A Prometida é o novo e aguardado lançamento que marca o retorno da querida autora Kiera Cass, a mente por detrás de A Seleção e A Sereia. O livro chegou agora em 2020 nas livrarias do mundo todo e aqui no Brasil foi lançamento da Editora Seguinte.

Sobre o Livro

A história acompanha a pertencente da corte do reino de Coroa, Lady Hollis Brite, que desde muito cedo teve uma educação muito regrada e severa, possuindo serventia em sua vida no momento em que a historia é contada, já que vive no castelo junto a toda corte e o rei. Logo no início da história percebemos que Hollis é o assunto de todo o reino e isso porque é o alvo de admiração do Rei Jameson e ela só consegue passar por tudo isso tranquila por conta da companhia de sua melhor amiga e incentivadora, a dama de companhia Delia Grace.   

Coroa é um reino que divide fronteira com Isolte, que diferentemente da atual casa de Hollis está sob o governo de um rei cruel e de uma rainha fria e calculista. A vida de Hollis muda completamente com a chegada da família Eastoffe, que anteriormente era parte da elite de Isolte mas procura abrigo em Coroa para fugir da crueldade de seu rei e da corte.

“É prudente saber exatamente em quem confiar.”

Hollis então conhece o primogênito da família, Silas Eastoffe, que quase instantaneamente acaba apagando o interesse da Lady pelo Rei e inesperadamente a moça se divide pela ideia de viver um romance com o rei ou construir sua vida com um refugiado, assim como conhecer melhor a si mesma e o que ela gostaria de deixar como legado para sua história.

Dividida entre o glamour que a vida como rainha traria e a simplicidade que seu coração deseja, Hollis ainda é submetida a conhecer o Rei, a Rainha e a Corte Isoltana, que ressalta ainda mais aos seus olhos a ideia de que o mundo da realeza bem mais do que vestidos e festas e pode cobrar um preço muito grande. Divida então, ela se vê em uma encruzilhada sendo forçada a tomar uma decisão que traria impacto para ela, família e até mesmo para o reino que não espera nada mais do que a perfeição da sua possível futura rainha.


Minha Opinião

A Prometida não faz parte da série A Seleção, mas segue no mesmo estilo de acompanhar em primeira pessoa a história, permitindo com que enxerguemos a cabeça da personagem e assim as decisões e vivencias a partir dela.

Algo que me fez querer ler essa história foi o quanto eu gostei da escrita e da construção que Kiera Cass tinha apresentado ao mundo com sua primeira série A Seleção. Mas logo de início eu já sabia que seria uma história completamente diferente, até me animei com o que poderia encontrar, mas a animação não durou muito.

A escrita da autora continua perfeita, a história é sim fluida e nos conquista com rapidez assim como nas histórias anteriores. A diferença aqui é que a história além de rápida é extremamente superficial, muito rasa para realmente permanecer em nossa cabeça como foi com A Seleção. Os personagens são construídos de maneira muito “perfeitos” o que acaba não trazendo nada de impactante em suas personalidades ou em seus atos.

Isso é algo que eu já prontamente pontuo como negativo, pois ela entrega uma protagonista extremamente submissa e até mesmo fútil, que aceita sua realidade, se conforma e só reage às circunstancias; um Rei um tanto machista (mesmo que na tentativa de um processo de mudança), que se mostra realmente interessado em sua pretendente e que pouco a pouco conquista seu coração e por fim, um plebeu sem graça e sem personalidade, que mesmo não fazendo nenhum ato grandioso ou especial, nem mesmo uma troca de palavras inicialmente, conquista a Lady e não sai da cabeça dela por nada.

Eu sei que o amor à primeira vista é algo muito recorrente para as histórias de romance, mas não me convence mais que, instantaneamente você olhar para alguém te faz querer só pensar nessa pessoa, se tornar melhor amiga da família e defende os ideias que antes você nem fazia ideia que tinha.

“A posse mais valiosa que se pode ter é a garantia de um lugar no coração de alguém.”

