Um Reino de Sonhos – Judith McNaught

Um Reino de Sonhos é o primeiro livro da série Dinastia Westmoreland, escrita pela autora Judith McNaught. A publicação no Brasil é de 2018 pela Bertrand.

Sobre o Livro

O Lobo Negro conquistou este nome através de muitas batalhas, muito sangue e muitas histórias. Sua imagem foi moldada para aterrorizar crianças e adultos, seus feitos são cantados pelos bardos e sua presença arrepia quem está por perto. Ou a quilômetros de distância. Esse temor dá as caras justamente na abadia onde vive Jeniffer Merrik, escocesa e filha do líder de um clã que tem como maior rival justamente Royce, o Duque de Claymore, o famigerado Lobo. É naquela região, um ambiente neutro onde crimes não são permitidos nem tolerados, que vivem as irmãs Merrik. E é dali que elas são sequestradas e levadas para o acampamento de Royce, para servir como moedas de barganha e troca na delicada relação entre Inglaterra e Escócia.

“Que tipo de homem, Jenny se perguntava freneticamente, colocaria as mãos em freiras, ou quase freiras, sem consciência ou medo de castigo, humano ou divino? Nenhum homem faria isso. Somente um demônio e seus discípulos teriam essa  ousadia.”

Mesmo sem ter premeditado este feito, o Lobo não é do tipo que deixa ótimas oportunidades passagem despercebidas, e por isso passa a arquitetar maneiras de usar a presença das duas jovens ali a seu favor. O que ele não esperava é que Jenniffer se mostrasse uma adversária pior do que todos os inimigos que ele já enfrentou em qualquer campo de batalha. Ardilosa, manipuladora, impulsiva e inteligente demais para seu próprio bem, ela dificulta de todas as maneiras possíveis a vida do Lobo Negro. É claro que a primeira pessoa corajosa o suficiente para desafiá-lo assim abertamente seria justamente aquela pessoa por quem seu coração bateria mais forte.

Enquanto clãs travam batalhas por poder, reis arquitetam tramoias altamente maliciosas envolvendo pessoas inocentes (e outras nem tanto), dois inimigos iniciam uma relação que nasce de uma vingança, e que vai sendo permeada de desconfiança, desentendimento, falta de diálogo e atração. Atração daquele tipo bem forte, que faz o coração bater descompassadamente e que tem como objetivo principal se transformar em um amor arrebatador. Resta saber se todos permanecerão à salvo e se irão permitir que o amor se sobreponha a um ódio que vem de gerações.


Judith McNaught é, sem dúvidas, uma diva dos romances. Foi pensando nisso que iniciei a leitura deste livro, publicado originalmente na década de oitenta, e ainda inédito aqui no Brasil (mesmo que sua sequência esteja por aqui há anos). Me surpreendi quando percebi que a história não começa pelo começo, e sim por uma parte importantíssima: o casamento entre os protagonistas. Então a gente pensa, ok, eles casaram logo nas primeiras páginas (o que costuma acontecer somente bem perto do ‘felizes para sempre’, então o que acontece agora? Adorei perceber que este livro contem centenas de páginas cheias de uma história que me prendeu do começo ao fim.

“-É a Inglaterra contra a Escócia, Claymore, exceto pelo fato de que as batalhas acontecerão no quarto.”

Royce recebe uma enorme fama que o precede onde quer que vá, e embora seja taxado como o mal encarnado, a gente percebe certas nuances que mostram que talvez ele não seja um lobo tão mau assim. Ele não nega seus feitos, não de exime de culpa por tudo o que fez, muito menos foge de suas responsabilidades; seja para com o rei, com seu povo, ou com ele mesmo. Gosto quando os personagens vão revelando suas camadas aos poucos, de modo que a gente consiga entender os motivos de serem quem são, e gosto ainda mais quando me surpreendo positivamente neste processo., isso aconteceu com ele. A Jenniffer por outro lado demorou para ganhar minha simpatia.

