Lançado originalmente em 1973, A Princesa Prometida é um romance épico escrito – ou editado – por William Goldman e lançado no Brasil pela editora Intrínseca em 2018.

Sobre o Livro

A Princesa Prometida” acompanha a jovem Buttercup, que é diferente das demais moças de seu vilarejo. Sendo a mulher mais linda do mundo, mas que está muito mais preocupada em correr a cavalo pela propriedade de sua família, Buttercup convive diariamente com o garoto da fazenda, um menino que trabalha para seus pais desde que ela era criança. Porém, tudo muda para os dois quando Buttercup percebe que ama perdidamente esse garoto, cujo nome ela finalmente descobre ser Westley. Profundamente apaixonados, o jovem casal precisa lidar com uma separação quando Westley avisa a Buttercup que irá partir em uma viagem que pode lhe garantir a herança de um parente distante, mas que ele irá fazer de tudo para voltar o mais rápido para ela. Sob juras de amor eterno, Buttercup se despede do seu amado e aguarda ansiosa o seu retorno, até que… Bom, ele não volta.

“Quem pode saber quando seu mundo está prestes a mudar? Quem pode dizer, previamente, que todas as experiências anteriores, todos os anos, foram uma preparação para…nada. Imagine o seguinte: um velho semianalfabeto lutando contra uma língua inimiga, um garoto praticamente exaurido lutando contra o sono. E nada entre eles além de palavras de outro forasteiro, penosamente traduzidas de sons nativos estrangeiros. Quem poderia imaginar que na manhã seguinte despertaria um novo Billy?”

Buttercup recebe a notícia de que Westley morreu em um ataque do pior pirata de todos os mares. Arrasada, ela promete nunca mais amar ninguém. Mas então, um príncipe bate em sua porta e um mundo de sequestros, homens de preto, tentativas de assassinato, lutas de espadas e milagres abre-se para a jovem e os leitores que a acompanham. Bom, pelo menos é isso que o livro promete, certo? Ou errado? Afinal, como e por que o príncipe chegou até Buttercup?  E por que uma jovem criada numa fazenda seria vítima de tentativas de sequestro? Quem é o misterioso homem de preto? Por que o pior pirata dos mares mataria Westley? Quem está tentando assassinar Buttercup? Westley realmente está morto? Isso é uma história real ou uma grande piada? Bom, é isso que William Goldman quer que os leitores descubram.


Minha Opinião

William Goldman é um frustrado escritor de meia idade que reencontra seu livro favorito da infância, um romance fantástico intitulado “A Princesa Prometida”. William era uma criança que não apreciava a leitura até que ele tem uma crise de pneumonia e passa um mês inteiro de cama. É durante seu período de recuperação que seu pai lê “A Princesa Prometida” para ele pela primeira vez e tudo muda. Então, quando reencontra o seu livro favorito já em idade adulta, ele decide que é hora de seu filho conhecer essa história.

Só tem um problema: Morgenstern, o autor original da obra, fez 1500 páginas de uma história que, nas palavras de William, são extremamente desnecessárias. E é nesse momento que Goldman descobre que o seu pai, quando narrou o livro para ele, cortou todas as partes ruins e deixou apenas as partes boas. E é decidido a fazer com que “A Princesa Prometida” alcance mais leitores, que William Goldman opta por fazer um corte próprio na obra e edita a história do romance para que mais pessoas a conheçam.

