Um Verão Para Recomeçar – Morgan Matson

Um Verão Para Recomeçar é da autora Morgan Matson. Lançado em 2017 pela editora Novo Conceito.

Sobre o livro

O Lago Phoenix, na Pensilvânia, foi cenário para momentos incríveis e muitos deles inesquecíveis, mas há cinco anos Taylor não viaja para lá. Este lugar, que já foi considerado um refúgio, mas que agora guarda algumas lembranças ruins, se torna novamente um ponto importante das férias desta família quando o pai da protagonista descobre que está com câncer em estágio terminal. Eles decidem passar um último verão juntos e assim aproveitar o máximo possível dos momentos em família, enquanto ainda estão todos ali.

“Tudo mudara. Ou, para ser mais precisa, tudo iria mudar. Mas nada havia mudado ainda. Por isso aquelas condolências eram artificiais – como se as pessoas estivessem dizendo que sentiam muito pelo incêndio na minha casa, quando ela ainda estava intacta, mas com uma brasa acesa queimando por perto, à espreita.”

Em uma contagem regressiva que se passa em poucos meses, este livro convida quem o lê a dar as mãos à Taylor e mergulhar de cabeça na certeza da morte, na vivência da dor que surge a partir daí. E ainda assim é também um convite a se permitir ver a beleza que fica a espreita, esperando que a gente concorde em enxergar que o fim não é necessariamente quando tudo acaba. Ele pode ser visto também como uma oportunidade para ressignificar o passado e recomeçar a partir dali.


Minha Opinião

Eu sempre acho um paradoxo ler sick-lits. Isso porque a gente sabe, já de antemão, que está lidando com uma tragédia anunciada. Se prevê sofrimento, dor e angústia; imaginamos o coração apertado e as lágrimas fluindo no decorrer das páginas. E embora a tristeza seja dada como certa, este tipo de literatura oferece com frequência uma outra face; isso porque entramos em um modo reflexivo e ao nos colocarmos no lugar dos personagens e sentirmos suas dores, é comum perceber o despertar de um sentimento de gratidão pela vida. Com este livro a experiência não foi diferente.

Após descobrir que o pai tinha poucos meses de vida Taylor parte com ele, a mãe e os irmãos para o que seria o último verão com a família completa. Através de um acordo não verbalizado, eles buscam maneiras de lidar com a morte iminente, mas sem necessariamente conversar abertamente sobre o assunto. Por conta disso, até mais ou menos metade do livro, o leitor transita entre passado e presente de forma que possa entender o que aquele lugar representa para a protagonista, e o que contribuiu para que ela se tornasse uma jovem incapaz de enfrentar seus medos de frente e com tendência a fugir daquilo que não consegue lidar.

“Nas séries médicas a que tinha assistido, sempre havia uma solução, algum remédio miraculosamente descoberto na última hora. Ninguém jamais desistia de um paciente. Mas parecia que, na vida real, as coisas não eram bem assim.”

Claro que temos uma paixonite do passado envolvida aqui. E é lógico que esse garoto, primeiro amor de Taylor, ressurge e traz com ele sentimentos que ela imaginava não ter há muito tempo. Então, por conta disso, a gente acompanha duas tramas que se entrelaçam: a história romântica da protagonista, que pode ser aquele respiro necessário para encarar o outro lado; o enfrentamento da perda que se mostra mais presente a cada dia: com o corpo do pai que vai esmaecendo, com a voz que vai perdendo o timbre, com o olhar que diminui o foco, com a risada que dá lugar aos gemidos de dor e aos gritos de desespero. Tudo isso enquanto ela lida com um cachorro abandonado, com uma irmã mais nova que mantém a pose de bailarina, mas que no fundo é apenas uma criança solitária; com uma mãe que precisa permanecer forte, mas que também tem direito a um ombro cheio de amparo;  um irmão nerd que precisa tomar para si o papel de homem da família e, além disso tudo, Taylor precisa lidar com a possibilidade de se reaproximar da garota que um dia foi sua melhor amiga.

Conforme a narrativa avança acompanhamos o desenvolvimento da protagonista, que aos poucos compreende que nem sempre fugir é a maneira mais adequada para lidar com aquilo que causa medo ou angústia. E é bonito de ver como a autora mescla situações alegres e tristes, sentimentos bons e ruins, de maneira que o amadurecimento dos personagens e suas relações se dê de maneira natural, não forçada. A gente percebe isso de diversas maneiras: quando a mãe se permite chorar, quando o pai confessa sentir medo, quando os filhos percebem que aqueles últimos momentos juntos precisam ser os mais significativo possível, e que embora parte fundamental da estrutura familiar – e de seus corações – esteja partindo, tudo aquilo que fica merece ser apreciado com carinho, porque vale mais a pena viver do que apenas sobreviver.

“Foi somente então, quando cada dia que eu passava com ele era contado, que eu percebi o quanto eles eram preciosos. Milhares de momentos para os quais eu não tinha dado o devido valor – principalmente por achar que teríamos milhares de outros.”

Um verão para recomeçar é aquele tipo de livro que devemos apreciar sem pressa, experimentando o misto de sentimentos que ele desperta. Não achei o livro perfeito e algumas coisas na narrativa me incomodaram, como a idade dos personagens para determinadas vivências e todo o mistério (não tão misterioso assim) acerca do que aconteceu no verão de cinco anos atrás. Ainda assim, essa é uma leitura capaz de mexer conosco de tal maneira que a gente se pega reparando que o sol está brilhando hoje, e que o calor é bem vindo; mas que tudo bem se o tempo virar e a tarde for de chuva.