Estamos falando de um romance de época, de coroa, de corte, de damas de companhia e cavalheiros, danças, festivais e festas, mas o que encontramos mesmo são personagens com pensamentos, atitudes e ideias muito atuais e muito futurista para a época da história, o que facilmente confunde o leitor. Pouco da época retratada realmente é descrita na história, e acaba que fica mais um “conto de fadas” do que uma história de época.

A impressão que eu tinha era de que depois de entregar um romance e uma história tão forte como temos em A Seleção e até mesmo suas sequencias em A Herdeira e A Coroa eu esperava bem mais do que encontrei aqui. Um triangulo amoroso não faz mais sentido para se apoiar e muito menos faz sentido você utilizar a confusão de uma moça em escolher com qual homem ela vai se relacionar para mostrar a luta das mulheres por realmente terem voz, lutar pelos seus ideais e sonhos. Fora que fazer duas mulheres “disputarem” por um cara e os privilégios de se estar ao lado dele, também não fez nenhum sentido nessa história pra mim.

Além disso tudo, é triste imaginar que a autora tinha tanta coisa para trabalhar como: questões políticas, família, amizade, machismo, misógina entre outras e que ela sabe trabalhar tão bem, mas acaba por entregar depois de anos e de mais de 340 páginas, uma história que não temos muito o que falar além do “plot” final e da raiva que esse livro causa… É reviçarão de olho atrás de surto.

Falando em plot, essa foi realmente a única surpresa que eu tive com essa história. Enquanto todos os outros aspectos são previsíveis, o gancho final que a autora deixou para a continuação é o que me chocou, me surpreendeu e eu finalizei a leitura de queixo caído pensando: O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO MOÇA?

Eu identifiquei muita referência nos momentos finas da história com a história de Rute, que faz parte da crença religiosa da autora, e eu realmente não estava esperando, mas foi super positivo para mim. Talvez um dos poucos pontos positivos da história em si. Eu prevejo um matriarcado no futuro desse enredo, uma tomada de posição mais firme e uma quebra da passividade e apatia na personalidade da Hollis, isso sim me deixa um pouco mais empolgado para as possíveis continuações.  

No final eu chego à conclusão que o real problema em A Prometida é que eu esperei muito da autora por conta de suas outras histórias. Os personagens não tem profundidade ou personalidade como Maxon ou America, a história não tem impacto como a de A Sereia, mas afinal é um nova história e ela quando chega nos seus momentos finais até que se torna interessante. Mas é aquilo né: ela faz a expectativa dela.

“Existia uma linguagem nas nossas roupas, nas nossas escolhas, uma linguagem que os outros podiam escolher ouvir ou ignorar.”

Esse é um livro que marca o retorno de uma grande autora com uma legião de fãs, uma escrita muito boa de se ler, e é só por isso que eu acredito que valha a pena a leitura. Eu tenho certeza de que vou ler a continuação (ou as continuações), mas isso não vai ser com todos que entrarem em contato com ela. Mas para isso você precisa ler. Então leia, tire suas conclusões, decida continuar ou venha aqui surtar comigo também…

A PROMETIDA

Autor: Kiera Cass

Tradução: Cristiane Clemente

Editora: Seguinte

Ano de publicação: 2020

Quando o rei Jameson se declara para a Lady Hollis Brite, ela fica radiante. Afinal, a jovem cresceu no castelo de Keresken, competindo com as outras damas da nobreza pela atenção do rei, e agora finalmente poderá provar seu valor.
Cheia de ideias e opiniões, logo Hollis percebe que, por mais que os sentimentos de Jameson sejam verdadeiros, estar ao seu lado a transformaria num simples enfeite. Tudo fica ainda mais confuso quando ela conhece Silas, um estrangeiro que parece enxergá-la ― e aceitá-la ― como realmente é. Só que seguir seu coração significaria decepcionar todos à sua volta…
Hollis está diante de uma encruzilhada ― qual caminho levará ao seu final feliz?

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