A Princesa Prometida” é provavelmente a história mais diferente e genial que já li. E afirmo isso sem hesitação e sem medo de soar exagerada. De uma forma simples e divertida, o romance de William Goldman consegue ser uma homenagem aos clássicos épicos – com suas donzelas em perigo, heróis impossíveis, grandiosos duelos de espadas e bruxas e feiticeiros que ora impedem e ora ajudam o “amor verdadeiro” a se concretizar – ao mesmo tempo que também é uma grande sátira desses mesmos romances heroicos. Mesclando clichês de trama com personagens típicos de tais romances, A Princesa Prometida é divertido, encantador e único de uma forma que nenhum livro que já li foi. Para começar, a história é constantemente interrompida pelo editor, William Goldman. Logo no começo, ele apresenta a sua trajetória com o livro e diz que sua intenção é contar a história dessa obra que ele escutou na infância, mas colocando apenas as partes empolgantes, pois o original teria cenas descritivas demais e que levariam o leitor a cair no sono. Então, tomando liberdade para meter-se na leitura, Goldman conta a história de Buttercup e Westley, ao mesmo tempo que interrompe a leitura para contar sua própria história e dizer o porquê de ter tirado alguma cena ou o que ele gostou ou não naquele momento. Ele até mesmo conta spoilers para você!

“Ou Morgenstern falava sério, ou não. Ou quem sabe estava falando sério algumas vezes e em outras, não. Mas ele nunca revelava quando estava falando sério.”

Toda a sua narração pessoal é feita para ressaltar o tom satírico do romance, é nas partes dele que estão em destaque os clichês da trama e ele não esconde que está fazendo isso de propósito. Comentários com alto teor de “sim, você sabe que esse personagem não vai morrer porque ele é o principal” ou “não, você não vai acreditar, mas fulano vai morrer sim porque a vida não é justa” marcam as partes principais das interrupções dele, assim como ele também comenta sobre a sua própria experiência com a obra, de modo que além de irônico o ponto de vista dele também apresenta uma discussão bem divertida e leve sobre o papel da leitura e como livros marcam o nosso crescimento.

E claro, além da parte do “editor”, “A Princesa Prometida” possui a sua própria trama, com Buttercup, Westley, Inigo Montoya e Fezzik, personagens que encarnam os estereótipos dos romances épicos, ao mesmo tempo que subvertem esses mesmos arquétipos clássicos. Buttercup é a donzela em perigo; linda, destinada a ser uma rainha, mas cuja a resolução é jamais amar ninguém depois da morte do seu grande amor e é a sua fidelidade a palavra que leva sua trama até o final épico típico dessas narrativas. Westley é o herói clássico; nascido pobre e tentando ganhar o mundo, ele desaparece da trama numa tragédia, mas a marca de seu amor por Buttercup acompanha a trama até os momentos finais.

Inigo Montoya é o personagem em busca de vingança, mestre (ou bruxo) dos duelos de espada, ele cruza o mundo em busca da sua chance de vingar a morte de seu pai e derrotar o esgrimista de seis dedos e é nos planos de sequestro e assassinato de Buttercup que ele encontra a chance de realizar sua vingança. Fezzik é o gigante atrapalhado; mas seu coração e sua paixão por rimas levam ele a defender aqueles em quem ele confia.

“Olá. Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepara-se para morrer.”

Personagens tão clássicos e com tramas tão clichês talvez fossem incapazes de conquistar um leitor que já conhece o destino de uma história épica e fantástica como essa, contudo, é justamente o clichê e sua familiaridade que torna esses personagens tão especiais para quem os conhece. Mesmo sabendo seus destinos – e mesmo com o editor o tempo todo brincando com isso, afirmando que certas ações eram obvias de acontecer na narrativa deles – os personagens ainda conseguem prender a nossa atenção e é por meio da familiaridade da história que chegamos até o final do livro junto deles.

A questão da familiaridade é um tópico importante. “A Princesa Prometida” não traz uma trama nova e o seu editor o tempo todo frisa isso. Contudo, a familiaridade do destino, das ações, dos enlaces… é isso que torna a história tão especial e é justamente a obviedade que faz da sátira algo tão engraçado. Os personagens não são profundos, o amor é instantâneo e daqueles que “vai durar para sempre”, o vilão com certeza – ou não – será derrotado. E é saber de tudo isso que faz desse livro algo tão genial e único.

