Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) | Crítica

Dirigido por Luc Besson (Lucy, O Quinto Elemento), Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma adaptação da HQ francesa Valerian de Jean Claude Mézières e Pierre Christin, publicada inicialmente na revista Pilote em 1967. Mas, a adaptação não foca no começo dos quadrinhos, e sim em seu quarto volume, que também compõe o álbum recém publicado no Brasil pela editora SESI-SP.

Como influência para muito do que veio depois em se tratando de ficção científica, Star Wars incluso, Valerian nunca ganhou tanto espaço mundial como seus sucessores, ficando restrita aos países onde havia sido publicada e só ganhando destaque e holofote suficiente para uma adaptação nos dias atuais.

Na história temos o agente Valerian e sua parceira Laureline em uma missão para recuperar um artigo único e retorná-lo a cidade Alpha, um conglomerado espacial que abriga milhares de raças, forjando alianças e ampliando conhecimento e cultura. Porém, há algo errado em tudo isso e eles logo percebem que a história por trás do artigo único é um pouco mais profunda e perigosa, tendo que combater forças internas e externas.

O visual do filme é bem “pop”, principalmente na apresentação de suas raças, que são muitas e variadas, assim como a dinâmica criada entre elas e por elas na cidade Alpha. A comunidade que se cria é muito mista e retratada num estilo de atualidade, lembrando que nos anos 60, seria uma visão de futuro. A presença de cores é constante e ajuda a trazer esse ar jovem para o filme.

Presença também encontrada nos dois atores escolhidos para viver os protagonistas. Por mais que Dane DeHaan já tenha seus 30 anos, ele certamente não aparenta e também não passa a imponência que seu personagem deveria ter. Mesmo assim, ainda se sai melhor que Cara Delevingne, que vive um papel em que ela se encaixa muito bem, se não fosse igual a todos os outros que ela já fez. A mulher fria, focada, com pouco interesse no que está ao seu redor e sem nenhuma expressão. Mesmo assim, já dá pra ver uma certa evolução da atriz desde a sua aparição em Cidades de Papel, ainda que eu ache que ela só vai mostrar potencial quando ganhar um papel que exija e ela consiga, finalmente, entregar emoção.

Criação de mundo e sua apresentação talvez seja o diferencial aqui, mas a história desenvolvida em cima passa longe de ser bem desenvolvida. É rasa, às vezes incrivelmente boba e peca na sua continuidade. Todo o plot que vai envolver a presença da Rihanna, por exemplo, é desnecessário e tem zero peso para a narrativa. Porém, somente esse arco ocupa aproximadamente 20 minutos de tela. 20 minutos que ninguém precisava perder tempo assistindo, o que torna o filme longo e arrastado, porque fica claro que aquilo não é essencial para a história principal.

Os efeitos especiais não estão tão perfeitos e enquanto algumas raças são detalhadas, outras parecem não ter a textura necessária para passar veracidade. A trilha sonora está bem alinhada mas também não dá grandes destaques e o 3D é completamente dispensável.

Mas, apesar dessas situações e dos diálogos que não são muito bons também, principalmente o flerte incessante que existe entre os protagonistas, o filme não é de todo ruim e pode sim apresentar o entretenimento desejado para um público mais jovem e despreocupado com questões técnicas. Há momentos divertidos, que incluem um trio muito bizarro, e uma sequência incrível que envolve mudanças de dimensões de uma forma bem única.

Então, para quem busca puro entretenimento, há um vasto mundo aqui a ser explorado, e quem gosta da HQ ou começou a acompanhar agora com sua recente publicação no Brasil, acredito que valha a pena conferir pra dar mais vivacidade aos elementos já vistos no quadrinho. Mas, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas tinha ouro nas mãos e acabou decepcionando um pouco com as escolhas feitas para elenco e roteiro.

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VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS

Diretor: Luc Besson

Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen e mais

Ano de lançamento: 2017

Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.