Uma Dobra no Tempo – Madeleine L’Engle

Uma Dobra no Tempo é um clássico infanto-juvenil escrito por Madeleine L’Engle. Está sendo lançado no Brasil pela editora HarperCollins.

SOBRE  O LIVRO

Meg Murry é uma garota esperta e inteligente. Sempre foi boa aluna e tirava notas exemplares na escola. Mas tudo mudou desde que seu pai, o Sr. Murry desapareceu sem deixar respostas. Os amigos e vizinhos fofocam a respeito do desaparecimento, alguns dizem que ele abandonou a família. Mas Meg sabe que não é isso. Seu pai era um cientista, amava muito sua mãe e nunca os abandonaria. Mas já estava ficando sem certeza disso.

“Não há nada a temer a não ser o próprio medo.”

Certo dia, enquanto ela e seu irmão mais novo, Charles Wallace caminhavam pelo bosque, eles se encontram com outro menino chamado Calvin. O encontro dos três não fora por acaso: na frente deles, estava a casa conhecida como Casa Assombrada, e ali moravam três estranhas – porém simpáticas – senhoras: a Sra. Quequeé, a Sra. Qual e a Sra. Quem. Essas três senhoras revelam então à Meg que seu pai está preso em outra dimensão, em outro sistema planetário, que uma força obscura ameaça destruir toda a vida que há por lá.

Juntos, as três crianças e as três senhoras vão fazer uma jornada pelo tempo e espaço para encontrar o pai de Meg e tentar libertá-lo. Porém, não será uma jornada fácil, já que A Coisa Escura é muito poderosa e ganha mais poder conforme o tempo passa. Caberá a Meg se tornar uma heroína e usar seus dons e inteligência para salvar esses mundos diferentes e, também, libertar o seu pai da escuridão.


MINHA OPINIÃO

2017 foi um ano bem interessante para mim em termos de autores, pois conheci uma gama de nomes que já tiveram certa importância e relevância na literatura, que estavam esquecidos e que agora a pouco tempo estão voltando ao mercado. Principalmente, devo admitir, na ficção científica, que é majoritariamente “dominada” por autores, enquanto as autoras são esquecidas ou abafadas.

Madeleine L’Engle é uma dessas autoras que foram influentes em sua época (anos 50-60), mas que por algum motivo foram um tanto esquecidas da história da literatura. Eu particularmente nunca tinha ouvido falar dela, nem mesmo de sua série de livros. Surpresa maior ainda é saber que essa série é considera um clássico infanto-juvenil.

“Mas e se o andarilho vier? E se ele tiver uma faca? Ninguém mora aqui perto e ninguém nos ouviria gritar sem parar. E de qualquer jeito, ninguém ia dar bola.”

A trama criada pela autora é um pouco confusa quanto ao gênero em que se encaixa, fator esse que também influenciou bastante a sua aceitação no mercado editorial. É um misto de ficção científica, fantasia, fábula e parábola. Tudo depende do momento, do contexto e da mensagem. Mesmo assim, achei bem interessante a junção que a autora fez dos gêneros e como ela montou sua narrativa em cima deles, sem se preocupar em ser “certinha” o tempo todo.

Mas nem tudo foram flores, e mesmo a história sendo bem criativa e os mundos apresentados serem bem peculiares, não pude deixar passar alguns problemas em relação aos personagens, suas condutas e também suas motivações. Na verdade, parece que nesse ponto a autora não tinha preocupação com eles, mas apenas em torna-los ferramentas para transmitir uma determinada mensagem.

“Pensar que sou um bobão faz as pessoas se sentirem superiores – disse Charles Wallace. – Por que eu deveria acabar com essa ilusão?”

