Um Sedutor Sem Coração – Lisa Kleypas

Um Sedutor Sem Coração é o primeiro livro da série Os Ravenels, da autora Lisa Kleypas. O lançamento é de 2018 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

Devon Ravenel sempre gostou aproveitar a vida sem moderação. Um homem galanteador, apaixonado por romances curtos e por mulheres que não faziam muita questão de vê-lo no dia seguinte, vivia a vida de maneira despreocupada. Com um irmão mais novo, que era ainda mais chegado a extravagâncias envolvendo mulheres, álcool e ócio, ele fazia por onde manter o título de libertino. Até que seu primo morre, deixando para Devon um condado com direito a tudo aquilo que costuma fazer parte de um título, começando por: responsabilidade.

A primeira coisa que ele descobriu foi que herdou também uma quantidade enorme de dívidas que precisaria liquidar. Mas como? A propriedade, defasada, não permitia bons rendimentos. Os bens não eram assim tão valiosos. E ainda tinha as primas e a viúva do ex conde, é claro. O que fazer com essas mulheres? Sem dúvidas colocá-las para vier através da própria sorte e com uma mesada mínima. Seria o mais sensato a se fazer… Acontece que Devon não é um sujeito muito próximo da sensatez, e ao conhecer a tal viúva ele começa a perceber que mantê-la por perto pode ser muito mais interessante.

“Já teria compreendido que lady Trenear e eu temos a visão correta um do outro. Sou um canalha e ela é uma megera sem coração, perfeitamente capaz de cuidar se si mesma.”

O que ele não esperava era que Lady Trenear se mostrasse uma mulher inteligentíssima, extremamente frustrante e com uma teimosia difícil de medir. A sensualidade natural e a beleza não vinham ao caso, é claro. De todo modo, Devon precisaria decidir o que fazer com essa herança que recebeu, sabendo que sua decisão mudaria não somente a vida dele, mas a do irmão, da viúva, das irmãs do falecido,  de pessoas que ele nem conhecia.


Minha Opinião

Uma Londres cinzenta e chuvosa, com seus clubes para cavalheiros e a possibilidade de satisfazer o mais íntimo dos desejos, sempre chamou a atenção de Devon. Não que ele fosse um homem inconsequente, ele simplesmente não tinha lá grandes responsabilidades impostas a ele, assim como também não buscava encontrá-las por vontade própria. É essa a apresentação que temos do protagonista e confesso que gostei. Isso porque em se tratando de romances – sejam eles de época ou contemporâneos – eu adoro ver um cafajeste se transformar em homem de verdade conforme a narrativa avança. Minha expectativa com esta leitura aumentou quando descobri que ao lado de Devon estaria West, o irmão mais novo e tão libertino quanto. Os dois viviam sem grandes planejamentos e responsabilidades, mas tudo muda quando o primo Theo morre e deixa para Devon um título, um condado e as diversas vidas ligadas a ele. E o destino quatro mulheres de luto, principalmente.

Sem aceitar muito bem essa imposição da vida – e da justiça – ele viaja até Hampshire para ver de perto o tamanho do problema. Quando o protagonista descobre que as terras, embora cheias de potencial, eram praticamente inúteis; de modo que os arrendatários estavam completamente insatisfeitos, fiquei imaginando o que a autora aprontaria a partir deste ponto e de que maneira iria explorar essa situação sem que deixasse uma sensação de déjà vu no leitor, já que é muito comum encontrarmos essa premissa em romances de época. O que ela fez, então? Piorou a situação do mocinho.

O dinheiro era pouco se comparado ao tamanho das dívidas e ao crescimento exponencial das despesas. Não podemos esquecer que havia ainda quatro mulheres, sendo três jovens que precisam ter seus futuros planejados e uma viúva com uma personalidade estoica e um comportamento ranzinza e sem futuro incerto. Não era nada disso que ele esperava encontrar então o primeiro impulso – totalmente movido pelos seus instintos de sobrevivência irresponsável – foi jogar tudo para o alto. Livrar-se das mulheres, das terras, dos inquilinos. Dividir a grana que sobrasse (se é que sobraria alguma) entre ele, o irmão e as jovens, e a partir daí voltar com a vida normal, onde cada um seguiria seu caminho. A ideia da trama foi apresentada desta maneira, e eu achei lindo acompanhar um cafajeste se transformando em um Homem com H maiúsculo e deixando claro que nada disso aconteceria. Foi bacana acompanhá-lo enquanto ele percebia que, quanto mais conhecia as pessoas sobre as quais tinha responsabilidade, mais se dava conta de que no fundo ele queria aceitar o desafio de fazer tudo dar certo.

Com a ajuda de personagens secundários muito bem construídos, Devon foi buscando maneiras de resolver todos os problemas que apareciam, e os que ele já conseguia prever que chegariam em breve: questões que envolvendo a propriedade caindo aos pedaços, um coração que se apaixonando rápido demais, a necessidade de encontrar um pretendente para a prima mais velha e apresentar as outras duas à sociedade e, além disso, a inevitável participação do irmão inconsequente nisso tudo. Será que um sedutor sem coração é capaz de lidar com tudo isso de uma vez?

Neste livro a gente percebe que sim. Aqui ele faz o que pode, e ao se afastar da propriedade enquanto decide quais decisões tomar primeiro, nós nos divertimos com as correspondências que ele troca com a viúva Kathleen. Nos surpreendemos com a transformação de West. Nos encantamos com o jeito nada aristocrático das gêmeas Pandora e Cassandra e ficamos na expectativa esperando que a calada e quieta Helen se revele. E quando um personagem chamado Rhys aparece (com esse nome de protagonista amado e querido e de quem tenho saudades), a série mostra que tem todos os ingredientes necessários para ser mais um sucesso, mesmo ao nos apresentar uma história que não tem nada de inédito.

“- Rhys Winterborne é vulgar, implacável, disposto a passar por cima de qualquer princípio para conseguir algo… qualidades que admiro, é claro…”

Acredito que esse seja o grande desafio da autora, nos contar através de uma narrativa romântica, divertida e com um toque dramático que combina muito bem com a história, que um clichê ainda tem muito a oferecer e que nem sempre é sinônimo de mesmice. Não posso dizer que é o melhor livro da Kleypas, principalmente porque alguns pontos me incomodaram um pouco – como a hipocrisia da mocinha em certos momentos, o cuidado desnecessário com questões pequenas ou excesso de zelo pela vida das pessoas ao redor, que chegava a sufocar. O fato da mocinha não ter me agradado como gostaria acabou sendo um ponto positivo, pois desta forma consegui apreciar ainda mais os personagens secundários, o casal do próximo livro principalmente. Nesta obra eles já aparecem e dão uma dica do que teremos por aí.

Lisa Kleypas escreve muito bem, ouso dizer que seus romances de época costumam me agradar muito mais do que alguns escritos por grandes divas do gênero. Por este motivo indico o livro, principalmente se o que você quer é uma leitura leve e gostosa, e a possibilidade de começar mais uma série com enorme potencial. Os próximos livros já têm nome e as capas já foram divulgadas pela Arqueiro, e ficou tudo tão lindo que não vejo a hora de tê-los em mãos.

UM SEDUTOR SEM CORAÇÃO

Autor: Lisa Kleypas

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2018

Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas.
A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?
Um sedutor sem coração inaugura a coleção Os Ravenels com uma narrativa elegante, romântica e voluptuosa que fará você prender o fôlego até o final.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.