A Criatura é do escritor Andrew Pyper. Ele foi lançado em 2019 pela DarkSide Books.

Sobre o livro

A Dra. Lily Dominick é psiquiatra forense e responsável por avaliar a sanidade de criminosos extremamente perigosos que atacam na cidade de Nova York. O que poucas pessoas sabem é que ela esconde muitos segredos no seu passado. Quando tinha apenas 6 anos e vivia no Alasca, em uma cabana isolada, sua mãe foi brutalmente assassinada. O que consta nos registros é um ataque de urso, mas para Lily tudo foi cometido por um monstro. Uma besta colossal, com asas negras e extremamente violenta.

“O que tornou sua versão dos fatos ainda mais inaceitável era que ela obviamente havia criado uma fantasia. Ela descreve a forma escura de um demônio curvado sobre o corpo de sua mãe, seguida pela aparição de uma criatura mágica que a levou nas costas até o bosque.”

Sua vida é solitária, sem família e com pouquíssimos amigos e relações. Ela vive para o trabalho e prefere esquecer o que aconteceu na sua infância. No entanto, tudo está prestes a mudar desde a chegada de um estranho homem. Ele cometeu um ato brutal e é encaminhado para ser atendido por ela, no mesmo instante, ele deixa claro que sua intenção era chegar perto de Lily, pois ele alega saber coisas sobre o seu passado.

É depois desse encontro que a vida da protagonista vira de ponta cabeça. Tudo o que ela pensava conhecer e todas suas tentativas de racionalizar o que aconteceu no passado caem por terra. Mas quem é esse homem tão peculiar e aterrorizante?


Minha opinião

O escritor Andrew Pyper é um dos meus preferidos. Desde que iniciei minha vida de leitora, há quase 18 anos, sempre preferi ler livros do gênero de terror. Desde essa época procuro algo que realmente me dê medo. Até conhecer Pyper, ainda não havia tido sucesso. Quando li O Demonologista foi a primeira vez que não consegui dormir. Sei que é um livro que possui muitas críticas e divide opiniões, mas está entre os meus preferidos e carrega o título de livro mais aterrorizante, pelo menos para mim. Já Os Condenados, outro livro do autor, não me causou tanto pavor, apesar de ter amado a história, com algumas ressalvas.

Por isso, quando vi A Criatura fui certa que amaria a história. Adoro quando o sobrenatural e a mente humana entram em conflito. Até que ponto é invenção da cabeça de uma criança que está vendo sua mãe ser brutalmente assassinada? Ou será que nosso mundo abriga seres grotescos que estão esperando nosso menor deslize para nos atacarem durante a noite? Perguntas e mais perguntas estavam na minha cabeça quando comecei a leitura. Na primeira revelação, logo nas primeiras páginas, pensei que o livro seria promissor, mas depois foi só ladeira abaixo. Eu entendi a ideia da homenagem, mas achei bem exagerada e até um pouco prepotente do autor tentar unir algumas histórias na sua trama.

O passado que envolve o assassinato da mãe de Lily é muito estranho e nebuloso. Não sabemos até que ponto podemos acreditar nas informações passadas por uma criança assustada e que foi criada de maneira isolada por uma mulher que não parava em nenhum lugar. Muitos fatos não batem e algumas pistas não foram devidamente investigadas pela polícia. Lily cresceu envolta em um mistério que nunca quis acreditar. Mesmos depois de adulta ela ainda se questiona sobre o que de fato viu. Procurando entender sua mente de criança para justificar algo desconhecido.

“Porque a diferença entre animais e pessoas é que animais não cometem assassinatos, eles caçam. Porque ela o viu.”

Quando conheci Lily pensei que ela seria uma personagem perturbada, mas que faz com que nos conectemos com ela. Seja por pena, curiosidade ou até por encontrarmos um pouco de nós mesmos nos seus devaneios. Entretanto, quanto mais a história avança, mais ficamos revoltados com suas escolhas, com seus pensamentos e com a forma como ela lida com uma situação tão perturbadora. Ela não desperta o nosso carisma e fica difícil torcer por ela. Existe uma evolução muito estranha na sua trajetória, relutando em aceitar certas situações enquanto parece pronta para outras tão diferentes. Achei muito conflitante a imagem que ela passa, de séria, centrada e inteligente, pois suas decisões são impulsivas e burras. Fora diversas informações sobre ela que pensei serem importantes, mas que no fim não levam a nada.