Meg Murry é a garota inteligente e teimosa do grupo. Nas horas em que os outros desanimam, é ela que levanta a cabeça, teima diante das coisas e resolve encarar o desconhecido. Ela sempre foi boa aluna, mas o sumiço do pai tem afetado seu desempenho escolar. Agora que ela sabe que seu pai está preso em algum mundo dimensional, sua esperança reascende e ela fica determinada a encontrá-lo de qualquer jeito. Com isso, ela conta com a ajuda do irmão, Charles Wallace. De fato ele é um garoto estranho, de poucas palavras, mas quando fala nota-se que sua inteligência é acima do normal pra uma criança de 5 ou 6 anos. Além disso, ele possui uma espécie de dom que o permite notar energias e pensamentos a sua volta, coisa que os demais não sentem.

Calvin, entretanto, foi o personagem que achei mais sem sal na trama. Ele entra por acaso e sua participação nas viagens dimensionais se dá mais em função de ele ter uma intuição que nunca falha. Sempre que ele sente que algo está errado ou que é ruim, de fato aquilo ocorre. Fora isso, ele vai servir para formar um par afetivo com Meg, talvez representando o primeiro amor da garota, mesmo que isso não se concretize nesse primeiro livro. Quem sabe nos outros da série.

Acredito que para crianças e adolescentes, a história apresentada seja bem adequada e que passe uma mensagem legal. Mas para mim ficou aquela sensação de faltar algo, de desenvolver melhor os detalhes. Uma coisa logo no começo que me incomodou foi em relação às personagens guias das crianças, as Sras. Quequeé, Qual e Quem. Não há muita explicação do que elas são, se são bruxas, fadas ou entidades sobrenaturais. Também não há uma explicação do porque elas resolvem ajudar as crianças, nem mesmo como Charles Wallace já as conhecida tão bem. Simplesmente elas aparecem, guiam as crianças e, beleza, tudo ok.

“É tão assustador quanto empolgante descobrir que matéria e energia são a mesma coisa, que tamanho é uma ilusão e que o tempo é uma substância material. Temos como entender, mas é muito mais do que podemos compreender com nossos míseros cérebros de ser humano.”

A edição gráfica está um espetáculo. O livro é em capa dura, com decorações em azul e com detalhes representando as estrelas e constelações. Nas páginas internas, a diagramação é bem boa e distribuída, tornando a leitura bastante fluída. As divisões dos capítulos também são feitas por páginas escuras que lembram o céu estrelado.  Além disso, no final do livro há duas partes extras, uma delas falando sobre a expansão do universo da série, e outra comentando sobre como foi escrito o livro, os problemas que ele enfrentou até conseguir ser publicado, a intenção da escrita, entre outros detalhes.

Não foi com Uma Dobra no Tempo que a autora me conquistou, mas pelo menos a sua narrativa despertou em mim ainda o desejo de continuar acompanhando as aventuras das crianças e ver no que vai dar. Ainda há muito que explicar sobre a Coisa Escura e o que ela é, bem como explorar mais os diversos mundos fantásticos descritos pela autora. Além disso, a simplicidade que usa para explicar os conceitos científicos da quarta dimensão tornam a experiência ainda melhor, e considerando que em breve sairá a adaptação do livro, estou bem empolgado para ver essa fantástica aventura ganhando vida nas telas do cinema.

35estrelasb

UMA DOBRA NO TEMPO

Autor: Madeleine L’Engle

Editora: Harper Collins

Ano de publicação: 2017

Era uma noite escura e tempestuosa; a jovem Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, descem para fazer um lanche tardio quando recebem a visita de uma figura muito peculiar. “Noites loucas são a minha glória”, diz a estranha misteriosa. “Foi só uma lufada que me pegou de jeito e me tirou da rota. Descansarei um pouco e seguirei meu rumo. Por falar em rumos, meu doce, saiba que o tesserato existe, sim.” O que seria um tesserato? O pai de Meg bem andava experimentando com a quinta dimensão quando desapareceu misteriosamente… Agora, com a ajuda de três criaturas muito peculiares, chegou o momento de Meg, seu amigo Calvin e Charles Wallace partirem em uma jornada para resgatá-lo. Uma jornada perigosa pelo tempo e o espaço. Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para os mestres da fantasia e da ficção científica do mundo, agora adaptada para os cinemas pela Disney. Junte-se à família Murray nesta jornada, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.