A beleza dele está no humor com que essa história clássica é apresentada e no conforto que sentimos quando estamos empolgados com algo que já sabemos como vai acabar. E é meio engraçado pensar que uma história tão “batida” consiga o efeito de genialidade, mas “A Princesa Prometida” alcança isso. Parte desse sucesso deve-se a escolha do tom irônico para fazer a história e parte também se deve ao fato de que, por mais que reclamemos constantemente da falta de novidades em livros, um plot clássico ainda é um plot clássico e ele se tornou assim por uma razão, certo? A razão é que era (e ainda é) bom.

 “Vivi toda a minha vida com a única esperança de que em algum alvorecer, quem sabe, você olhasse para mim. Não me lembro de um único momento, em anos, que sua presença não fizesse me coração disparar. Não me lembro de ir me deitar sem que sua imagem me viesse à cabeça. Não houve uma manhã sequer em que você não foi a primeira coisa que vi ao acorda… Está entendendo ao menos em parte o que digo, Buttercup, ou prefere que eu continue?”

Aliás, é importante ressaltar que “A Princesa Prometida” é uma história muito mais conhecida por sua versão para os cinemas. O filme de 1987 se tornou um ícone da cultura pop, ganhando referencias em series como The Big Bang Theoy e How I Met Your Mother. O filme também é um clássico dos cinemas, e a razão é a mesma do livro: com um roteiro fiel ao da obra – frases épicas repetidas nas cenas épicas – o filme é engraçado e familiar, do tipo que encanta qualquer pessoa que o assiste. Mesmo hoje, anos depois e com as falhas que o tempo faz surgir em obras cinematográficas que foram produzidas há tanto tempo, a adaptação ainda é incrível, é um entretenimento daqueles que faz o espectador ficar feliz, engajado e satisfeito. E é essa a intenção por trás da obra – seja o filme ou o livro -: zombar dos clichês e ao mesmo tempo usa-los para encantar você.

A Princesa Prometida” não é uma história inédita, mas é única. Irônica, engraçada e como uma grande sátira das histórias de cavaleiros e princesas, o livro é uma grande homenagem aos clássicos épicos, reunindo tudo aquilo que essas histórias típicas sempre prometerem e subvertendo esses elementos para tirar sarro deles. É uma narrativa fluida, leve e encantadora, genial em sua simplicidade e familiaridade e com uma proposta que faz a gente lembrar o porquê de certos tipos de história serem tão especiais mesmo quando já a vimos (ou lemos) tantas vezes. Se você gosta de romances fantásticos, narrativas épicas, duelos, romances e uma história que seja leve e empolgante, A Princesa Prometida é o livro certo para a sua escolha.

A PRINCESA PROMETIDA

Autor: William Goldman

Tradução: Alice Mello

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2018

Clássico que deu origem ao filme cult dos anos 1980 e que inspira referências pops até hoje, passando por The Big Bang Theory, Shrek e Gilmore Girls. Buttercup é uma camponesa que se apaixona perdidamente por Westley, o jovem humilde que trabalha na fazenda do pai dela. Juntos, eles descobrem o amor verdadeiro, mas um trágico acidente envolvendo um navio pirata os separa. Em poucos anos, Buttercup se torna a mulher mais bonita de todos os reinos e acaba sendo pedida em casamento pelo sádico príncipe Humperdinck. Mas nada, nem um poderoso príncipe amante da caça, é capaz de separar esse amor, e o destemido Westley volta para resgatar sua princesa que foi prometida a outro. Em uma paródia aos épicos clássicos, William Goldman escreve um divertido romance com direito a tudo que o gênero tem a oferecer: piratas, duelo de esgrima, traições, tramas políticas da realeza e um romance apaixonante. Esta edição de luxo em capa dura traz os textos extras que William Goldman escreveu para as edições comemorativas de 25 e 30 anos da obra original — que misturam ficção e realidade e ajudam a compor o universo emblemático que transformou a obra em um fenômeno.

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