Battle Royale é o primeiro e único livro do autor japonês Koushun Takami lançado no Brasil pela editora Globo Alt em 2014.

Sobre o Livro

Tudo se passa em um Japão autoritário. O governo criou um programa que incentiva as pessoas a temerem a maldade humana tentando justificar o autoritarismo no país. Este programa é de uma organização bem simples: ocorrendo anualmente, um sistema seleciona aleatoriamente uma turma de ensino fundamental para ser enviada para uma ilha controlada totalmente pelo governo. Cada estudante receberá um kit de sobrevivência e terá como um único objetivo sobreviver. Mas, somente um dos 42 estudantes que iremos acompanhar neste livro poderá de fato sobreviver. Os demais serão meras lembranças do passado.

As regras são claras: não pode fugir da ilha, ou será morto. Não pode comunicar-se com ninguém por telefone, ou poderá também ser morto. Conforme o passar do tempo, a ilha que é dividida em quadrantes será cada vez mais reduzida em seu espaço livre de circulação dos estudantes, proibindo que quadrantes escolhidos de forma aleatória não poderão ser acessados pelos estudantes. Caso um deles ultrapasse os limites de um quadrante proibido, o resultado é em sua morte. A única coisa liberada dentro desta ilha é poder matar seu colega de classe não havendo restrições quanto a como fazer.

Sob a luz do luar, o mar negro se estendia para além do ancoradouro de concreto branco azulado como uma espinha, e sobre ele balançava o navio que transportaria os ‘jogadores’.”

Em Battle Royale, Shuya, um estudante tentando sobreviver em meio a um campo de batalha deverá aceitar que seus antigos colegas de escola se tornarão assassinos violentos e insensíveis. Takami não só apresenta Shuya, como os demais 41 estudantes que tentarão fazer de tudo para serem os vitoriosos deste battle royale em uma realidade distópica.


Minha Opinião

Foi uma leitura rápida e gostosa de se fazer. Koushun Takami não nos deixa cair de paraquedas neste mundo autoritário japonês e nem nos enrola até o início da matança. A narrativa direta, descritiva nos momentos certos e evolutiva permitiu que esta obra alcançasse um ritmo frenético que pouco presenciei nos livros de suspense mais cotados atualmente. Além do thriller, o autor nos apresenta reflexões de grande importância que nos toca profundamente quanto ao como ensinar jovens para capacitá-los a encarar a vida real, a vida de um adulto. E esta reflexão estará fortemente presente entre os diálogos dos estudantes.

– Todos já devem saber que as regras são simples. Tudo que têm a fazer é matar uns aos outros. Não há restrições quanto a isso.”

A narração segue acompanhada no final de cada capítulo de um contador de número de estudantes que sobreviveram, havendo também um mapa da ilha com a divisão dos quadrantes e uma lista com o nome de todos os 42 estudantes. Os personagens, que são vários e demasiados, possuem diversas características marcantes que podem cativar cada leitor. Shuya, Noriko e Shogo têm mais destaques na história dando a eles mais importância em vários capítulos. São personagens que vão se construindo conforme o decorrer da história e é a partir daí que o leitor começa a criar vínculos e a perdê-los conforme mais e mais personagens morrem no meio desta matança.

– […] Agora, escrevam também três vezes: ‘Se não matar, serei morto’.”

Há uma dificuldade aparente que todo leitor brasileiro poderá passar com a leitura deste livro. Por se tratar de uma obra de ficção japonesa, a cultura desta nação está fortemente presente com poucas influências do mundo ocidental. E isto inclui os nomes dos personagens que o autor vai construindo, dificultando a experiência do leitor nos momentos iniciais da história pois há um certo conflito em discernir o sexo dos personagens através do nome deles além de cada nome ser difícil sua recordação. Isto é algo muito comentado entre os leitores de Battle Royale mas com um pouco mais de atenção a experiência da leitura continua sendo extraordinária.

Outros aspectos negativos, perceptíveis na obra, é o tema de sexualização dos personagens e constantes diálogos sobre sexo. As personagens mulheres são extremamente expostas e mal colocadas pelo autor assim como visto em diversos animes e afirmando o quão questionável é a cultura japonesa. Vale ressaltar, também, um problema muito severo quanto a idade dos estudantes. Muitas das vezes, é difícil de se imaginar os estudantes com a idade que Takami apresenta. São jovens de nono ano que agem como se fossem jovens adultos. Esses detalhes impediram de transformar Battle Royale em um dos thrillers distópicos favoritos da vida.

Battle royale é uma temática que vem conquistando principalmente o público jovem-adulto. Uma temática de um jogo competitivo onde só um deverá restar enquanto os demais deverão ser mortos. Além dos atuais sucessos de jogos de battle royale como fortnite e freefire, há também a presença cinematográfica e literária na trilogia Jogos vorazes que se prolongará para uma nova continuação. De certa forma, o livro Battle Royale não deixa de ter sua essência de originalidade, sendo este o percursor deste tema. Sendo assim, é um brilho para os amantes de fortnite, fãs de Suzanne Collins e adoradores das obras de terror de Stephen King.

BATTLE ROYALE

Autor: Koushun Takami

Tradução: Jefferson José Teixeira

Editora: Globo Alt

Ano de publicação: 2014

Em um país totalitário, o governo cria um programa anual em que uma turma de ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo. Ao final do Programa, o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país.

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