Conforme acompanhamos a jornada de um pai para a morte e sua família lutando para percorrer o caminho inverso, nos damos conta – mais uma vez – que o tempo é finito. E que as pequenas coisas precisam ser aproveitadas enquanto ainda estamos aqui. Então se o que você busca é uma história que, com uma narrativa simples, fluida e imperfeita, seja capaz de tocar o coração, esse livro é para você.

UM VERÃO PARA RECOMEÇAR

Autor: Morgan Matson

Editora: Novo Conceito

Ano de publicação: 2017

Taylor Edwards nunca se sentiu importante, muito menos alguém que se destaca.
Além disso, ela tem a estranha mania de fugir quando as coisas ficam meio complicadas. No dia do seu aniversário, Taylor recebe uma terrível notícia: o pai dela está muito doente. Ela até tenta fugir novamente, mas agora sua família precisa de toda ajuda e união possível.
Então eles tomam a seguinte decisão: passar o verão juntos na casa do lago.
Taylor não vai à casa do lago, onde ela e a família passavam o verão, desde que tinha doze anos, e ela definitivamente nunca planejou voltar. No lago Phoenix, ela reencontra sua ex- melhor amiga, Lucy, e Henry Crosby, sua primeira paixão.
De repente, Taylor se vê cercada por lembranças que preferia ter deixado no passado. Apesar do medo e de querer fugir mais do que tudo, a única coisa que resta a ela é ficar com seu pai e enfrentar os dias da melhor maneira possível.
Nesse verão em família, vivendo momentos tristes e felizes ao mesmo tempo, Taylor percebe que ela tem uma segunda chance de refazer laços familiares e até, quem sabe, poder viver um grande amor.
Um verão para recomeçar é um notável romance sobre esperança, amor e superação.

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.
  • Samuel

    Gostei bastante da capa desse livro. Não é um gênero que eu gosto. A história me parece bem clichê. Me parece mais aquelas Hisotiras rápidas, para quebrar uma leitura difícil e complicada.

  • Amanda Barreiro

    Oi Krisna. Apesar de apreciar dramas prefiro não me aventurar por livros com uma proposta tãããão triste. Questões como morte, doenças são muito difíceis de ser digeridas numa leitura, até porque a gente se transporta para situações que já vivenciamos.

  • Samanta Samy

    Não me interessei em ler, mas o livro tem dois pontos que gosto muito: o fato de transitar entre o passado e o presente na narrativa e a abordagem da morte.
    Gosto de livros que abordam a morte sem “romantizar” demais.
    Até escrevi um trabalho sobre isso, mas ligado a literatura infantil.
    Voltando ao referente livro rs, realmente não fiquei interessada, pois, parece abordar a perda da forma que já conhecemos.

  • Natália Costa

    Por falar em sick lits, alguns livros do Nickolas Sparks podem ser considerados sick lits ou são romances mesmo? Sempre fico em dúvida com estas divisões literárias….hahahhaa

  • Melissa Espínola

    Gostei muito da resenha. Parabéns, você escreve muito bem. Mas não sei se leria o livro, ainda estou meio em dívida. Bjs :*

  • Michelli Santos Prado

    O.b.s: Adoro a forma que escreve, dá vontade de ficar lendo mais da resenha!
    Já havia visto pelos lançamentos, mas é a primeira resenha que leio sobre ele, fiquei encantada coma premissa de sua historia, algo mais “meio terno” entre um romance e uma historia com um tema mais profundo. Adorei a indicação dele, e ele foi para minha lista de desejados.

  • Thais M. Costa

    Nao sou muito fã de shick-list, histórias com muito sofrimento pessoal me assustam rs. Mas me parecei um enredo interessante, apesar de ser sempre o mesmo. Gostei da resenha.

  • Franciele Débora

    Olá, parece-me o tipo de historia para ler e relaxar, que vai mexer com o meu emocional. É um tipo de gênero de livro que eu amo, que passo horas e horas lendo. Já estou me imaginando chorando lendo esse livro, ainda historia que envolve a família e sentimentos pesados.
    Adicionei na minha lista e espero ler em breve.
    Beijos.

  • Pamela Liu

    Oi Krisna.
    Gosto bastante de ler sick-lits por causa da reflexão feita durante e após a leitura.
    É uma forma de se colocar no lugar dos personagens, ser grato pelo que temos e repensar sobre o que deveria ser nossas prioridades.
    Esse livro parece ter duas traumas bem interessantes.
    Fiquei curiosa para saber o que aconteceu 5 anos atrás e também para acompanhar a família durante seu último verão juntos.
    Bjs

  • Gabriela Souza

    Oi! Apesar desse tipo de livro realmente nos fazer refletir (muito) e nos emocionar, não tenho coragem de ler. Já passei por situações parecidas e sei que não tenho estômago para essas histórias. Vou deixar a dica passar, beijos

  • Camila Rezende

    Já tinha lido a sinopse antes e me interessei pelo livro.
    Gosto de livros que nos fazem refletir sobre a vida.
    Gostei de saber pela resenha como a autora trabalhou com os personagens.

  • Leticia

    Oi! Nunca li sicklits propriamente ditos, mas acho que alguns do Nicholas Sparks (e ate da Jojo Moyes) se encaixam na categoria, mas posso estar errada. Esses que ja li gostei muito, principalmente porque me fazem refletir muito sobre a vida.

  • Naiara Fidelis

    Confesso que gostei muito do enredo e da resenha, e fiquei com vontade de ler.
    Mas, ao mesmo tempo fiquei com receio de ler, por saber que será um livro triste e por já tido um parente que sofreu desta doença, então não sei se eu teria coragem de ler.