Uma Vez – Morris Gleitzman

Uma Vez é um lançamento da editora Paz & Terra em 2017, escrito pelo autor inglês Morris Gleitzman e premiado pelo Conselho australiano do livro para crianças.

SOBRE O LIVRO

Essa é a história de um garotinho chamado Felix Salinger que vive em um orfanato católico na Polônia em meio a Segunda Guerra Mundial. Felix é um menino comum de dez anos que adora ler e inventar histórias. No entanto, ele esconde alguns segredos. O primeiro deles é que ele é judeu, e o segundo é que diferentemente da maioria das crianças do orfanato, seus pais não estão mortos. Ele foi entregue pelos pais para que em tempos difíceis ele ficasse seguro enquanto eles viajavam pelo mundo tentando vender seus livros e ter uma vida melhor; ele é, claro, mal pode esperar pelo dia em que finalmente eles venham buscá-lo.

“Todo mundo merece ter alguma coisa boa na vida pelo menos uma vez.”

Tudo acontecia exatamente da mesma forma, até que certo dia, após três anos e oito meses vivendo no orfanato, ele encontra uma cenoura inteira em sua sopa. Era um sinal! Um recado de seus pais de que era hora de irem buscá-lo. No entanto, ele não poderia esperar. Após ver livros judaicos sendo usados para acender uma fogueira, Felix entende que a livraria da família estava em perigo e decide que está mais do que na hora de sair dali e ir ao encontro dos pais.

E assim começa a aventura de Felix, a procura dos pais em um país tomado pelos nazistas e vizinhos delatores, mas também repleto de pessoas dispostas a ajudar. Nessa viagem ele vai descobrir os perigos da guerra e encontrar uma verdadeira amizade que fará com que sua vontade de viver aumente a cada segundo, mesmo diante de um cenário tão sombrio.


MINHA OPINIÃO

É impossível descrever o quão inocente pode ser o olhar de uma criança em meio a uma guerra. Felix é em si um retrato da pureza, da fé e da inocência. Parece impossível para ele acreditar que coisas horríveis podem ser praticadas por seres humanos, muito menos por aquele responsável por cuidar do povo, ou menos ainda que Deus tenha se esquecido se cuidar de todos.

Depois de ter visto os soldados nazistas queimando livros judaicos o garotinho passa a ter a ideia fixa de talvez, eles não gostassem de livros judaicos, simplesmente isso.

“Por que será que os nazistas fariam as pessoas sofrerem desse jeito só por causa de alguns livros.”

Apesar de retratar um tema pesado como o Holocausto, o autor retratada cada acontecimento de uma forma sutil, sempre narrada através do olhar inocente do protagonista, muitas vezes até com uma pitada de humor, seja pelo fato de que uma criança se recusar a acreditar em um mundo tão cruel que inventa justificativas mirabolantes para os piores fatos, assim como por críticas a religião e a algumas características dos próprios personagens.

É interessante destacar o poder atribuído à imaginação e o valor de uma boa história. Elas são colocadas como uma forma de transportar pessoas para longe da dor, tanto física como psicológica, assim como um meio de aproximar não só crianças mas adultos de classes diferentes.

“Obrigado a Deus, Jesus, à Virgem Maria, ao papa e a Adolf Hitler.”

Um ponto para se encantar é a amizade que Felix cria com uma pequena garotinha judia, Zelda. Após resgatá-la do terreno em chamas da família, e sentindo-se responsável por ela eles criam um laço de amizade que encanta o leitor do início ao fim da história, eles são, em outras palavras: inseparáveis. Apesar de ser bem pequena, Zelda é muito esperta e teimosa, ela não se deixa levar por opiniões alheias e não acredita em nada que não seja de sua própria convicção. Além de Zelda, outros incríveis personagens são apresentados, todos retratados por suas angústias, mas acima de tudo, por sua bondade.

“-A gente não vai esquecer você – sussurrou minha mãe em meio às lágrimas.
Eu entendi perfeitamente o que ela estava dizendo. Que eles não se esqueceriam de vir aqui me buscar assim que tivessem resolvido os problemas com a livraria.”

Cada capítulo se inicia com a frase: “Uma vez…” o que da ao livro todo o ar das histórias criadas por Felix, que apesar de ser tão pequeno é um ótimo contador de histórias. No entanto, estas são narrativas reais que ele passa a vivenciar depois de ter estado tanto tempo em seu “mundo particular” e protegido pelas paredes do orfanato. Com essa experiência ele faz grandes descobertas, encontra explicações para tudo que antes ele não conhecia.

Com o final da história sendo deixado em aberto, é interessante imaginar o que aconteceu com eles. Apesar de não entregar quase nenhum desfecho, o autor elenca fatos e pistas para que o leitor entenda o fim da pequena trama de cada personagem.

Uma Vez é um livro sensível, curto, de rápida leitura e, é claro que se tratando de uma história sobre um tempo de guerras e preconceitos, nem tudo são flores, mas contado do ponto de vista de uma criança, é impossível não se apaixonar até mesmo pelo trágico.

