Volúpia de Veludo – Loretta Chase

Volúpia de Veludo é o terceiro livro da série As Modistas, da autora Loretta Chase. O lançamento é de 2017 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

Marcelline anda se sentindo meio indisposta, com enjoos matinais frequentes, e por isso pouco aparece na Maison Noirot. Sophia, após se apresentar à sociedade como uma rica viúva francesa para logo em seguida casar-se com Lorde Longmore, precisou sair de Londres com o marido, desta forma a sociedade não associa uma dama à outra e não envolve as modistas em mais um escândalo – nada saudável para os negócios, diga-se de passagem. Com as duas irmãs ausentes Leonie sente que é a única responsável pelo ateliê, e toma para si atividades que antes eram realizadas ou por Marcelline – a morena – ou por Sophia – a loira – mas que agora a mais jovem das três – e ruiva- é que precisa dar conta de realizar.

Então não basta somente ter que lidar com os números e contas do ateliê, e nem manter a organização de tudo – organização essa que beira um transtorno obsessivo compulsivo; Leonie precisa também escrever as matérias para o jornal matinal de Londres, resolver pequenas discussões entre as ajudantes do ateliê, cuidar da Sociedade das Costureiras para Educação de Mulheres Desafortunadas, além de pensar em maneiras de conseguir transformar Lady Gladys em uma mulher digna das melhores propostas de casamento.

“Ele queria bagunçar tudo, o cabelo dela, tudo. Queria que os livros de registro dela ficassem tortos, queria colocar os lápis no lugar das penas. Queria deixar o tinteiro sem a tampa. Queria varrer tudo o que estava na escrivaninha para o chão e deitá-la ali em cima…”

Leonie tem um lema de vida: os negócios em primeiro, segundo e terceiro lugar. Ela não tem tempo para envolvimentos amorosos, aliás, romance nem passa pela sua cabeça com tendência a calcular preços, medidas e frações. Então, quando o charmoso e conquistador Marquês de Lisburne retorna a Londres para resolver questões familiares, Leonie não se deixa abalar. Mas aí surge uma aposta, envolvendo um Botticelli e momentos dedicados unicamente ao prazer. Tudo pode acontecer a partir daí.


Minha Opinião

Volúpia de Veludo é o terceiro livro dessa série, e sua história inicia logo após o término do livro anterior.  Por isso é importante que antes de iniciar este livro o leitor já tenha lido os dois primeiros, porque embora cada obra fale sobre um casal diferente, estão todas ligadas de alguma maneira, e um livro sempre pega o gancho do outro. Por isso esta resenha contém spoilers de Sedução da Seda e Escândalo de Cetim, ambos já resenhados aqui para o blog.

Este terceiro volume segue a linha dos outros livros da série e coloca a modista na posição de usar suas melhores habilidades para resolver situações que parecem, a primeira vista, impossíveis de solucionar. Desta vez a mais nova das Noirots pega para si a responsabilidade de transformar radicalmente Lady Gladys, e essa é uma tarefa em que ninguém acredita, nem mesmo o primo da Lady, o Marquês de Lisburne. Isso porque Gladys não tem os atributos físicos que comumente agradam aos homens, ter sido criada por um pai militar e sem a presença de uma figura feminina reforça a ideia de que a jovem não é sensível e agradável o suficiente.

Mas uma das características de Leonie é justamente calcular as chances de fracasso e sucesso e a partir daí investir forças no que é garantido. E ela tem certeza que Gladys tem um lado maravilhoso para mostrar, por isso se transforma em uma espécie de fada madrinha e faz de tudo pela moça: cria vestidos magníficos que valorizam seus traços mais marcantes, oferece dicas sutis sobre como usar seu humor ácido e sua inteligência estratégica para mostrar a sociedade que é sim um ótimo partido.

“Dois metros disso e seis varas daquilo. Como medir o amor, ou o que o provoca? Você sabe como acontece. Aquele garotinho aborrecido… Cupido ou Eros, ou quem quer que seja. Ele lança sua flecha e você está perdido”.

Enquanto ajuda Gladys, Leonie vê a Sociedade das Costureiras entrar em um escândalo que coloca em risco a vida de todas as mulheres acolhidas pela Fundação. Ela não pode permitir que nada de ruim aconteça a essas mulheres, e nem que ameace a causa pela qual as irmãs Noirots batalharam tanto. Por isso Leonie usa seus contatos e cria uma estratégia para lidar com tudo. De maneira assertiva e maluca, como não poderia deixar de ser. Claro que ela tem a ajuda de Lisburne, já que o escândalo envolve principalmente seu amigo e protegido Lorde Swanton, o poeta.  Juntos, a modista e o lorde conquistador, precisam descobrir o que aconteceu de fato naquele teatro lotado e de que maneira tudo isso pode ser revertido.

Neste livro o romance entre os protagonistas acontece mais lentamente, como se fosse uma brincadeira de gato e rato. Leonie é muito racional e objetiva, e além de não encontrar tempo para se relacionar com homens ainda carrega o sentimento de que precisa tomar conta do negócio, já que suas irmãs, agora casadas, têm outras prioridades. Por outro lado Lisburne é um sedutor, e aos poucos vai encontrando maneiras de enfraquecer a armadura da modista. A principio o objetivo é apenas se divertir, já que o lorde está em Londres apenas temporariamente. Mas sabemos como se desenrolam as relações nos romances de época, pouco a pouco surge o sentimento e quando os dois percebem… Não há como não se envolver.

