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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017) | Crítica

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Até muito recentemente eu desconhecia por completo essa história. Quando os primeiros teasers saíram e vi que Scarlett Johansson estava envolvida no projeto, me dediquei a saber mais sobre a trama. Minhas aventuras com mangás são bem recentes, mas fiquei bastante interessada na obra de Masamune Shirow. O mangá, lançado em 1989, já ganhou diversas adaptações como filmes de animação em 1995, uma continuação em 2004 e o primeiro remasterizado em 2008. Em 2002 rolou uma série de animação que contava com 26 episódios e que também teve continuação. Agora, era a vez dos cinemas, em live action.

A primeira reclamação com adaptações de mangá é: “a atriz não é oriental”. E, digo pra vocês, não fez falta alguma. Johansson é uma ótima atriz e, por mais que às vezes se envolva em projetos que eu não curto tanto ou não tenham tanta bilheteria, sempre apresenta um trabalho bem desenvolvido.

Confesso que ao ver os trailers que saíram, achei que a história ficaria confusa. Pareciam haver situações demais acontecendo ao mesmo tempo e tive medo que o filme não conseguisse apresentar uma versão que dispensasse conhecimentos prévios sobre a trama. Felizmente, estava enganada.

A história de Ghost in the shell não é mais inovadora. Já tivemos uma quantidade de livros e filmes que exploraram o aspecto da inteligência artificial e incorporação da máquina ao humano. Porém, a narrativa consegue conquistar o leitor e torná-lo engajado na história de Major.

Ela acorda em uma instituição com suas memórias quase todas apagadas e com uma revelação: sua alma e seu ghost – que é a representação de espírito aqui -, foi salvo. Seu cérebro foi implantado em um corpo completamente robótico e agora ela é “propriedade” da empresa Hanka, pioneira na área. Major vira uma soldado e é destinada a ajudar o governo na sessão 9, um departamento destinado a lidar com crimes cibernéticos.

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Já começamos o filme com ela em ação, e vemos o quanto essa sociedade evoluída é frágil. Um cabo conectado ao seu corpo e você pode ter seu cérebro hackeado e sua vida sugada de você. Há um inimigo que se manifesta aqui. Ele está matando cientistas de altas patentes dentro do grupo Hanka e declarando guerra à corporação. É missão portanto de Major e de sua equipe, parar a ameaça.

Porém, no meio de tudo isso, e talvez o mais importante aqui, temos os conflitos da personagem. Ela não se lembra do seu passado, apenas pedaços de histórias que foram sendo dadas a ela. Mas ela tem tido “falhas” em sua programação, com imagens não reais se sobrepondo em sua visão. Ela caminha pelo mundo vendo as máquinas, os androides completamente mecânicos e pensando o quanto é igual a eles, e o quanto todos tentam lhe dizer que não, pois seus “ghost” ainda vive nela. Sua humanidade se mantém intacta, é a explicação.

Em algum momento do filme os dois maiores conflitos vão se encontrar e há uma confusão enorme sobre o que seria o caminho certo a tomar. Aqui, me surpreendi com Major. Ela foi um pouco mais esperta do que os vários personagens que já vi como ela e, o desfecho e decisão daqueles ao redor dela também veio a calhar de forma positiva.

Existe uma grande reflexão aqui sobre o quanto um futuro evoluído pode ser ainda mais perigoso do que a “simplicidade” do mundo atual. Na era virtual, tudo parece estar mais suscetível a alteração e a manipulação. Alguém pode ser cerebralmente hackeado e perder completamente o controle sobre si, fazendo e dizendo coisas que não vai sequer se lembrar depois. A evolução é perigosa, e recebemos o recado aqui.

Há boas cenas de ação aqui envolvendo luta corporal e tiroteios. Não é um filme livre de violência, tenha isso em mente. Há conflito e conhecemos uma versão diferente dos nosso mundo e das pessoas que vivem nele. Os efeitos especiais estão bacanas, mas nada impressionante. Há uma espécie de “falha” ou falta de refinamento em várias coisas, que remetem a algo virtual ainda imperfeito e acho que super combina com a proposta do filme. Há falhas por todo o lugar.

Vi em Imax, mas não acho que seja necessário. Há boas cenas que se aplicam ao efeito, mas isso não deve comprometer a experiência de quem assistir em um cinema 2D ou 3D. Há uma “mecânica” na atuação de Johansson que deu uma incomodada, mas acredito que tenha a ver com o fato de ela “ser” mecânica. E, se esse é o intuito, ela fez muito bem. Há muitas cenas dela caminhando pra sinalizar isso. Minha em especial é uma logo no começo onde ela vai com Batou, membro da equipe da sessão 9, alimentar os cachorros que ele tem “amizade”. Os dois caminham lado a lado e ela é incrivelmente menor que ele, e mesmo assim, muito mais letal. Outra que está muito bem é Juliette Binoche, como a Dr. Ouelet, a mente por trás do projeto que trouxe Major a sua forma atual.

Ghost in the Shell não chega a apresentar uma história inovadora, mas se sustenta muito bem em seu mundo cyberpunk. É uma adaptação consistente a fim de satisfazer os fãs e entregar aos leigos algo compreensível e palpável, mesmo com a distância entre o mundo em que a história se passa e nossa realidade. Vale a pena conferir. Há boas cenas de ação e personagens ótimos como Major e Batou, meu preferido.

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A VIGILANTE DO AMANHÃ – GHOST IN THE SHELL

Diretor: Rupert Sanders

Elenco: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano e mais

Ano de lançamento: 2017

Num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi, conhecida como Major, é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

É a criadora e autora do Resenhando Sonhos.
Gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, hoje mora na capital Porto Alegre e quer conhecer o mundo.
Publicitária por formação, sonhadora por opção. É mal humorada e chata.