Antígona é uma peça teatral do dramaturgo Sófocles e encerra a “Trilogia Tebana“, encenada em 441 a.C e publicada pela Editora Zahar em 2001.

A obra foi traduzida direto do Grego por Mário da Gama Kury que também escreveu a introdução e as notas.

Sobre o livro

Antígona é uma jovem princesa que optou por abandonar a proteção do palácio para mendigar com o pai, condenado pelos deuses a vagar pelo mundo sem jamais retornar a terra natal.

A maldição que assola Édipo acaba alcançando os seus descendentes masculinos, que são destinados a guerrear entre si para ascender ao trono de Tebas. Todavia, o oráculo revela que aquele que receber o apoio do pai sairá vitorioso do embate, mas o pai acaba rejeitando o filho que segue para o campo de batalha.

Nasci para compartilhar amor, não ódio.

Posição 5073

Ocorre que antes, Eteócles faz Antígona prometer que prestará os ritos fúnebres caso ele morra na guerra. Antígona acata o pedido do irmão. Após a vitória de Tebas, o Rei edita um decreto proibindo que os inimigos sejam sepultados, devendo seus corpos serem deixados para as feras.

Antígona terá que escolher entre cumprir a promessa feita ao irmão e acatar a determinação legal que proíbe que os inimigos sejam sepultados.


Minha Opinião

Antígona tem um pedacinho do meu coração. Foi a primeira peça grega que li e me marcou profundamente. Verdade seja dita, Sófocles é meu queridinho. A narrativa dele é poética, mesmo que sofra bastante com a tradução.

Antígona é uma personagem marcante. Ela possui uma nobreza e dignidade que pouco se vê em livros. Todo o carinho que ela devota ao pai, guiando-o por toda a parte e assegurando que esteja bem cuidado na medida de suas forças.

Ela aceita passar fome, viver sem abrigo, exposta a intempéries e toda a sorte de perigos para ajudar o pai cego. Ela poderia viver luxuosamente no palácio com seus irmãos e tio, mas preferiu abrir mão para cuidar das necessidades do pai.

Deixa-me enfrentar, nesta loucura apenas minha, esses perigos; assim me livro de morrer envergonhada.

Posição: 4651

A relação de Antígona e Édipo é linda. Ela é os olhos do pai, ele é extremamente grato pela sacrifício feito pela filha e ao mesmo tempo sofre que ela tenha que passar por isso junto com ele. Já que cabia aos filhos homens cuidar e proteger o pai na velhice, todavia Édipo acabou abandonado por eles.

Após a perda do pai, Antígona regressa a Tebas para tentar conciliar os irmãos, mas é em vão. Finda a guerra, o decreto de Creonte acaba por ameaçar aqueles que tentarem prestar os ritos fúnebres aos inimigos. Por isso, Antígona terá que escolher entre cumprir a promessa e correr o risco de uma terrível sanção ou acatar o decreto de Creonte e ir contra as leis divinas.

(…) a Polinices, que regressou do exílio para incendiar a terra de seus pais e até os santuários dos deuses venerados por seus ascendentes e quis provar o sangue de parentes seus e escravizá-los, quanto a ele foi ditado que cidadão algum se atreva a distingui-lo com ritos fúnebres ou comiseração; fique insepulto o seu cadáver e o devorem cães e aves carniceiras em nojenta cena.

Posição: 4737

Sófocles foi um célebre dramaturgo e poeta que produziu cerca de 120 peças. Costumava participar de concursos em Atenas. Infelizmente da sua extensa obra, apenas sete tragédias completas restaram: Ájax, Édipo rei, Édipo em Colono, Antígona, Electra, As Traquinias e Filoctetes.

Sem dúvida a melhor tradução é a de Mário Gama Kury, por ser a mais acessível, no meu ponto de vista. A leitura é bem tranquila, pois a edição é rica em notas que ajudam na compreensão de alguns termos. Vale a pena sair da zona de conforto e conhecer essa obra-prima do autor.

ANTÍGONA

Autor: Sófocles

Tradução: Mário da Gama Kury

Editora: Zahar

Ano de publicação: 1990

Verdadeira antologia das principais obras que nos ficaram de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, os volumes de A Tragédia Grega são traduzidos diretamente do original pelo eminente helenista Mário da Gama Kury. O primeiro volume da série apresenta A trilogia tebana, considerada há quase dois milênios e meio uma das mais belas e importantes obras da cultura universal. Todo o teatro que se fez até hoje no Ocidente tem suas raízes mais profundas na obra de Sófocles, que inovou a tragédia grega ao deslocar o motivo das ações para a vontade humana e não mais para as maquinações divinas. Esse livro reúne três peças do autor grego que compôs mais de 100 dramas, dos quais apenas sete tragédias completas chegaram até nosso tempo. “Édipo rei, Édipo em Colono e Antígona estão íntegras na representação verbal de Mário da Gama Kury, perfeitamente representáveis para o espectador atordoado pela cultura de massa, e, definitivamente, reflexionada por elaboração verbal impecável.” Jornal do Brasil.

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