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UMA VEZ

Autor: Morris Gleitzman

Editora: Paz & Terra

Ano de publicação: 2017

Felix Salinger, um menino judeu que mora na Polônia, adora ler e é ótimo em escrever e contar histórias. E é isso o que ele mais faz enquanto espera, num orfanato católico, o pai e a mãe, que foram cuidar da livraria da família. Uma vez, na fila do jantar, Felix ganhou uma sopa com uma cenoura inteira. Naqueles tempos em que era impossível até mesmo ter pão fresquinho no café da manhã, uma cenoura inteira só podia ser um sinal. A mensagem ficou mais clara quando livros judeus da biblioteca do orfanato foram transformados em uma imensa fogueira. Seus pais e a livraria da família estavam em perigo. O garoto sabia que precisava voltar para casa para ajudá-los. Assim começa a jornada de Felix por um país tomado por soldados nazistas, vizinhos delatores, mas também por pessoas dispostas a ajudar. A incrível imaginação do garoto é sua melhor companhia para compreender a terrível realidade que o cerca. Este é um livro especial, que nos faz testemunhas do horror do Holocausto pelo doce e inocente olhar de uma criança. É uma história delicada, que nos faz pensar sobre intolerância, racismo, abuso de poder, perda e luto. Mas que também afirma o poder da amizade, da perseverança e da literatura para construir um mundo melhor.

É resenhista do Resenhando Sonhos.
Estudante de Direito, 19 anos, mineira, mora em Belo Horizonte e ama o universo literário.
  • Natalí Marques

    Olá!
    Ainda não conhecia o livro e fiquei encantada pela premissa. Gostei muito da ideia de um menino judeu ser criado em um orfanato católico e ainda formar uma bela amizade com uma garota de lá.
    Acredito que a leitura seja super delicada e que trata de temas bem pesados.
    Quero muito ler <3
    Beijos

  • Lili Aragão

    Oi Ana, ontem eu li aqui sobre um livro com a perspectiva dos animais durante a guerra e achei bem interessante e hoje estou novamente interessada numa história que se passa num período que acho tão triste e até evito ler, mas que ganha uma nova visão através dos olhos das crianças. Imagino que a história seja bem emocionante e espero ter a oportunidade de conferir, mesmo não achando que esse seja um livro de final feliz. Curti a resenha ;)

  • Nayane Evylle

    Oi Ana!
    Eu adoro ler sobre guerras, como disse na resenha passada, então adorei a indicação do livro.
    Achei o Félix uma fofura *-* o autor fez bem em retratar a guerra de forma sutil pelo olhar de uma criança. Deu vontade de saber o que ele e a Zelda vão fazer juntos nessa caminhada.
    Obg pela indicação ;)
    Bj

  • Manu Cardoso

    Nossa! É tão triste imaginar uma criança sem os pais em meio a uma guerra!
    Fiquei curiosa com o fato do final ficar em aberto… Eu costumo amar e odiar quando isso acontece. Se por um lado parece que a história não acabou, por outro é assim mesmo que as coisas são!
    Vou colocá-lo na minha listinha!
    =)
    bjs

  • Lana Silva

    E a primeira vez que me deparo com a resenha deste livro, e me vi encantada por esta estória sensível, de um homem que salva uma garotinha judia da morte. Imagino que acompanhar esta trajetória nos fazer refletir, quando esta guerra foi dolorosa para todos, e imagino o quanto esta criança deve ter sofrido pela perda dos familiares, mas ainda bem que encontrou uma alma bondosa.

    Participe do TOP COMENTARISTA de Julho, para participar e concorrer aos livros “O Casal que mora ao lado” e “Paris para um e outros contos”.
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

  • Natália Costa

    Não conhecia este livro. Nunca li nada parecido e sempre corri de temáticas tristes e ambientadas em épocas de guerra. Vou abrir minha primeira exceção com a guerra que salvou minha vida, agora pra TBR da MLI. Espero gostar!

  • Rafaela Saturnino

    Eu não conhecia esse livro, mas gostei muito da resenha dele! Só de saber que é com uma criança, e durante a guerra, já acho que vou me emocionar com o livro, e com certeza vou gostar. Realmente o tema tratado é bem pesado, e quando vemos isso pelos olhos de uma criança, é algo mais triste ainda. Só não sei se vou gostar muito do final ter ficado em aberto, mas pretendo ler o livro mesmo assim :)

    Beijos!

  • Micheli Pegoraro

    Olá,
    Essa é uma combinação que adoro ler: livros protagonizados por crianças + histórias com cenário de guerra. Não conhecia esse livro, mas já dá pra imaginar que fiquei completamente interessada em ler.
    AMO livros que falam sobre a guerra através da perspectiva inocente de uma criança, as mensagens que essas histórias passam são tão puras, não há como não ser tocada por um um sensível assim.
    Quero muito conhecer a história do Felix e acompanhar a jornada desse garotinho nesse cenário cruel e doloroso da Segunda Guerra Mundial.
    Beijos

  • Camila Rezende

    Parece interessante a estaria desse livro (gosto do fato de ser narrado na visão de uma criança e ver como ele encara as coisas que acontecem durante guerra). Gostei da ideia do final ter ficado em aberto e ter dado o leitor diferentes ideias de como o livro termina.

  • Gabriela Souza

    Oi, Ana! Nunca li livros sobre a guerra pelo olhar de uma criança, mas consigo imaginar a visão inocente que ela possui. Que bom que o autor conseguiu trazer um tema forte como o Holocausto de forma sutil. O livro de certa forma parece ser bem gostosinho de ler. Beijoss