mulher que quebra os paradignmas e muda totalmente a concepção da época.
    Deve ser uma boa leitura.
    “É prova de inteligência saber ocultar a nossa inteligência.” (François La Rochefoucauld)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

  • Carolina Santos

    E interessante , embora o livro ensine muito sobre os feitos e acontecimentos da época, o objetivo principal, ao meu ponto de vista, está centrado mais na experiência dos protagonistas enquanto pessoas vivendo sob aquelas circunstâncias.