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Um Verão na Itália – Carrie Elks

Um Verão na Itália é o primeiro livro da série As Irmãs Shakespeare, da autora Carrie Elks. O lançamento é de 2018 pela editora Verus.

Sobre o Livro

Cesca Shakespeare ama teatro. Quando criança era nas coxias ela criava histórias e se imaginava seguindo um caminho semelhante ao da mãe. Talentosa desde muito jovem, antes de entrar na maioridade escreveu uma peça que gerou grandes expectativas de público, mas que acabou tornando-se um fiasco total. O motivo? Um ator em ascensão, que sumiu sem deixar rastros ou explicações, e que transformou o sonho da jovem em seu pior pesadelo.

“Há um ponto na vida em que ou você aceita que as coisas nunca vão melhorar, ou assume a direção e realmente começa a pensar para onde está indo.”

Agora, anos depois, ela segue pulando de emprego em emprego, desempenhando sempre funções que em nada tem a ver com ela. Cada dia mais falida e solitária, sem perspectiva nenhuma de crescimento e escondendo da família a gravidade de sua situação, desconversa sobre a possibilidade de voltar a escrever. O motivo? Desde o fracasso do seu primeiro (e único) trabalho no teatro, Cesca desenvolveu o maior dos bloqueios criativos… Não se sente capaz de escrever nem lista de supermercado.

A grande chance para voltar a escrever vem através de uma oportunidade de trabalho na Itália. Enquanto cuida de uma mansão que estará vazia durante o verão, a jovem tem a chance de se inspirar através dos cenários paradisíacos, da culinária maravilhosa, do charme dos italianos… Isso poderia ser simplesmente o paraíso. Mas não é, porque a pessoa que ela mais odeia no mundo (aquele projeto de ator que acabou com o trabalho de sua vida) resolve aparecer, para mostrar à jovem que as coisas nem sempre são aquilo que aparentam. E que está em nossas mãos a possibilidade de reescrever a nossa própria história.


Minha Opinião

Um verão na Itália é meu segundo contato com o trabalho desta autora. Sempre foi você foi o primeiro livro dela que li, e lembro de na época ter gostado bastante da escrita e da história; de modo que essa lembrança gerou em mim certa expectativa que foi sendo atendida conforme me envolvia com a leitura. O começo é divertido, porque conhecemos a protagonista e percebemos que ela atingiu o fundo do posso, mas é do tipo de pessoa que costuma levar na brincadeira os próprios problemas. Ela é divertida, inteligente, e mostra ter um potencial de crescimento enorme; mostra isso tanto para o leitor quanto para os personagens secundários do livro (pelo menos para os mais importantes, como o padrinho, por exemplo).

Enquanto a gente se diverte com as trapalhadas da Cesca, vai sentindo um sentimento de preocupação por ela aumentar. Isso porque vamos percebendo que por trás da imagem de ‘não estou nem aí’, ela esconde uma personalidade mais insegura e fragilizada, talvez por conta de tudo que já viveu. Nesse momento nossa empatia vai nas alturas, e a gente torce para que essa mocinha descubra logo uma maneira de se livrar de todos os problemas e ser feliz. É neste ponto que também conhecemos o Sam; estrela de Hollywood, garoto propaganda, queridinho da América, solteiro mais cobiçado do momento. Ele é tudo que qualquer aspirante a astro gostaria de ser, mas acaba se envolvendo com as pessoas erradas e isso resulta em um baque na sua imagem. A gente vê o quanto o personagem está sofrendo, o quanto parece ser boa gente, e isso basta para que a gente se apegue a ele e torça para que esses dois protagonistas sejam tudo aquilo que o outro merece. Que se encontrem, se apaixonem, nos arranquem sorrisos e suspiros e que sejam felizes para sempre.

“O passado era só o prólogo, e o futuro não havia sido escrito. Eles não podiam pedir mais nada.”

É quando esse encontro acontece que as coisas começam a ficar muito estranhas. A super química entre o casal? Inexistente. A empatia que passei a nutrir pela Cesca? Se transformou em um enjoo incômodo quando percebi que na verdade ela é uma mulher que se comporta como uma menina meio mimada, meio insuportável. E a paixonite que brevemente cultivei pelo Sam? Foi se tornando algo próximo de um suspiro de exasperação que surgiu pelos motivos errados.