Desde o início ela me pareceu muito impulsiva e temperamental, e não sei o quanto disso era uma característica verdadeira dela e o quanto era um mecanismo de defesa, daqueles que a gente usa quando quer mostrar o contrário. Ela, menosprezada pelo próprio clã, nutre um desejo imenso de ser querida e respeitada pelas pessoas que tanto admira. Sonha em ser senhora do seu próprio reino, do qual cuidaria com honra e sensatez e no qual todos seriam felizes e viveriam satisfeitos. A vida real é o contrário, claro, e todas as oportunidades que ela tem de mostrar que é merecedora de ter tudo o que deseja acabam se transformando em verdadeiros desastres.

 

“Royce se perguntava, com o cenho fechado, como era possível que intimidasse cavaleiros, nobres, escudeiros e soldados endurecidos pela batalha a fazerem o que ordenava com um único olhar, mas não conseguia forçar uma jovem escocesa teimosa e desafiadora a se comportar. Ela era tão imprevisível que tornava impossível antecipar sua reação a qualquer coisa. Era impulsiva e obstinada, e lhe faltava completamente com o respeito que cabia a uma esposa.”

O pai a usa como um peão. É menosprezada e ridicularizada pela família e pelo próprio clã. Se vê obrigada a se casar com o pior inimigo do seu país, por puro capricho de pessoas poderosas. E é a partir deste momento que a história começa, e vai mostrando ao leitor o que aconteceu antes deste casamento que levou os personagens até ali, selando um acordo de amor e fidelidade quando na verdade nutrem o oposto disso um pelo outro; e o que ocorre depois desta cerimônia.

Judith vai trabalhando com uma espécie de contrário inusitado durante toda a narrativa: ela começa o livro na metade da história, nos apresenta um protagonista mau que no fundo me parece bom; uma mocinha insuportável que no fim das contas talvez só precise fortalecer a auto estima e ganhar um abraço; insere personagens secundários interessantíssimos e que nos faz querer ler suas próprias histórias; nos contextualiza da delicada relação histórica entre Inglaterra e Escócia no século XV de maneira divertida e irônica, e nos oferece um romance que tem um toque meio Romeu e Julieta, meio Joana Darc, mas com uma essência totalmente ‘Judithiana’.

Digo isso porque uma de suas características mais marcantes está presente neste livro, como não podia deixar de ser. A autora tem uma escrita altamente descritiva, chegando a ser prolixa muitas vezes. Se por um lado isso pode não agradar leitores que preferem histórias mais enxutas e que vão direto ao ponto (sem a necessidade de descrever aquele tom de verde que somente aquela árvore localizada em cima daquele cume onde o vento sopra frio e o cheiro das flores de verão impera até mesmo no inverno), por outro lado, quem não se importa com narrativas assim ou já conhece a escrita da autora e aprecia, pode ter potencializada a experiência de leitura. Digo por mim, pois me vi transportada para Inglaterra e Escócia de antigamente, e juro que consegui sentir o cheiro da terra molhada e a maciez das peles que se faziam por vezes de tapete.

Sendo você um leitor que se encaixa na primeira ou segunda opção (ou que talvez fique no meio delas), se curte romance deste gênero este livro precisa entrar na sua lista. O simples fato da autora ser uma referência do gênero desde mil novecentos e bolinha já fala por si, e mostra que se ela faz sucesso há tanto tempo é porque tem muito borogodó.

 

NOME DO LIVRO UM REINO DE SONHOS

Autor: Judith McNaught

Editora: Bertrand

Ano de publicação: 2018

Royce Westmoreland, o “Lobo Negro”, é enviado pelo rei da Inglaterra para invadir a Escócia. Quando seu irmão, Stefan, sequestra Jennifer e Brenna Merrick, filhas de um lorde escocês, do convento onde vivem, as vidas de Royce e Jennifer se entrelaçam. Ele, um poderoso guerreiro que já ganhou muitas batalhas, não vê a hora de encontrar uma mulher que o amará pelo homem que é, não pelo medo inspirado por sua lenda. Ela, uma jovem rebelde em busca do amor e da aceitação de seu clã, mesmo na condição de prisioneira, não se deixa abalar pela fama de seu arrogante captor.
Conforme os conflitos entre os dois se tornam mais frequentes, a urgência de se entregarem um ao outro só aumenta. Certa noite, quando ele a toma apaixonadamente nos braços, desperta nela um desejo irresistível. Mas, se Jennifer seguir seu coração, perderá tudo aquilo pelo que vem lutando e jurou honrar.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.