“Lisburne nãofazia parte dos murmúrios. Ficou emudecido e paralisado. O que acontecera a ele acontecera em seu interior, onde seu âmago parecia vibrar como as cordas de um violoncelo. Ela estava tão linda que ele poderia ter caído em lágrimas, era uma poesia viva. Fazia amor como poesia. E eles combinava como os versos de um poema perfeito. Não um de Swanton. Mas… de Byron”.

Acontece que o romance com Lisburne deixa Leonie em crise, pois ela sabe que a sociedade não está preparada para ver mais uma costureira se envolvendo com um partido da aristocracia. E mais que isso, pois não é só a questão do preconceito que a deixa angustiada, acontece que ela não se sente preparada para entregar o coração ao mesmo tempo em que abre mão do seu trabalho… Pois é isso que acontece com as mulheres que casam, certo? Elas precisam focar na relação com o marido, precisam pensar em construir uma família. Lidar com cálculos e negociação com fornecedores não está no pacote de atribuições matrimoniais.

Essa angústia, a dúvida sobre o que importa mais: trabalho ou amor, os questionamentos acerca de precisar cobrir a ausência das irmãs no negócio de família, ao mesmo tempo em que sente necessidade de se render aos desejos mais íntimos, foram alguns pontos que me agradaram neste livro. A transformação de Lisburne e de Lady Gladys também foram interessantes de acompanhar. Ele saindo do papel de libertino insensível e se reconhecendo enquanto homem apaixonado, poeta cheio de sensibilidade, correndo atrás do que queria sem tornar-se pegajoso, respeitando o tempo de Leonie; Gladys por sua vez desabrocha. Já tínhamos tido uma amostra do que seria essa personagem ainda no livro anterior, então foi legal acompanhar seu amadurecimento e o destaque que ganha na narrativa,  isso me cativou tanto que deixou uma vontade grande de que ela tivesse um livro só dela.

Entretanto, confesso que a fórmula da autora de colocar cada protagonista como responsável por mudar a vida de alguém, como se fossem todas fadas madrinhas de suas gatas borralheiras, acabou não funcionando muito bem neste volume. Na verdade não tenho certeza se não funcionou ou se acabou deixando a história com uma carinha de ‘de novo isso?’. Além disso, os clichês estão presentes, como em todo romance de época, mas aqui eles deixam uma sensação de cansaço e muitas vezes me peguei pensando que Volúpia de Veludo é o livro menos legal desta série.

Se for para comparar, chego a dizer que é menos divertido também, mas isso não significa que seja ruim. Minha dica? Não leia logo após ter terminado outro livro do gênero, e não crie expectativas exageradas. Deixe a leitura para aquele momento que tiver vontade de algo mais despretensioso, ok? E se prepare para ler sobre poesias nem tão boas assim.

VOLÚPIA DE VELUDO

Autor: Loretta Chase

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2017

Simon Fairfax, o fatalmente charmoso marquês de Lisburne, acaba de retornar relutantemente a Londres para cumprir uma obrigação familiar.
Ainda assim, ele arranja tempo para seduzir Leonie Noirot, sócia da Maison Noirot. Só que, para a modista, o refinado ateliê vem sempre em primeiro lugar, e ela está mais preocupada com a missão de transformar a deselegante prima do marquês em um lindo cisne do que com assuntos românticos.
Simon, porém, está tão obcecado em conquistá-la que não é capaz de apreciar a inteligência da moça, que tem um talento incrível para inventar curvas – e lucros. Ela resolve então ensinar-lhe uma lição propondo uma aposta que vai mudar a atitude dele de uma vez por todas. Ou será que a maior mudança da temporada acabará acontecendo dentro de Leonie?

Uma leitora frenética e inquieta, apaixonada por histórias fantásticas e com uma tendência a se deliciar com romances água com açúcar. Viciada em fotografias e gatos, é uma apreciadora das pequenas coisas e costuma ver beleza até onde não há.

  • Nathi

    Pela premissa parece ser um bom livro pra quem gosta do gênero Romance, o que não é muito a minha praia. Me sinto lendo sempre a mesma coisa ahahaha. Então, não seria um livro que eu leria, mas, quem sabe, futuramente?
    Gostei da parte que você disse que contém algumas poesias (não tão boas), mas acho que deve dar um toque mais legal à história.

  • Karina Rocha

    Já ouvi falar dessa série desse livro, porém nunca li. A ideia da mulher se casar e deixar tudo para trás para servir o marido, formar família, abandonar o trabalho, que no caso a Leonie gosta muito me dá uma raiva..rs..ainda bem que vivemos num mundo moderno, onde podemos seguir uma profissão independente de ser casada ou não.

  • Kristine Albuquerque

    Não tenho muitas experiências com romances de época, não é um gênero que curto muito. Pela premissa dessa série, sei que não seria uma possibilidade de leitura para mim, ao menos por enquanto. Mas parece ser uma boa pedida para quem ama esse gênero.

  • Natália Costa

    Oie! Não li nenhum livro desta série, mas não me interessei muito não.
    De qualquer forma sua resenha está ótima! :)

  • Thais M. Costa

    Nao sou muito de ler romances de epoca rs. A premissa pra quem gosta parece ser legal. A serie e interessante.

  • Gabriela Souza

    Oi! Como costumo dizer, romances, principalmente os de época, passam longe da minha zona de conforto. Por esse motivo não pretendo ler o livro. Mas, se eu o pegasse para ler, torceria para a protagonista não se deixar envolver por um cara que só ta se divertindo (mesmo que só no inicio hahaha). Mas, romance é romance, e todos nós sabemos o final. Beijos