Lançado em 2020 na plataforma da Netflix, Anne Frank: Vidas Paralelas é um documentário em homenagem aos 90 anos que a figura histórica de Anne teria completado caso não tivesse sido vítima dos horrores do holocausto.

Dirigido por Anna Migotto e Sabina Fedelli e com narração de Helen Mirren, o documentário apresenta as passagens do diário de Anne mesclando-os com narrações sobre o que aconteceu com ela e sua família e ainda exibe depoimentos de outras cinco mulheres que sobreviveram ao Holocausto e estão presentes para contribuir ao relato de memória.

A história do Diário de Anne Frank talvez seja uma das mais conhecidas em todo o mundo, dada a quantidade de traduções que o livro de Anne alcançou em diversos países, bem como suas numerosas vendas. Lembro de ter lido o diário ainda muito nova e ter visto em Anne alguém com a qual os pensamentos e medos batiam com os meus, também uma criança e pré-adolescente na época. Toda a memória afetiva que tenho com a jornada de ler o diário reacendeu com força quando vi o anúncio do documentário e comecei a assistir. Ao esperar uma homenagem a Anne, recebi com uma grata e emocionante surpresa a presença de mais relatos vindos de mulheres que passaram por aquilo. Não era o que eu esperava, mas certamente era algo necessário e arrepiante de assistir.

Ao escolher relatar a história de Anne junto da história de crianças que foram capturas e presas durante a mesma época, o documentário acerta em cheio o objetivo de ser uma memória, um meio para garantir que os horrores do holocausto não sejam esquecidos pelas gerações que nascem quando as gerações dos sobreviventes estão partindo. A força das narrações das passagens do diário de Anne não apena contribuíram para que a descrição do que aconteceu com ela se tornassem mais forte, mas fez com que as histórias das demais vítimas também se tornassem reais, tangíveis e desoladoras. A cada novo relato, com as sobreviventes já idosas ao lado de netos e bisnetos, fica nítida a mensagem que cada uma delas, bem como as diretoras do documentário, querem transmitir: é preciso que essas histórias sejam contadas, para que isso jamais seja esquecido.

Esse objetivo fica ainda mais explicito pelo recurso que o documentário usa de misturar as narrações de Helen Mirrer e os depoimentos com a presença de uma menina adolescente que está percorrendo o caminho dos memoriais do Holocausto. Colocando-a em contato direto com o diário, o objetivo do recurso é evidenciar o quanto é necessário que os jovens mantenham essas histórias vivas, presentes e que tais memórias sirvam para que algo como o holocausto nunca mais aconteça.

Apesar de compreender o objetivo prático por trás do recurso mais moderno e coreografado de inserir a jovem adolescente nos pontos de homenagem às vítimas, acredito que esse tenha sido o recurso menos apreciado por mim durante o documentário, uma vez que parecia deslocado dos demais em termos de condução do filme.

De um modo geral, Anne Frank – Vidas Paralelas é um documentário que transmite de uma forma diferente as memórias de Anne, mas que ainda faz isso de um jeito emocionante e que atenta-se a marcar a mensagem de que conservar e transmitir memórias adiante é um forte meio de resistência e de homenagear aqueles que perderam suas vítimas para algo tão horrível quando o Holocausto e o nazismo. A narração de Hellen Mirrer contribui bastante para dar vida aos trechos do diário de Anne, bem como as gravações intercaladas com o cenário dos campos, museus e memoriais ajudam a reviver a história de tantas pessoas que, como Anne, também perderam a vida por conta da crueldade humana.

A mensagem de que conservar as histórias vivas mesmo após tantos anos é algo essencial para que as novas gerações não cedam aos erros do passado fica firme a cada nova inserção dos netos e bisnetos que falam sobre como seus avós e avôs, vítimas do nazismo, passavam essa memória para eles. O documentário é bem sucedido em sua proposta, mesmo com alguns problemas de interrupção de ritmo e é uma indicação essencial para aqueles que desejem homenagear a memória de Anne e de tantas outras vítimas.

ANNE FRANK – VIDAS PARALELAS

Diretor: Sabina Fedeli, Anna Mignotto

Elenco: Helen Mirren, Gengher Gatti

Ano de lançamento: 2020

A vencedora do Oscar Helen Mirren conta a história de Anne Frank com base no diário da jovem no documentário que traz também a saga de cinco sobreviventes do Holocausto.

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