Este clássico de Robert Louis Stevenson, mesmo autor de O Médico e o Monstro, tem edição pela Principis em 2019.

Sobre o Livro

Um jovem inglês chamado Jim Hawkins conhece um homem um tanto peculiar. Na taverna onde prestava serviços, este homem, conhecido como Billy Jones ou o velho lobo do mar, era curioso e misterioso.

Após um conflito na taverna, Jim descobre um dos segredos de Billy Jones: um mapa do tesouro. Este mapa levaria a uma ilha onde estava demarcado com um X a localização para desenterrar um tesouro desconhecido.

“Quinze homens sobre o baú do defunto
Iô-ho-ho e uma garrafa de rum!
A bebida e o diabo já cuidaram do resto
Beba, e o diabo já cuidou do resto
Iô-ho-ho e uma garrafa de rum!”

Mas Jim não é o único a saber deste mapa e logo interesses começam a se misturar com a ajuda que Jim recebe para montar uma tripulação rumo à Ilha do Tesouro.

Minha Opinião

A sinopse é muito simplista e prometedora de aventuras. Robert Louis inaugura a narrativa romancista sobre a pirataria do século XVIII e XIX. Este livro inspirou grandes obras de hoje em dia como as adaptações deste livro, de muitos outros livros que envolviam piratas e também inspirando obras do cinema como Peter Pan e até Piratas do Caribe. Isto por que Stevenson criou um personagem único caracterizando o que conhecemos hoje como um bom e velho pirata das histórias: um chapéu, tapa-olho e perna de pau.

Essa obra foi muito importante para iniciar a romantização da pirataria. Mesmo que a pirataria sempre foi algo bárbaro e selvagem, a romantização fez com que entendêssemos mais sobre a mitologia envolta do temor dos piratas nos mares do Atlântico e seus desejos ambiciosos por ouro e jóias.

“O médico abriu os selos com muito cuidado e ali surgiu o mapa de uma ilha, com latitude e longitude, sondagens, nomes dos montes e baías e enseadas e cada detalhe que seria necessário para levar um navio até um ancoradouro seguro em sua costa.”

A história me prometia ser um livro de grandes aventuras. Quando comecei a ler me senti que estava lendo um livro de adaptação dos Piratas do Caribe, pela tamanha semelhança entre algumas frases e canções cantadas pelos navegantes. A mitologia também é presente mas não tanto explorada. O autor cita um dos maiores temores dos mares: Davy Jones.

Sendo um fã desta mitologia mesmo conhecendo pouco, eu achei que este livro seria uma das melhores leituras que já fiz. Infelizmente não foi assim.

“Adeus para o Hispaniola; adeus para o fidalgo, para o médico e para o capitão! Nada sobraria para mim que não fosse a morte por inanição, ou a morte pelas mãos dos amotinados.”

Achei que o livro entregaria uma aventura na busca pelo tesouro. Na verdade, a maior parte do livro se dedica aos conflitos entre os personagens antes de se buscar o tesouro. Isso tornou algo menos aventuresco como pensava. E como se não bastava, senti os personagens sem carisma, faltando personalidades únicas para eles. Pensava que encontraria um livro como o escrito por Júlio Verne: uma aventura com humor, personagens carismáticos e engraçados e até uma história marcante.

Quando li Volta ao Mundo em 80 Dias, me deparei com uma série de personagens cativantes, únicos e personificados. Neste livro, com excessão do capitão Smollett no qual inspirou a imagem de um pirata, não encontrei elementos que me cativavam e me faziam gostar do que estava lendo.

Se o livro tivesse se dedicado mais nas aventuras que aconteceriam conforme eles se aproximassem do tesouro, então talvez o livro se saísse bem mais cativante apesar de ser algo que estivéssemos esperando pelo que condiz na sinopse. Mas repito: o livro em si não aborda a aventura até o tesouro. Durante quase todo o livro acompanhamos uma série de desventuras entre a tripulação antes de fato começarem a buscarem pelo tesouro.

Apesar de ter tido esta pequena decepção, não me arrependi de ter lido este livro. Ao contrário: pude conhecer finalmente a primeira obra a tratar sobre uma temática ainda pouco discutida; a da pirataria e da mitologia que os tripulantes criavam ao longo dos séculos de exploração. Além disso a escrita do autor é a mesma que autores como Júlio Verne: nem um pouco descritivas exageradamente quanto mais cansativas e maçantes.

Sem dúvida se você quiser entender por onde se basearam as inspirações para os filmes dos Piratas do Caribe e Peter Pan, comece lendo este livro. Vai ficar surpreso pela tamanha semelhança com algumas coisas.

A ILHA DO TESOURO

Autor: Robert Louis Stevenson

Tradução: Monique D’Orazio

Editora: Principis

Ano de publicação: 2019

A vida de Jim Hawkins nunca mais será a mesma depois de conhecer Billy Jones. O velho lobo do mar possui um mapa que mostra o local onde está escondido um tesouro de pirata. Agora o mapa está com Jim e ele parte em uma expedição sem imaginar o que o aguarda – seja navegando pelo mar ou em terra firme.

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