A Garota que Bebeu a Lua é um infantojuvenil da autora Kelly Barnhill publicado em 2018 pelo selo Garela da editora Record.

SOBRE O LIVRO

Reza a lenda no Protetorado, uma pequena cidade no meio da floresta protegida por muros de pedras, que se você deixar a criança mais nova da aldeia toda virada de ano como oferenda para a bruxa, ela vai lhes deixar em paz, livre de toda tristeza. Acontece que Xen é uma bruxa boa, que vive tranquila em sua cabana com seu pequeno dragão e seu monstro do pântano, e ela jamais entendeu porque os humanos deixam um bebê inocente a mercê dos perigos da floresta, aliás ela nunca entendeu porque os humanos fazem o que fazem. Sendo assim, ela jamais permitiu que uma criança fosse deixada a sua própria sorte.

“Deixaram a menina ali sabendo que certamente não existia bruxa alguma. Nunca existiu uma bruxa. Havia apenas a floresta perigosa e uma única estrada e um controle tênue de uma vida da qual os Anciãos gozaram por gerações. A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes. Era terrivelmente conveniente para um governo livre e desimpedido dos Anciãos. Era desagradável também, mas isso não poderia ser evitado.”

Quando uma nova criança é abandonada, Xen começa sua longa jornada, até que a criança chora de fome, e é quando ela coleta a luz da lua para alimentar o bebê faminto. E só depois de a criança dormir, após tanto comer ela percebe que acabou dando à ela o brilho da lua. E como seu antigo protetor lhe ensinou, a criança que bebe da lua é como ter uma espada em suas mãos, um grande poder para quem não tem capacidade de manipular.

Agora, sem escolha alguma, a velha bruxa Xen terá que cuidar dessa criança que por acidente foi embruxada.


MINHA OPINIÃO

Muito mais que um livro infantil sobre uma bruxinha, A Garota que Bebeu a Lua vai trazer à nossa bagagem como leitor personagens honestos, corajosos, amáveis, humildes, alguns com um pouco de maldade no coração, mas todos únicos e especiais a sua maneira. Antain, agora um homem que sabe que seu filho será o próximo a ser deixado para o sacrifício do Protetorado, mas que quando era apenas um menino foi obrigado a assistir a um dos sacrifícios, luta pela felicidade da sua família; A louca, uma mulher que vive no alto de uma torre, que simplesmente perdeu as estribeiras depois que sua filha foi arrancada de seus braços quando apenas um bebê; Xen, uma bruxa que não entende as manias dos seres humanos e que jamais deixou uma criança sozinha, sem amor e sem família na floresta.

Não há nesta história personagens secundários. Todos eles são importantes, não somente nossa Luna, que recebe o título do livro, uma criança que só quer brincar e não tem noção alguma do poder que carrega dentro de si. Mas que quanto mais se aproxima de seu aniversário de 13 anos, mais descobertas vai tendo. Assim como também a irmã Inagtia, a responsável pela torre e por ensinar os jovens sobre a vida, até nosso enorme monstro do pântano Glerk e o dragãozinho perfeitamente minúsculo Fyrian, formando um belo par de irmãos, que só encantam com seus corações enormes que chegam a transbordar nas emoções durante a leitura.

“Eu sei, meu querido Fyrian. O que sei é que estou aqui com você. Sei que as lacunas do nosso conhecimento logo serão reveladas. e que isso é muito bom. Sei que você é meu amigo, e que eu vou ficar a seu lado em todas as transições e desafios. Não importa o quanto… – Fyrian, de repente, dobrou de tamanho e seu peso aumentou tanto que suas pernas não aguentaram e ele caiu com um tremor estrondoso. – Hum. Não importa o quanto seja indelicado – terminou Glerk.”

É sempre fantástico ler um livro infantil e voltar a ver as coisas com a inocência de uma criança. E essa simplicidade de escrita, os ensinamentos que o livro traz sobre amar o próximo, sobre ser corajoso e digno, acreditar e ir atrás do que se quer, são características que prezo muito em histórias infantis, e não foi a toa que Kelly Barnhill ganhou a medalha John Newbery (um prêmio literário, que existe desde 1922, para autor que mais se difere à contribuição da literatura infantil ) com A Garota que bebeu a Lua, pois com certeza este é um livro que se encaixa perfeitamente.

É impossível pegar este livro e não se apaixonar pelo trabalho lindo que a editora fez na capa. Contendo várias características importantes da história, a capa está realmente maravilhosa. Assim como o enredo, que nada mais é que um jornada de todos os personagens citados, que em determinado momento têm seus caminhos interligados, mas que até lá acompanharemos uma trajetória de suspense, aventura e tensão. Um livro repleto de sentimentos e, portanto, merece muito ser lido.

A GAROTA QUE BEBEU A LUA

Autor: Kelly Barnhill

Tradução: Natalie Gerhardt

Editora: Record

Ano de publicação: 2018

Uma fábula sobre aceitação, amor, amadurecimento e o poder da memória. Da autora de O filho da feiticeira, considerado o Livro do Ano pelo Washington Post Todo ano o povo do Protetorado deixa um bebê como oferenda para a Bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade protegida pelos muros e pela Torre das Irmãs da Guarda. Mas, Xan, a Bruxa na floresta, ao contrário do que eles acreditam, é bondosa. Ela vive em paz com um Monstro do Pântano muito inteligente e um Dragão Perfeitamente Minúsculo. Todo ano ela resgata o bebê deixado pelos Anciãos e o leva em segurança para uma família adotiva em uma das Cidades Livres do outro lado da floresta. Durante a longa viagem, quando a comida acaba, Xan alimenta os bebês com luz estelar. Em uma dessas ocasiões ela acidentalmente oferece a um deles a luz do luar, dotando a menininha de uma magia extraordinária. A bruxa então decide criar a menina “embruxada”, a quem chama de Luna. Conforme o aniversário de treze anos da menina se aproxima, sua magia começa a aflorar – e pode colocar em perigo a própria Luna e todos à sua volta.

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