E quanto ao homem misterioso? Bem, sabemos que ele é perigoso só pelo ato horrendo que comete. Ele alega estar ali por Lily, tudo o que ele faz é para estar perto dela, parece saber muito sobre a sua vida e alega ter um presente para ela. Se seguisse pelo caminho de psicopata eu até aceitaria essa situação, mas é difícil aceitar um vilão tão conflitante quanto esse. Ele se perde nos seus alinhamentos.

“Controle. Lily considera esse o seu maior talento. Ela esteve nesta sala com homens que prometeram matá-la, confessaram atos indescritíveis entre acessos de riso, disseram coisas tão abjetas que ela teve que tomar um banho assim que saiu dali.”

Não vou negar que é interessante o que Pyper faz, mas para isso você precisa esquecer tudo o que o autor já escrever. Teremos mais fantasia que terror aqui. Falta seriedade e terror psicológico, aquele horror cru e visceral. Temos uma mistura de tudo que já é conhecido, mas foi tanta mistura, mas tanta mistura, que você ficará perdido com tantos seres mágicos e reviravoltas sem sentido. Talvez até gostasse mais se ainda não conhecesse o autor, se talvez fosse um conto e ele não tivesse a chance de inventar tantas coisas. Mas, como acreditar em algo tão surreal? Apenas as últimas 50 páginas me lembraram a sua escrita. De resto foi a maior mistura de seres fantásticos e sobrenaturais que já vi em um único livro de “terror”.

Seres mágicos existem? Como explicar a mente de uma criança que sofreu um terrível trauma? Tudo isso é real ou fruto da imaginação de uma criança fragilizada? Até quando podemos classificá-la como uma narradora confiável? Até hoje busco entender meus sentimentos com esse livro. A premissa é interessante, mas muitas vertentes foram exploradas aqui. O final foi terrível, me deixou chateada com o escritor. Se tudo fosse simplificado e organizado de uma maneira mais plausível, acredito que o autor teria maior sucesso. Poderia até continuar explorando o sobrenatural, mas sem extrapolar. O que senti aqui, foi que não parecia a escrita do mesmo autor que conheci. Ao invés de ser algo maduro, sombrio e que causa uma angústia no leitor, temos um conto de fadas com seres sobrenaturais, morte e sangue.

 

A CRIATURA

Autor: Andrew Pyper

Tradução: Cláudia Guimarães

Editora: DarkSide Books

Ano de publicação: 2019

Para dar vida à sua própria criatura, Pyper dissecou alguns dos monstros sagrados do século XIX. Mary Shelley, Robert Louis Stevenson e Bram Stoker viram personagens do livro e se inspiram num ser imortal e cruel para escreverem suas obras-primas góticas. Assim, os mitos de Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula ganham novas perspectivas e ficam tão assustadores como em suas origens. A Criatura é muito mais do que uma homenagem aos mestres do passado. Sua narrativa costura elementos de thriller policial e terror psicológico com forças sobrenaturais além de nossa compreensão. O mal se apresenta em diversas formas, e ele pode estar vigiando o seu lar neste exato momento. A história se inicia quando a dra. Lily Dominick, uma psiquiatra forense, precisa avaliar a sanidade de um criminoso. Só que este não é o típico psicopata com quem ela está acostumada a lidar. Há algo diferente neste homem. Algo mágico, sinistro e íntimo, que, de alguma maneira, parece conectado com sua infância, no Alasca. Quando tinha apenas seis anos, sua mãe morreu de forma brutal e misteriosa. Ao contrário do que concluiu a polícia na época, ela sabe que o responsável não foi um urso faminto. Entre lembranças imprecisas e pesadelos constantes, Lily esconde uma certeza: quem matou sua mãe foi… um monstro real.

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