Eles brigam demais, por tanta besteira e com discussões tão excessivamente longas que a narrativa se tornou arrastada e um pouco maçante. A sensualidade italiana, os cenários paradisíacos e idílicos se transformaram um pano de fundo embaçado diante de tanto mimimi. É como se a história fosse do nada para lugar nenhum, e essa sensação gerou em mim uma frustração que se sobrepôs a qualquer expectativa positiva que eu tinha para este livro. O clichê está presente, mas não vem daquela maneira que costuma deixar o coração mais quentinho, e sim como se dissesse: você já viu isso mil vezes. O que, aliado a uma problematização que não convenceu, transformou este início de série em um livro daqueles que a gente recomenda, mas com muitas ressalvas.

A narrativa se arrastou, de modo que chegou ao ponto de eu não saber mais qual era o objetivo principal do do livro. Seria promover uma disputa de quem se comporta de maneira mais inconsequente? Pois o casal discute e se estressa por muito pouco. Quem sabe mostrar que pode existir paixão mesmo entre um casal que não demonstra esse sentimento ao leitor? Pois nem nas cenas em que eles se acertam, um sorrisinho de satisfação foi arrancado de mim. Resolver as questões relacionadas ao amor pelo teatro de Cesca? Certo, talvez esta tenha sido a parte que mais gostei, e talvez se este ponto tivesse sido levado mais à sério, a história teria um pouco mais de profundidade. As questões familiares de Sam? Forçadas demais, com uma tentativa de criar um mistério que não existe, um drama que não convence. Claro que tudo isso foi abordado e se ‘resolveu’, mas de maneira muito superficial, sem de fato me enlaçar e sem me fazer sentir que havia ali uma história interessante sendo contada.

Pensando nisso, a dica que deixo é: leia sem expectativas. Se busca um romance com poucas  emoções, mas que pode se transformar em uma série bacana (porque a autora tem sim potencial), Um Verão na Itália pode ser uma opção. Aconselho apenas que você embarque na leitura sabendo que pode se irritar com a superficialidade da história em determinadas partes, com a personalidade um tanto rasa de certos personagens, e com a falha de caráter gravíssima de Cesca – ela não gosta de gatos.  De qualquer forma, vou aguardar o lançamento de A Winter’s Tale, livro da Kitty, a irmã aspirante a atriz (que pela premissa promete ser mais amorzinho do que este).

UM VERÃO NA ITÁLIA

Autor: Carrie Elks

Editora: Verus

Ano de publicação: 2018

Férias de verão gratuitas em uma bela villa na Itália. A condição? Dividir a casa com seu maior inimigo… O primeiro volume da série As irmãs Shakespeare. Cesca Shakespeare chegou ao fundo do poço. Depois de escrever uma peça de teatro premiada que acabou em desastre, o bloqueio criativo se instalou, sem previsão de ir embora. Seis anos mais tarde, ela acabou de perder mais um emprego pavoroso e está prestes a ser despejada de seu apartamento. Pior ainda, suas irmãs não fazem ideia de como sua vida vai mal.
Assim, quando seu padrinho lhe arruma uma temporada de verão em uma bela villa italiana, sem ter de pagar nada por isso, Cesca concorda, meio a contragosto, em ir para lá e tentar escrever uma nova peça. Isto é, antes de descobrir que a casa pertence a seu arqui-inimigo, Sam Carlton.
Tendo acabado de ver seu nome em todas as manchetes pelas razões erradas ― mais uma vez ―, o galã de Hollywood Sam Carlton precisa de um lugar para se esconder. Que opção melhor do que a linda villa desocupada de sua família à beira do Lago Como? Só que, quando ele chega, descobre que a casa não está tão desocupada quanto ele esperava. Ao longo do quente verão italiano, Cesca e Sam terão de confrontar o passado. E o que começa como uma hesitante amizade rapidamente se torna uma atração intensa ― e depois uma aventura ardente.
Uma coisa é certa: este será um verão abrasador… Esta é a nova e deliciosa série da autora best-seller Carrie Elks. Você vai conhecer a família Shakespeare: quatro irmãs, quatro histórias… quatro maneiras de encontrar o amor verdadeiro.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.