Voldemort: The Origins of the Heir (2018) – Crítica

Não há como negar que o universo mágico da série Harry Potter atraia fãs até os dias de hoje. Finalizada em 2011 (no cinema), a jornada do menino bruxo deixou para trás muita saudade e muitos fãs ávidos por saberem mais sobre o passado de alguns personagens. Foi assim que a produtora independente Tryangle Films anunciou a produção do filme não-oficial Voldemort: The Origns of the Heir, com a intenção de explorar o passado de Tom Riddle e “explicar” como ele se tornou o temido bruxo das trevas. A obra não tem qualquer ligação direta com J.K.Rowling ou Warner Bros, mas ganhou “sinal verde” para a produção pouco tempo depois que o projeto havia sido anunciado.

Com 52 minutos de duração, foi ao ar no Youtube no dia 14, às 18h. Até o momento sabe-se que é o vídeo mais visto na plataforma, tamanha prova de amor dos potterheads. Porém, é preciso dizer que a produção não apresenta muita coisa nova. Pelo contrário, ela reúne os fragmentos de histórias contidas no livro e, de forma contínua, remonta a caminhada do bruxo. Boa parte desses fragmentos foram retirados do livro O Enigma do Príncipe.

O filme traz a visão da bruxa Grisha McLaggen (Maddalena Orcali), uma herdeira legítima de Godric Griffindor que pretende encontrar o diário de Tom Riddle. Segundo ela, o diário pode conter pistas ou memórias sobre fraquezas de Riddle e assim servir de arma contra ele. Para isso, McLaggen vai até a Rússia, onde tenta invadir uma base operacional dos aurores soviéticos, mas é capturada e submetida a um interrogatório. A partir desse ponto a história começa a tomar forma e assim vamos conhecendo o seu passado na escola de bruxaria de Hogwarts, onde juntamente com outros dois bruxos, Lazarus Smith (Andrea Bonfanti) e Wiglaf Sigurdsson (Andrea Deanesi), se tornaram amigos de Tom Riddle. Os quatros correspondiam aos últimos herdeiros vivos – e conhecidos –  das quatro casas fundadoras, sendo Lazarus da casa Hufflepuf e Wiglaf da casa Ravenclaw. Riddle, como sabe-se, era o herdeiro da Slyterin.

Através das perguntas conduzidas pelo General Marakov (Alessio Dalla Costa) e das respostas dadas por Grisha, o público vai tomando conhecimento do passado sombrio de Riddle e de sua estranha obsessão pela artes das trevas. Desde muito cedo ele já ansiava por ser mais do que apenas um bruxo. Sua visão de futuro era ser o maior bruxo do mundo, não importasse como. Veremos então a evolução do vilão, de simples estudante para um ferrenho bruxo com sede de poder. Conforme a protagonista nos revela, o segredo para deter o que Tom se tornou pode estar em seu diário, já que ali é possível que haja memórias sobre suas principais fraquezas.

O enredo proposto para o filme é bem fiel no que se refere ao passado do personagem, como por exemplo, quando ele começou a trabalhar na loja de artefatos Borgin & Burkes, o seu misterioso sumiço por anos, os estranhos assassinatos que ocorreram com pessoas relacionadas às relíquias e/ou casas fundadoras, entre outros eventos que já conhecemos. O que o enredo peca é na forma como ele é apresentado ao público. Basicamente, esperava-se que o filme acompanhasse os passos com o próprio Riddle (como se fosse um filme solo), mas o que foi entregue é uma narrativa contada por uma “testemunha”, sem muita ação e/ou pontos de vistas diferentes. Logo, fica um pouco maçante acompanhar a trama por 50 minutos seguidos.

Em se tratando dos personagens, a atuação de ambos está muito boa. Cada um deles transparece uma personalidade própria, e ao meu ver, uma que se diferencia bastante é Wiglaf. Ele parece ser tão sombrio quanto o próprio Voldemort, porém, ao mesmo tempo, ele se parece muito com Dumbledore: consciente, perspicaz e observador. A personagem de Maddalena Orcali também tem um bom desempenho, convencendo de forma satisfatória a sua ambição de tentar deter o lorde das trevas, mesmo que isso custasse sua vida. De fato, uma verdadeira descendente da Grifinória.

Se formos julgar o filme por sua qualidade técnica, precisamos ser bastante justos. Comparado aos filmes comuns do cinema, há muitas coisas que poderiam ser melhoradas, desde cenário, caracterização dos personagens e até mesmo efeitos especiais. Porém, considerando que foi feito inteiramente por fãs de uma produtora independente, devemos bater palmas pela composição. Nesse sentido, a película se mostra mais do que digna de mérito, pois entrega o conteúdo de forma satisfatória para um filme “amador”. Há tantos outros filmes por aí independentes que não tem o mesmo nível de qualidade como este apresentou. Merece crédito também pela iniciativa de darem ao público a oportunidade de ver na tela uma nova extensão do universo da saga original. Quem sabe a Warner Bros não goste da ideia e decida produzir um filme oficial mesmo? Fica a dica.

O filme continua disponível no Youtube e pode ser assistido inteiramente de graça. Até o dia deste post, o filme já havia passado a marca dos 6 milhões de visualizações.

VOLDEMORT: THE ORIGINS OF THE HEIR

Diretor: Gianmaria Pezzato

Elenco: Stefano Rossi, Rorie Stockton, Davide Ellena

Ano de lançamento: 2018

Grisha McLaggen vai até a Rússia atrás de uma pista do diário perdido de Tom Riddle, onde segundo acredita há memórias sobre suas possíveis fraquezas e que poderá ajudá-la a impedi-lo de trazer as trevas novamente ao mundo. Quando tenta invadir a base dos aurores soviéticos, Grisha é capturada e submetida à interrogatório sobre suas ações e intenções. Grisha receia em revelar suas ações, mas a sua única chance de encontrar o diário de Tom Riddle, onde possivelmente há memórias de fraquezas que poderão ajudá-la a deter o lorde das trevas.

É colaborador do Resenhando Sonhos.
Catarinense, Publicitário formado pela UNOESC, apaixonado por sci-fi, distopias e suspense policial. Fã de Arquivo X e Supernatural, sonha um dia encontrar os aliens.