Tudo e Todas as Coisas (2017) | Crítica

Tudo e Todas as Coisas é um filme baseado no livro de mesmo nome relançado aqui no Brasil esse ano pela editora Arqueiro. A frente da produção temos a diretora Stella Meghie, que também está no projeto de Jean Of The Joneses, ainda sem data de lançamento.

Na história, Madeline é portadora de uma doença imunológica que não permite que ela entre em contato com o mundo interior. Ela divide seu tempo entre os livros, exercícios, estudos online e o convívio com a mãe, que também é sua médica, e a enfermeira Carla. Como sua condição se manifestou desde que era ainda um bebê, a garota de 18 anos nunca viu o mundo exterior e vive confinada ao seu ambiente controlado.

A monotonia de sua vida parece chegar ao fim quando novos vizinhos se mudam para a casa ao lado e entre eles está Olly, um garoto que logo chama a atenção da menina e passa a ganhar sua atenção. Com o passar dos dias e da interação proporcionada pela troca de mensagens e e-mails na internet, um sentimento surge entre os dois, mas que é logo confrontado com a situação: como amar alguém que não se pode tocar?

Quando eu li o livro já tinha em mente o que iria acontecer e não tive nenhuma grande surpresa. A história escrita por Nicola é super fofa, mas não chegar a ser surpreendente. É sua escrita que se destaca, encantando o leitor. Logo, estava curiosa para ver como isso seria retratado no cinema. A autora usa de vários recursos gráfico no livro para passar sua mensagem e o estilo talvez não se encaixasse tanto na tela.

De forma geral, essa é uma adaptação bem fiel. Há bem poucos ajustes feitos, como a questão que mencionei a cima, onde o recurso gráfico é deixado de lado para dar mais vida ao astronauta que a protagonista sempre põe em suas maquetes da aula de arquitetura, por exemplo. No livro ele não tem tanto destaque, mas no filme se torna uma presença mais constante. Outra coisa que difere é a intensidade da relação do pai abusivo de Olly, o filme trata com mais sutileza, e eu acho que poderia sim ter sido mais explorado, substituindo outras cenas.

Achei o “primeiro ato” um pouco longo demais e quando chegamos ao segundo momento, já ansiava por um pouco mais de rapidez. Aqui a trama também se delonga em trabalhar várias cenas e explorar muito as locações. E, isso é algo a se comentar: as cenas são todas muito bem enquadradas e com uma fotografia muito bonita.

O filme começa bastante monocromático, tudo é branco, preto e cinza, devido ao confinamento de Maddie. Aos poucos, com as mudanças em sua vida, ela vai adicionando cor a suas roupas e a paleta vai se ampliando e ficando mais viva, com uma boa evolução quando chegamos ao final. A trilha sonora também está ótima e vale a pena conferir. Me parece ser um filme que apesar de não ser uma enorme aposta, recebeu a devida atenção nos detalhes e não foi simplesmente jogado ao espectador.

As interpretações estão dentro do nível e gosto muito do casting central e da representatividade colocada em Maddie. Talvez a única atriz que acabou me incomodando um pouco foi a que vive a mãe da protagonista e a sua falta de expressão. A personagem parece engessada em seus mais diversos humores.

Tudo e Todas as Coisas é uma história de amor adolescente que encontra um obstáculo complicado e imprevisível. Não é a trama mais surpreendente ou rica, aliás, é pautada por vários clichês sim, mas para quem curtiu o filme ou gosta de histórias simples, certamente é uma boa opção. Eu como leitora encontrei um bom resultado apesar de alguns contrapontos e não me importei com nada que foi alterado.

E, se você simplesmente gosta de um bom romance, certamente vai encontrar aqui um filme super fofo que pode até te arrancar algumas lágrimas, além de refletir um pouco sobre a nossa condição de liberdade. Afinal, teoricamente, a temos, enquanto Maddie viveu sempre presa e tem um olhar novo e único sobre o mundo.

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TUDO E TODAS AS COISAS

Diretor: Stella Meghie

Elenco: Amandla Stenberg, Nick Robinson, Anika Noni Rose e mais

Ano de lançamento: 2017

Maddie (Amandla Stenberg) está prestes a fazer 18 anos, mas ela nunca saiu de casa. Desde a infância, a jovem foi diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Combinada, de modo que seu corpo não seria capaz de combater os vírus e bactérias presentes no mundo exterior. Ela é cuidada com carinho pela mãe, uma médica que constrói uma casa especialmente para as necessidades da filha. Um dia, uma nova família se muda para a casa ao lado, incluindo Olly (Nick Robinson), que se sente imediatamente atraído pela garota através da janela. Maddie também se apaixona pelo rapaz, mas como eles poderiam viver um romance sem se tocar?

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.