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Um Trono Negro – Kendare Blake

Um Trono Negro é a continuação de Três Coroas Negras, da autora Kendare Blake. O lançamento é de 2017 pela Globo Alt.

*Essa resenha contém spoilers do livro anterior

Sobre o Livro

Katharine, Arsinoe e Mirabella se viram frente a frente e o resultado não foi satisfatório para nenhum lado, mas a surpresa certamente ficou por conta de Arsinoe, que não é a naturalista que todos imaginavam, e sim uma envenenadora. Isso coloca sua posição em risco, já que se mais alguém descobrir ela pode ser tirada do seu lar para ser ensinada no lugar de Katherine, que passou por maus bocados.

“Nós somos uma maldição para aqueles que amamos.”

Depois da tentativa de assassinato, algo mudou dentro dela e agora ela quer encarar tudo de frente, começando pelo seu fraco dom. Frente a relutância inicial, agora ela ingere uma dose absurda de veneno todos os dias, tentando encontrar uma força que parece estar cada vez mais longe.

Mirabella, por outro lado, está um pouco mais desacreditada depois dos últimos acontecimentos. Tendo sido a favorita, mas tendo um coração mais mole, se viu atacada pelo urso da irmã e está bem menos amigável. Porém, o tempo está correndo, as ameaças são constantes e há somente um trono negro.


Minha Opinião

Não sei bem se eu posso dizer que tinha expectativas altas para esse livro, já que Três Coroas Negras foi bastante morno até o seu pico do final, porém eu realmente esperava um pouco mais. Ao contrário do primeiro livro onde fomos presenteados com um plot twist que mudou a visão que tínhamos sobre a história e prometia um desenvolvimento acelerado, o que temos aqui é uma continuação ainda mais parada.

Gosto de frisar que, quando conheci a trama inicial da história, a primeira coisa que me veio a mente é que algo iria acontecer aqui que mudaria a lógica de elas se matarem e só uma sentar no trono. Isso não é um spoiler, é apenas uma conjectura minha, que fique claro. Então, o óbvio é ver a história caminhando nessa direção, e o diferencial está em encontrar surpresas durante a jornada. Em Três Coroas Negras a surpresa veio, mesmo que tardia, mas aqui não, e eu fiquei um pouco frustrada.

Cada passo que é dado se torna previsível quando você já tem em mente onde acredita que a história vai dar e, dado o cenário, até o que é apresentado como algo definitivo e que pode causar uma mudança terrível na situação se mostra frágil, pois pode ser contestado.

“Não se pode matar o que já está morto.”

Mas não me entenda mal, o livro não é ruim, apenas parece que vem enrolando em cima de um caminho que poderia ser bem melhor trabalhado se a autora decidisse ir direto ao ponto. Já comentei em minha resenha em vídeo e também quando passei minhas impressões nas redes sociais, que essa poderia ser uma história contada em volume único se desse atenção aos aspectos certos ao invés de buscar subterfúgios para espichar a narrativa. Serão ao todo quatro livros e mais um prequel, totalizando muito mais de mil páginas, para contar algo que, se estivesse na mão de outro autor, se resolveria em até 600.

“É muito cruel forçar uma rainha a matar aquelas que ela ama. Suas próprias irmãs. E ver que elas surgem à porta como lobos em busca de sua cabeça.”

Por isso, acho que na verdade Kendare Blake está é desperdiçando um bom plot, ao invés de dar o devido destaque as coisas importantes. Porém, esse parece ser o mal do mercado atual: boas propostas sendo desmembradas em vendas, vendas e mais vendas, já que até os livros que saem como um só, acabam sendo divido em dois volumes, nos péssimos exemplos de Outlander (Arqueiro) e Trono de Vidro (Record).

Não acho que tenha havido grande desenvolvimento por parte das personagens, a única coisa que se estabeleceu mais fortemente foi como uma se sente em relação a outra e algumas lealdades que foram finalmente definidas. Fora isso, temos uma caça que nem soa perigosa, pois sabemos o que há por trás, pequenas ameaças e diálogos que também não levam a lugar nenhum. É um livro parado, simples e que fez com que eu passasse a duvidar se quero ou não seguir em frente.

Eu já li outros livros de Kendare Blake e ainda não fui fisgada por nada. E essa, sendo um premissa que chamou minha atenção, eu sinceramente desejava ver ela se erguendo em algo muito bacana. Por enquanto não vejo isso acontecer e apenas lamento. Com relação ao fluxo de narrativa, achei esse segundo mais dinâmico que o primeiro, mesmo sem grandes acontecimentos. Acho que também ajuda estar situado na história e já saber mais ou menos o que esperar de cada personagem.

Um Trono Negro não surpreendeu e apresentou a famosa “maldição do segundo livro”, com uma história morna, com mais baixos do que altos e a dúvida de se vale realmente a pena investir tempo em mais três livros pra descobrir o desfecho da trama. Sei bem que essa não é uma opinião unânime, mas eu tenho preferência por livros que surpreendam, tenham desdobramentos, do que apenas caminhem pra onde eu já acho que está indo.

UM TRONO NEGRO

Autor: Kendare Blake

Editora: Globo Alt

Ano de publicação: 2017

Após os inesquecíveis acontecimentos da Cerimônia da Aceleração e com o Ano da Ascenção em andamento, as apostas mudaram: Katharine, outrora a irmã mais fraca, agora está mais forte do que nunca. Arsinoe, após descobrir a verdade sobre seus poderes, deve aprender a usar seu talento secreto a seu favor, sem que ninguém descubra. E Mirabella, antes a favorita para o trono, enfrenta uma série de ataques enquanto vê a fragilidade de sua posição.
Em meio ao perigo constante, alianças serão formadas e desfeitas na fantástica continuação de ‘Três coroas negras’. As rainhas de Fennbirn terão que combater a única coisa no caminho entre elas e a coroa: umas às outras.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.